Hamilton de Holanda grava CD dedicado à obra de Chico Buarque

Bandolinista deu outra vida a clássicos como A banda, Construção e Piano na Mangueira. O homenageado participou de duas faixas

por Eduardo Tristão Girão 15/05/2016 10:50

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Laise Mendes/Divulgação
Ainda jovem, Hamilton de Holanda se apaixonou por Carolina, mas ela ficou de fora do CD (foto: Laise Mendes/Divulgação )
É um cruzamento “daqueles” o que acontece no recém-lançado disco Samba de Chico (Biscoito Fino/Brasilianos): a obra monumental de Chico Buarque serve de matéria-prima para novos arranjos a cargo de Hamilton de Holanda, o maior bandolinista em atividade no Brasil. Mais do que virtuoso, o instrumentista é criativo e domina a técnica suficientemente para frasear com perfeição o que bem entender, seja no andamento que for. Por isso, sua ideia foi bem-sucedida.

As 15 faixas são quase todas instrumentais. Chico participa cantando A volta do malandro e Vai trabalhar vagabundo. A cantora espanhola Sílvia Pérez Cruz também empresta a voz ao projeto, em Atrás da porta e O meu amor. No mais, o bandolinista pinçou composições como Morena d’Angola, Construção/Deus lhe pague, A Rita, Roda viva, Samba e amor, Quem te viu quem te vê e A banda. De próprio punho, incluiu a faixa que batiza o trabalho.

Em estúdio, Hamilton contou com músicos aos quais já está acostumado: o percussionista Thiago da Serrinha e os baixistas Guto Wirtti e André Vasconcellos, além do pianista italiano Stefano Bollani, com quem gravou um lindo disco em duo pela gravadora alemã ECM, O que será (2013). O estrangeiro dá brilho especial a Piano na Mangueira e Vai trabalhar vagabundo. No meio de tudo está o bandolim de 10 cordas de Hamilton, executado com maestria e sempre à serviço do que pede a música.

“Chico é um cara que consegue unidade, mas não se repete. Ou seja, cada música tem um caminho melódico diferente do outro e, ao mesmo tempo, você ouve o que vem da mesma fonte. Todo artista busca isso: originalidade, sem se repetir. As harmonias são lindas e os sambas parecem já ter nascido clássicos. A gente ouve e já se vê nas músicas dele. Foi uma delícia fazer esse repertório no bandolim, pois são músicas de que já gostava de tocar, de improvisar”, conta o artista.

Selecionar o repertório foi difícil. “Não fui por outro caminho que não o do coração, escolhendo o que já gostava e tocava. Quando chegou nessas 15, desapeguei, senão teria de fazer mais uns três ou quatro discos”, diz Hamilton. Carolina foi a primeira de Chico que ele ouviu. Era uma das faixas do LP do conjunto Época de Ouro, na época em que Déo Rian já havia ocupado o posto deixado por Jacob do Bandolim. “Aquilo me deu vontade de aprender a tocar”, lembra. Entretanto, essa canção ficou de fora do novo álbum.

Sobre a participação de Chico no disco, o bandolinista diz que o compositor foi muito receptivo, inclusive acatando de bom grado sugestões das músicas para ele cantar. O clima em estúdio foi tão descontraído que Hamilton aproveitou para jogar a isca. “Até deixei uma melodia com ele, que diz ter gostado. Vamos ver se se anima a colocar letra. O tempo é que vai dizer. Para mim, seria uma grande honra”.

Pode ser que dê certo. Hamilton goza de alguma intimidade com Chico, pois mora perto dele e frequenta o campo de futebol que o compositor mantém no Rio de Janeiro para jogar com seu time, o Polytheama.

Samba de Chico
Biscoito Fino/Divulgação
(foto: Biscoito Fino/Divulgação )

>> Morena d’Angola
>> Construção/Deus lhe pague
>> A volta do malandro
>> Samba de Chico
>> Piano na mangueira
>> Atrás da porta
>> A Rita
>> Roda viva
>> O meu amor
>> Trocando em miúdos
>> Vai trabalhar vagabundo
>> Samba do grande amor
>> Samba e amor
>> Quem te viu quem te vê
>> A banda

Biscoito Fino/Brasilianos
Preço médio: R$ 26

Quarentão

Samba de Chico marca as comemorações dos 40 anos de Hamilton de Holanda. “É um momento de maturidade, com visão 100% consciente e realista da vida. Não me empolgo com certas coisas que me empolgavam antes e também fico mais triste com outras que não me deixavam assim. Como músico, cheguei a um equilíbrio importante, estou melhor do que 10 anos atrás. Vejo estrada longa pela frente, com muitas descobertas, muitas novidades por vir”, resume o bandolinista.

 

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