Miles Davis, ícone do jazz, completaria 90 anos nesta quinta-feira

Qualidades de líder e esforço em sempre inovar em técnicas e tendências elevaram o trompetista, morto em 1991, ao status de uma lenda da música

por Samir Mendes 26/05/2016 11:04

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(foto: reedit.com)
“Miles Davis é a única superestrela do jazz.” A frase, de autoria do baterista norte-americano Chico Hamilton, que tocou com o trompetista, consegue exprimir em poucas palavras o que o músico representa para um dos estilos musicais mais revolucionários e fascinantes do século 20. Apesar de não haver consenso em relação a quando a afirmação foi proferida, ela ainda é verdadeira 25 anos após a morte de Davis ou, até mesmo, 90 anos após o nascimento do músico, que seria comemorado nesta quinta, caso ele estivesse vivo.

Assim como o jazz é um gênero multifacetado, cuja beleza está na pluralidade e na mistura entre a técnica e a virtuose e o improviso e sensações, a influência de Miles Davis no ritmo que o consagrou também engloba diferentes facetas.

Apesar de ter nascido em 26 de maio de 1926, em Alton, Illinois (EUA), onde aprendeu a tocar trompete com um músico local, o legado de Davis começou em Nova York, cidade para a qual se mudou em 1944 com o objetivo de estudar na prestigiada Escola de Música de Julliard. Embora a educação formal tenha sido de primeira qualidade, foi nos clubes de
jazz do Harlem, ao lado de músicos como Fats Navarro, Thelonious Monk e Charlie Parker — de cujo quinteto Davis fez parte nos primeiros anos em NY —, que o trompetista começou a desenvolver seu estilo próprio, melódico, possibilitando exprimir altas doses de emoção e sentimento. Ao mesmo tempo, ele foi um dos principais promotores do “bop”, uma ruptura diante do jazz capitalista, de estrutura rígida.

Após explorar e dominar as técnicas utilizadas no bop, Davis se juntou aos músicos Gil Evans e Claude Tornhill para experimentações que se afastariam do pesado virtuosismo que vinha tomando conta da cena. No começo da década de 1950, ele se tornou líder de um entusiasmado noneto que gravou os álbuns seminais The birth of cool e Boplicity, que marcaram o nascimento do jazz “cool”, ou “descolado”, vertente mais lenta e suave do estilo e que só viria a ser reconhecida pelos críticos anos mais tarde. Já nesta época, Miles Davis era reconhecido como “um trompetista com estilo próprio; um artista bem-sucedido que havia ampliado a audiência do chamado jazz ‘autêntico’; um líder de rara habilidade para lançar novas tendências e alguém com olho para introduzir músicos inovadores que ajudariam a formar o futuro do jazz”, escreveu Grover Sales, no livro Jazz: america’s classical music, de 1992.

O mais impressionante sobre esses elogios é que eles foram feitos antes de Miles Davis gravar a sua obra-prima, Kind of blue, de 1959. O disco, uma elegante declaração artística em que Davis evolui a abordagem modal que permitiu mais liberdade em improvisos, é até hoje, o disco que mais vendeu na história do jazz, com mais de quatro milhões de cópias. Em 2009, o Congresso americano honrou o álbum, elevando-o ao status de Tesouro Nacional. “Sua esfumaçante evocação de um ambiente fim de noite é um dos símbolos de elegância descompromissada. Kind of blue transforma acordes com sétima em algo que ainda soa moderno 50 anos depois. De forma simples, o espaço sônico criado no álbum soa como o lugar mais descolado do planeta”, avaliou o site da BBC music.

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