Michel Teló lança amanhã DVD com 15 inéditas e várias apostas de novos hits

Em entrevista ao Estado de Minas, ele fala sobre The Voice, Paula Fernandes, Chitãozinho & Xororó e a carreira que planeja, mas "sempre tem algo que surpreende"

por Francelle Marzano 20/12/2015 09:30

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FERNANDO HIRO/DIVULGAÇÃO
O cantor Michel Teló durante a gravação de 'Baile do Teló', que usa recursos de realidade virtual para que o espectador se sinta 'dentro' do show (foto: FERNANDO HIRO/DIVULGAÇÃO)
São 71 minutos de músicas, 19 faixas (15 delas inéditas) e um padrão de produção invejável. O cantor sertanejo Michel Teló resolveu investir pesado em seu novo DVD, Baile do Teló, que chega às lojas amanhã, de olho em seu público já cativo e também naquele de boates do país onde sua música não entra.

As faixas foram gravadas com a tecnologia da realidade virtual, que permite ao telespectador guiar o clipe, como se estivesse no centro do palco, rodeado pela banda ou em qualquer outro lugar do cenário do show. Na direção, além do próprio Teló, estão seu irmão e empresário, Teófilo Teló, e o diretor musical da banda, Marcinho Hipólito.

Sabe aquele hit que fez Teló rodar o mundo e o sertanejo universitário se tornar conhecido por todas as classes sociais? Pois ele não está entre as quatro regravações do DVD. “Geralmente, os cantores trazem seus grandes sucessos em discos novos, mas a ideia era mesmo trazer canções novas. Ai se eu te pego, A fugidinha e outros sucessos já tiveram a época delas”, afirma Teló.

A aposta para 2016 é Tá quente, primeira do disco. “É uma canção que tem tudo para virar moda na praia, na baladinha, no carnaval e, quem sabe, estourar por este Brasil e pelo mundo. Tem um pouquinho da mistura que sempre fiz, um pouquinho de pegada de samba rock”, diz.

Em Diz aí, Teló, composta por Jorge Ben Jor, o cantor faz dueto com Seu Jorge.”Já vínhamos conversando sobre a parceria há uns dois anos. Desta vez as agendas coincidiram e conseguimos gravar juntos.” O Grupo Tradição, sua ex-banda, canta com ele os antigos sucessos Barquinho e A brasileirinha e a inédita Pra que rumo que nóis vai, que fala do reencontro de amigos para ouvir uma moda sertaneja. É nesta hora que Michel e Gerson Douglas, sanfoneiro do grupo, se empolgam ao tocar o instrumento.

O tom romântico fica por conta das participações da dupla Breno & Caio Cesar – do casting do escritório de Teló – em Não me leve a mal, e do vocalista da banda Louvor e Glória, Rodrigo Ferreira, cantando Só temos hoje para amar.

Para encerrar o disco, uma música com pegada mais eletrônica, Love is alive, projeto em conjunto com oss DJ brasileiros Klauss e Turino, com a participação do também Dj Dani Quirino. “Sem dúvida, é uma música que pode tocar nas boates do país e até do mundo. Tem a minha participação na sanfona e o Quirino canta muito bem”, avalia.

Além da sanfona, seu instrumento favorito, Teló se arrisca e se sai bem na bateria e no violão. E diz que gravou o novo produto com uma ideia antiga na cabeça. “Grupo bom é aquele que faz a turma dançar, como ocorria quando eu tinha 12 anos e comecei a carreira de músico em Campo Grande, tocando nos bailes da cidade.”

Entrevista
Michel Teló, músico


O sertanejo costuma ser criticado por ter melodias menos elaboradas e letras  pobres.  Na sua opinião, as canções sertanejas poderiam ser mais refinadas?
Não me preocupo com essas críticas. O sertanejo é hoje a principal música popular do país e dentro do gênero há vários estilos. O mercado mudou muito. Antigamente você não tinha internet, não tinha essa facilidade com os meios de comunicação. Hoje, as pessoas têm pensamentos diferentes. Onde faço show, por exemplo, as pessoas querem aproveitar, curtir, dançar, ser felizes. Mas temos artistas para todos os gostos. Tem a galera que gosta do sertanejo de raiz, do rock, do funk, de eletrônica. O mundo está aí, com todos os estilos, e as pessoas podem curtir o que quiserem.


