Agenda cultural de BH registra festivais gratuitos e outros com ingressos a até R$ 800

Produtores falam sobre comportamento do público e dificuldades para pagar as contas

por Pedro Galvão 12/04/2016 08:00

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FLAVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO
(foto: FLAVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO)
Está caro ver música em BH? Há quem diga que sim. Por outro lado, existem aqueles que reclamam da baixa rentabilidade das produções. No entanto, entre sucessos de bilheteria e fracassos de audiência, o público tem um amplo leque de atrações, que vão desde a entrada gratuita para festivais alternativos na rua até ingressos de R$ 800 para megashows sertanejos. Nessa miscelânea, cada evento tem suas especifidades e custos de produção. O Estado de Minas procurou ouvir o lado dos produtores que atuam na capital mineira.


No último sábado, milhares de pessoas se aglomeravam no Megaspace em Santa Luzia para acompanhar o Festival Villa Mix, que reuniu alguns dos principais nomes do sertanejo nacional do momento. Com ingressos que chegavam a custar quase R$ 800 para os setores mais privilegiados, equipados com open bar e serviço de alimentação, o evento foi sucesso de público em sua quarta edição. No dia anterior, a uns 20 quilômetros dali, outro público, bem menos numeroso, prestigiava o bloco de carnaval Então Brilha!, que se apresentava no Mercado das Borboletas. A entrada para a festa “Amor de Carnaval é pra Vingar” custava entre R$ 10 e R$ 25.

Embora se apresentem na rua gratuitamente durante os dias de carnaval, com o boom da folia na capital, tornou-se comum blocos fazerem shows em lugares fechados, nos moldes de uma banda, executando seu repertório, na maioria das vezes composto por clássicos do axé e da MPB. À frente do evento de sexta-feira, estava o coletivo Pula BH, que vem organizando festas assim desde o ano passado. Criado para ser um veículo de mídia alternativo, seus mentores viram nos bailes fechados de carnaval uma forma de custear o projeto.

“Hoje em dia, um evento nosso conta com uma produção de até 100 pessoas, contando desde o pessoal da limpeza e segurança até os músicos. Fazemos questão de remunerar todos”, diz Phillipp Augusto, um dos responsáveis pelo Pula BH. Segundo ele, com a verba da bilheteria, ele paga os profissionais envolvidos, os músicos e constrói o fundo para os projetos do grupo. “A gente brinca que aqui é o ‘na tora produções’, porque começamos do nada, sem nenhum patrocínio. Nosso primeiro evento, no ano passado, custou R$ 22 mil e conseguimos bancar só com a grana da bilheteria”, afirma.

Para quem organiza o evento, o sucesso de público se explica não apenas pelo baixo custo dos ingressos, se comparados com outros eventos musicais em locais fechados, mas também pela relação dos blocos com o público. “Além do carnaval estar muito em voga, blocos como o Então Brilha! são conhecidos pela diversidade. É um bloco que levanta as bandeiras LGBT e de outras causas e minorias. Por isso, um show de cover de axé acaba atraindo muito mais gente do que uma banda autoral”, avalia Augusto.



CONTRAMÃO Na contramão do sucesso carnavalesco, quem se dedica a produzir shows de bandas independentes não está satisfeito com o momento de BH. Se shows de gigantes como Maroon 5 e Iron Maiden esgotaram as entradas disponíveis, mesmo com preços variando entre R$ 150 e R$ 600, quando se trata de artistas menos conhecidos, o cenário é bem diferente. “Os gastos de um show ou festival independente são os mesmos de um megaevento, só que numa escala menor – tem técnico de som, jogo de luz, divulgação, cachê, passagem aérea etc. Só que esse custo tem que ser todo pago por bilheteria, porque não temos patrocinadores. As marcas não se interessam em patrocinar artistas que estão começando ou que são menos conhecidos”, afirma Bart Ramos, que há 19 anos comanda a 53HC na produção de shows e festivais independentes em BH.

Para ele, o desinteresse do público tem prejudicado as produções, como ocorreu no show da banda brasiliense de trash metal Violator, em março, no Studio Bar. Com ingressos a partir de R$ 20 e outros dois shows de abertura com bandas de BH (Carahter e Rastros de Ódio), a audiência foi abaixo do esperado pela produtora: “Aqui eles tocaram para 300 pessoas, sendo que a média deles é 600 em outras cidades, inclusive fora do Brasil. BH sempre foi uma capital complicada de trabalhar com música independente. O metal era exceção, agora até ele tem dado prejuízo em eventos de pequeno e médio porte”.

No entanto, a 53HC não desiste e pretende trazer a BH em maio a banda capixaba de hardcore melódico Dead Fish, principal ícone do gênero no país. Os ingressos mais baratos, que custavam R$ 25 e R$ 30 (meia entrada), já esgotaram.

Se a falta de interesse de parte do público se justifica pelos valores dos ingressos, há quem se organize para apresentar gratuitamente os novos artistas para o público nas ruas da cidade. Variados ritmos da música independente são contemplados em eventos como o Festival Permanente de Bandas, organizado pela Híbrido Cultura e Comunicação no primeiro fim de semana de abril, reunindo 12 bandas debaixo do Viaduto Santa Tereza. Para isso, eles contaram com verba de um patrocinador via Lei de Municipal de Incentivo à Cultura. Apesar do apoio de algumas marcas para os eventos que realiza há sete anos em espaços públicos, o coletivo ainda se queixa de dificuldades.

“No começo, lá em 2009, 2010, a gente conseguia pagar as contas vendendo cerveja. Hoje isso é inviável”, diz o produtor Victor Martins, um dos integrantes da Híbrido. Ele reconhece que a expertise da produtora, conquistada ao longo desses anos, favorece na hora de viabilizar um evento na rua, mas diz que, para iniciantes, não é tarefa fácil por causa da burocracia. “São muitas taxas que devem ser pagas para a Prefeitura. Dependendo do tamanho do evento, elas chegam a R$ 1.000, fora todos os outros gastos. A gente sabe que não é fácil conseguir patrocinador para bandas menores, aí é complicado para muita gente pagar todos os custos”, afirma. A Híbrido planeja uma nova edição do festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L para junho, com o patrocínio de uma cervejaria. As atrações ainda não foram divulgadas.


FESTIVAL DE GRAÇA

No próximo sábado, outro festival gratuito acontece em BH, no Parque Municipal, dessa vez com alguns nomes de peso da música nacional e com o apoio de uma grande marca alimentícia. O Momentos Aymoré levará ao palco Tulipa Ruiz com Erasmo Carlos, Chico Salem com participação de Arnaldo Antunes, além da banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico, que convida a parceira Juliana Perdigão.

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