Arnaldo Brandão faz show gratuito no CCBB

Músico promete canções inéditas e repertório da carreira solo na apresentação

por Walter Sebastião 19/08/2015 09:13

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
IVAN CHAGAS/DIVULGAÇÃO
"Às vezes me sinto próximo do Tropicalismo e, em outros momentos, perto do raulseixismo. Raul Seixas faz muita falta à música brasileira" Arnaldo Brandão, músico (foto: IVAN CHAGAS/DIVULGAÇÃO)
Um autor histórico do pop rock nacional faz show gratuito às 20h desta quarta-feira no CCBB-BH. Para que não fique dúvida quanto à importância de Arnaldo Brandão, de 63 anos, basta lembrar que ele é o autor de 'Totalmente demais' e de 'O tempo não para' (com Cazuza), integrou a banda pioneira do rock A Bolha, acompanhou Raul Seixas, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Caetano Veloso e é dele o solo de baixo na música 'Odara'. Essas são só algumas das múltiplas atividades de um artista que toca piano, bateria, guitarra, teclados, percussão, violão e guitarra.

No show de hoje, Brandão vai mostrar duas músicas inéditas ('Não dá', parceria com Tavinho Paes, e 'A moda é a mãe do estilo') e composições de seus três discos solo, como 'Fico na rua', 'Beijo de peixe', 'Amém', entre outras. Será acompanhado de Fabiano de Matos (percussão), Elisa (baixo) e The Alberto (teclados). Valendo-se de pedais, para criar ecos, as músicas buscam ritmo e sonoridade diferentes, provocando certo estranhamento. “A manipulação do tempo das músicas permite transportar para a transrealidade, saindo um pouco do cotidiano, o que acho sempre saudável, até por ser preso ao dia a dia de muitos compromissos”, afirma.

O músico explica que em sua obra o trinômio sexo, drogas e rock and roll é recorrente. “É uma posição diante de um mundo maluco.” Quanto ao rock, diz ser uma referência básica, que ele sempre cultivou, por carregar um “grito primal não refinado”, embora hoje esteja mais elaborado, conforme observa. Com relação às letras, seja as próprias ou as de parceiros, prefere textos claros, praticamente explícitos.

A música entrou na vida de Arnaldo Brandão na adolescência. “Ouvi Satisfaction, dos Stones, num momento em que estava insatisfeito com o colégio jesuíta onde estudava. E descobri que havia alternativa para a vida medíocre que eu levava. Isso despertou em mim a vontade de colocar a insatisfação na música”, recorda.
 
 
A bolha Aprendeu a tocar baixo, ingressou em banda do colégio, depois em grupo de baile de bairro até criar A Bolha (1969), que acompanhava Gal Costa. Em 1973, já fazia turnê com Gilberto Gil pela Europa. Tocou ainda em bandas famosas: a do Zé Pretinho (de Jorge Ben Jor), a Atômica (de Jorge Mautner), a Outra Banda da Terra (de Caetano Veloso), além de atuar no Brylho e no Hanoi Hanoi.

“Às vezes, me sinto próximo do tropicalismo e, em outros momentos, perto do raulseixismo. Raul Seixas faz muita falta à música brasileira”, observa. Em sua avaliação, a contribuição do pop-rock, que ele viu nascer e crescer a partir dos anos 1980, “foi arrombar a porta para outras possibilidades que não o patriotismo exacerbado da direita e da esquerda”. “E quem não se alinhasse era considerado alienado”, acrescenta. “Ajudamos a derrubar esses conceitos. E a fazer com que o Brasil se apropriasse de sons estrangeiros e criasse música que é internacional e nacional.”

Brandão prepara CD novo e brinca que ainda não está pronto porque o passado fica chamando, seja na forma de shows do Hanoi Hanoi ou com uma banda cover, com Evandro Mesquita, voltada para os anos 1970 e especializada em “três Bobs: Dylan, Marley e Plant”.

Arnaldo Brandão  
Show eletroacústico. Nesta quarta, às 20h. Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, 450, (31) 3431-9400. Entrada franca. Distribuição de senhas uma hora antes.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA