Conheça o mineiro que vai tocar no palco principal do maior festival de música eletrônica do mundo

Felipe Augusto Ramos, de Conselheiro Lafaiete, já foi ex-guitarrista de banda de rock

por Mariana Peixoto 24/07/2016 11:24

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GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS
Felipe Augusto Ramos deixou as bandas de rock de lado e começou sua carreira como DJ há cinco anos, sob o codinome FTampa. Hoje, ele é conhecido internacionalmente e já teve faixas executadas por astros como David Guetta e Calvin Harris (foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)

Quando estava no colégio, em Conselheiro Lafaiete, Felipe Augusto Ramos era sempre o primeiro da fila. Baixinho, não demorou para que os colegas o apelidassem de “tampa”. Aos 29 anos, Felipe, com seu 1,70 metro, não é mais o menor da turma. Mas o apelido ficou.

“É horrível este nome, né?”, ele pergunta, já sabendo a resposta. Mesmo vivendo em Belo Horizonte há mais de uma década, Felipe é pouco conhecido por aqui. Agora, faça uma pesquisa sobre FTampa. Em sua página no Facebook, são 770 mil curtidas. No Spotify, sua média mensal é de 500 mil ouvintes.

E a tendência é só crescer. Hoje, FTampa se apresenta no palco principal do Tomorrowland, o maior festival de música eletrônica do mundo (o evento ganhou, em 2014, uma edição no Brasil). O festival é realizado desde 2005 em Boom, pequena cidade na região da Antuérpia, Bélgica. Na primeira década de Tomorrowland, nenhum brasileiro havia se apresentado no palco principal do evento.

“O palco principal é algo inalcançável, onde caras gigantescos como David Guetta e Steve Aoki tocam. Eu no meio desse povo é uma coisa meio bizarra, algo que sempre almejei”, diz ele, que vai tocar no mesmo palco que nomes como Steve Angello, Dimitri Vegas e Don Diablo.

O “sempre” de que fala Felipe é algo meio relativo, pois até cinco anos atrás ele mal sabia o que era música eletrônica. “Comecei em Lafaiete tocando em banda de rock. Fiz isso a minha vida inteira.”

Ele foi guitarrista da banda Rezet. Já morando em BH e com o cenário não lá muito promissor, acabou trabalhando com marketing.

Tudo mudou quando um primo o apresentou à música eletrônica, cinco anos atrás. “Fiquei maluco, resolvi que era aquilo que faria, pois não dependeria de uma banda.”

Quantos músicos não tomaram esta decisão desde a explosão da eletrônica, nos anos 1990? Pelo menos algumas centenas. Felipe, ele próprio admite, teve muita sorte, pois sua carreira decolou rapidamente. “Mas só eu sei o tanto que tive que estudar para chegar no nível dos profissionais”, acrescenta.

O DJ deu início à carreira tocando o chamado complextro. Nunca ouviu falar? Não é o único. Um eletrohouse mais pesado, que começou a ser tocado no início desta década. Em 2011, ele começou a tocar. Em BH, participou de algumas festas, tocou em clubes como Deputamadre e Label.

Mas foram os Estados Unidos que o receberam de braços abertos. Logo no início da carreira, Felipe usava como nome artístico Tampa. Descobriu que havia um DJ com este mesmo nome, então resolveu mudar. “Pensei que teria que colocar um nome bem específico, pois se a pessoa fosse procurar na internet, ia ser mais fácil.”

NOME


Ficou FTampa. Quando entrou para uma agência americana de DJs, seu produtor de cara disse que ele deveria trocar o nome, pois não venderia. Felipe bateu o pé, provando que a estranheza pode ser um bom negócio.

Ele começou a se destacar no meio quando o holandês Hardwell, um dos nomes de ponta do chamado eletrohouse, tocou Kick it hard. “A música eletrônica corre por baixo da mídia, mas é maior do que qualquer outro mercado musical”, afirma Felipe. A apresentação de Hardwell ocorreu para milhares de pessoas durante uma edição do Tomorrowland. No palco principal, claro. Melhor cartão de visitas, impossível.

Depois de Hardwell, outros nomes do primeiro time passaram a executar as faixas de FTampa: David Guetta, Calvin Harris, Afrojack e Tiësto entre eles. E Felipe passou a fazer turnês mundo afora e a tocar em eventos importantes: foi escalado, por exemplo, para o Burning Man (2013) e Rock in Rio Las Vegas (2015). Suas faixas já foram utilizadas em comerciais e temas de jogos para Xbox.

Hoje, além de um apartamento na Savassi, também tem uma casa em Los Angeles. “O Brasil é um lugar complicado, pois o que rola aqui é totalmente oposto ao que está no mercado internacional. Além do mais, o brasileiro sempre teve a mentalidade de achar que o gringo é melhor. Finalmente, o jogo virou, não precisamos mais dos gringos.”

Com uma média mensal de 12 apresentações, Felipe toca hoje o eletrohouse. E não trisca um segundo em afirmar que está investindo na música comercial, um terror para os produtores e DJs do chamado underground. “Sempre quis fazer uma coisa diferente, com background de banda (ele tinha não mais do que 13 anos quando começou a tocar guitarra e teclado), com mais elementos acústicos.”

Suas referências na música, o passado não nega, não são de nenhum DJ ou produtor. “Gosto de música comercial, sempre ouvi música pop. E o difícil é fazer o simples”, acrescenta ele. Como produtor, já trabalhou com Chris Brown nos EUA e Paulo Ricardo no Brasil.

Com um estúdio em BH e outro em Los Angeles, passou boa parte deste ano produzindo novas faixas. E tem mais uma razão para fazê-lo. FTampa faz parte hoje do casting da Sony Music. Lançou no último dia 15 seu primeiro single pela gravadora, Stay, faixa com vocais da cantora britânica Amanda Wilson. Ao contrário dos primeiros lançamentos, com uma levada mais pesada e agressiva, a nova faixa tem uma pegada progressiva, quase romântica.

A ideia, daqui para a frente, não é lançar um álbum, algo que não faz muito sentido no universo da eletrônica, mas soltar, de tempos em tempos, um novo single. “Minha carreira nunca teve muito foco aqui. Agora, com a gravadora, queremos que o trabalho funcione mundialmente, mas com uma força no Brasil”, continua.

Na semana passada, Felipe ficou em seu apartamento na Savassi, finalizando o set do Tomorrowland. Embarcaria na sexta para a Bélgica. Falando sobre a expectativa deste domingo, ele dispara: “Quando penso onde cheguei, fico um pouco ansioso. Vou apresentar muita coisa nova e, provavelmente, vou trabalhar no material até o último momento.”

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