O sertanejo está se reinventando? Qual a sua opinião sobre o sertanejo de raiz e o  sertanejo universitário?

A música precisou se modernizar. O sertanejo de raiz começou com a viola e uma dupla cantando, lá nos anos 60. Depois, nos anos 70, começaram com a bateria e o contrabaixo. Nos anos 80, começou o sertanejo mais romântico. O que mais gosto no sertanejo de raiz é Milionário & Zé Rico e Chitãozinho & Xororó. Já no universitário, Jorge & Mateus são uns caras que admiro.

Sua carreira solo foi além do que imaginava com o sucesso de Ai se eu te pego?
Ai se eu te pego é um ponto fora da curva. Faz quatro anos que lançamos a música e temos mais de 700 milhões de visualizações do clipe no YouTube. Não tinha como esperar isso tudo. Foi muito além do que eu planejava. É algo surreal. Ela transpôs a barreira do idioma, o que é difícil para uma música lançada em português.

Como administra carreira, sucesso e família? É fácil lidar com as três coisas?
Não é fácil, é um desafio muito grande. A gente nunca consegue controlar. Sempre surge um trabalho, algo novo para fazer, mas você precisa tirar seu tempo de lazer, seu tempo com a família, o que, na maioria das vezes, a gente não consegue. Os projetos o consomem, principalmente, quando se está no início da carreira. Este ano, estou no The Voice, produzindo o DVD novo desde janeiro e produzindo outros projetos paralelos. O tempo para a família acaba ficando escasso. O grande desafio é achar um equilíbrio.

Existe um planejamento ou estratégia para sua carreira?
A gente sempre planeja, mas, mesmo assim, sempre tem algo que chega e nos surpreende. Quando planejei a carreira solo, por exemplo, Deus me deu muito mais do que eu havia pensado. Divirto-me fazendo isso, me traz alegria, me dá prazer. É assim que vou continuar fazendo, enquanto estiver dando tudo certo.

Você tem planos de se reinventar, como Chitãozinho & Xororó fizeram recentemente ao gravar Tom Jobim? A participação no The Voice e o quadro no Fantástico são parte dessa estratégia?
Acho importantíssimo. Chitãozinho & Xororó são exemplo. Claro, o Bem Sertanejo faz parte disso. É um projeto do meu escritório que tive a alegria de levar e apresentar no Fantástico. Acho que deu tão certo porque as pessoas não tinham ideia disso. Foi aí que surgiu o convite do The Voice. Era uma coisa que eu não estava esperando, mas é um programa muito especial.

Você substitui Daniel, que tinha a fama de “bonzinho”, no The Voice. Assumiu o papel dele?
Daniel é um lorde, um cara muito bacana. Acho que entrei para zoar um pouco mais na hora da disputa de um participante, entrar mais na concorrência. Mas também sou um cara na minha, bonzinho e, no final, acho que acabo tendo a mesma personalidade dele.

Paula Fernandes afirma que o meio sertanejo é machista e que ela chegou para  quebrar esse paradigma. Concorda com isso?
Acho que hoje não tem muito disso. Sendo mulher ou não, a pessoa precisa trazer uma música de qualidade, fazer um som bacana. Se ela faz um trabalho legal, ela ganha o respeito e o reconhecimento. Se fazem um trabalho diferente, as pessoas compram a ideia. Paula Fernandes tem muito talento, assim como outras cantoras que se destacam, como a Thaeme, que faz dupla com Thiago; Maria Cecília, que canta com Rodolfo; e temos também a Roberta Miranda, que fez e faz um excelente trabalho.
 

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