Fafá de Belém celebra 40 anos de carreira com show em BH

Em entrevista ao Estado de Minas, cantora paraense expressa indignação com os rumos da política brasileira, mas se reafirma 'aprendiz da esperança'

por Ailton Magioli 05/06/2015 08:59

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Vânia Toledo/Divulgação
A cantora Fafá de Belém, que se apresenta no Teatro Bradesco, ao lado de João Rebouças (foto: Vânia Toledo/Divulgação)
Um passeio pelo universo da canção em companhia de Fafá de Belém, acompanhada do pianista João Rebouças, é o programa de amanhã à noite, no Teatro Bradesco. Celebrando quatro décadas de carreira, a cantora resolveu retornar ao formato voz e piano, além de privilegiar autores que nem sempre se ouvem em sua voz.


É o caso de Jards Macalé, de quem Fafá vai interpretar 'Dona de Castelo', além de 'Vapor barato', que já havia cantado no início de sua carreira. Também comparecem Antonio Maria, Johnny Alf, Maysa. Enfim, Fafá de Belém promete nadar de braçadas no universo da MPB, com direito até a 'Filho da Bahia', de Walter Queiroz, com o qual ela estourou nacionalmente, via trilha sonora da novela global 'Gabriela'.

Musa das Diretas Já!, que na década de 1980 tomaram as ruas das cidades brasileiras, Fafá diz estar observando com muita atenção a falta de lideranças políticas. “Nunca houve vazio tão grande de lideranças políticas como atualmente”, lamenta ela. “É muito grave o povo na rua reivindicando o que prometeram há 30 anos. Os jovens, por exemplo, foram para as ruas há dois anos e, mesmo infiltrados pelos black blocs que atraíram a polícia, surpreenderam a todos. O movimento surgiu na internet. ‘Cadê as promessas que nos fizeram?’, cobravam eles. Agora, houve novas manifestações, que são fundamentais, mas falta alguém para costurar e transformar em megafone no Congresso”, avalia a cantora, crítica ferrenha do desempenho do Legislativo brasileiro.

“É uma loucura!”, protesta Fafá, acusando a instituição de estar completamente sem mando e sem comando. “É um momento delicado, com qualquer um dando ideia, o governo terceirizado”, afirma ela, que ainda se denomina uma aprendiz da esperança. “Superaremos mais uma crise”, acredita. “O país e o povo são maiores do que tudo que está aí. Não podemos ser um país de coxinhas, de voos para Miami, atrás de grifes. Para que buscar lá fora se temos um país fabuloso aqui?”

Preparando para o mês que vem o lançamento de um disco de inéditas produzido pelo conterrâneo Felipe Cordeiro, a cantora diz que o trabalho tem conceito diferente de tudo que ela já fez. “É a Fafá de volta a Belém”, anuncia a herdeira legítima do brega e do calipso, que promete cantar no novo álbum. A turnê de lançamento do CD deverá começar entre julho e agosto.

 

POCKET SHOW
Fafá de Belém retomou o formato de voz e piano em 2002, em companhia do mesmo João Rebouças, porém acrescido de uma orquestra sinfônica. Em conversa com o pianista, eles resolveram continuar basicamente com o mesmo repertório, que vêm fazendo regularmente, com direito a mexidas a cada dois anos, e abriram mão da orquestra. “Para os promotores, é funcional”, reconhece, salientando que, em momentos de crise, quanto menor o formato, melhor para excursionar. “Queria fazer show com um quarteto em BH, onde há muito não vou com banda”, diz ela, que vem de São Paulo, onde acaba de fazer, no mesmo formato, Sala de Visitas, do Sesc, em que abriu o leque mais pop da carreira. Aqui ele promete ainda canções de Tom Jobim, Chico Buarque, Milton Nascimento e Ivan Lins, entre outros.

 

FAFÁ DE BELÉM E JOÃO REBOUÇAS – VOZ & PIANO
Sábado, às 21h, no Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes.
Ingressos: R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia). Classificação livre. Informações: (31) 3516-1360.

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