Trabalhos de Odair José retornam às lojas

Além de box, cantor também terá DVD lançado

por Agência Estado 11/11/2013 14:59

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Rodrigo Clemente/EM
Odair José viveu o auge de sua carreira na década de 70 (foto: Rodrigo Clemente/EM)
Odair José deu um chega na tristeza. Depois de anos, está feliz por reencontrar seu verdadeiro eu artístico em projetos que recuperam a fase áurea de sua carreira. Após o lançamento da caixa Quatro Tons de Odair José, deve chegar às lojas outro box com registros feitos nas gravadoras CBS e RCA, além de DVD com o registro do show O Filho de José e Maria, feito na Virada Cultural deste ano.


“Acho que com esses discos voltando ao mercado as pessoas saberão quem sou de verdade. Ouvi os Quatro Tons e me reconheci ali. Aquilo é a minha verdade”, conta Odair. Nos anos 1970, ele desfrutou de seu auge artístico e comercial, sem abrir mão da independência.


E a vontade de fazer diferente fez dele um artista sem paralelo. “Ninguém toca violão como eu toco. E trouxe para as minhas letras uma linguagem da rua. Ninguém fazia isso antes”, relembra. Nos álbuns que fazem parte de Quatro Tons, Odair brigou para ter músicos tarimbados a seu lado. José Roberto Bertrami (piano e arranjos), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti (bateria), que seriam conhecidos como Azymuth, dão o suporte instrumental ao lado de nomes como Luiz Cláudio Ramos, futuro maestro de Chico Buarque. “Eu saí da CBS porque queriam me enquadrar como um artista da Jovem Guarda, no padrão Roberto Carlos. Só Roberto sabe ser Roberto. Eu queria ser eu.”


Odair deixou a CBS rumo à Phonogram (hoje Universal Music), onde gravou cinco álbuns, lançados entre 1972 e 1976. Quatro deles estão na caixa recém-lançada. Questões como sexo, religiosidade e drogas dão o tom das letras. “As pessoas me questionavam muito diziam que eu era atrevido e não devia tratar de certas situações. Mas a prostituição, por exemplo, é algo que existe, não dá pra negar”, afirma o artista.


Os relançamentos são o ponto alto de uma redescoberta que acontece gradualmente há dez anos. O livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César de Araújo, foi o ponto de partida do processo, colocando Odair como protagonista de um estilo de música feito para as massas com caráter de crônica. “Odair pode ser comparado a Noel Rosa. Os dois têm o mesmo olhar sobre os costumes da sociedade. São grandes analistas do tempo em que viveram. Enquanto Noel fala sobre as fábricas de tecelagem dos anos 1940 em Três Apitos, Odair falava das empregadas domésticas algo que estava em evidência em 1970”, analisa Araújo.


Com o retorno dos álbuns ao mercado, Odair quer fazer shows para divulgá-los, possivelmente com músicas que ele não interpreta há muito tempo, entre elas Barra Pesada, balançada música de 1974 com o toque pesado de Bertrami nos teclados. “Eu a toquei uma vez em show, com arranjo diferente, acho que agora vou fazê-la com o original”, conta ele. Talvez seja a hora dessa e de outras canções retornarem ao repertório de um artista que, ao olhar para trás, projeta futuro promissor.



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