Virada Cultural de BH cumpre a promessa de levar 200 mil pessoas às ruas em 24 horas

Primeira edição do evento na capital mineira ocupou vias e praças da cidade com programação que privilegiou os artistas mineiros e eventos gratuitos

por Sérgio Rodrigo Reis Carlos Herculano Lopes 15/09/2013 16:53

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Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press
Praça da Estação ficou lotada durante a apresentação de artistas como Elba Ramalho e Pato Fu (foto: Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press)
A 1ª Virada Cultural de Belo Horizonte, que começou na tarde de sábado, 14, e ganhou todas as regiões da capital por 24 horas, conseguiu cumprir o prometido: levar cerca de 200 mil pessoas às ruas para celebrar a arte, a diversão e a convivência pacífica de todas as tribos. E, o que é melhor, com as praças onde ocorreram os shows e performances abertas, sem as grades e ou catracas que nos últimos quatro anos faziam parte da estrutura dos eventos e vinham incomodando parte da população.

 

Veja fotos das atrações na Virada Cultural de BH


A Virada Cultural mineira chegou com um diferencial em relação ao evento paulista, principal fonte de inspiração. Em vez de contar com atrações nacionais conhecidas, a opção foi por um elenco basicamente local, com poucas exceções, como as cantoras Elba Ramalho e Elza Soares e o grupo Demônios da Garoa. O público gostou. "Ficamos cara a cara com nossos criadores. Foi uma opção muito boa. A população de toda metrópole carece de espaços para celebrar a cidade e voltar para às ruas. Achei maravilhoso", afirmou o artista plástico Wilson de Avellar.

Logo no início da maratona, abrindo a virada, grupos folclóricos como o Boi de Arena, o Trovão de Minas e o Maracatu Lua Nova se apresentaram no Parque Municipal, com suas roupas coloridas, muita dança, rufar de tambores e coreografias típicas. Para André Salles, coordenador do Lua Nova, fundado em 2002 e que conta com 50 integrantes, a virada foi muito importante. "Deu visibilidade à cidade e, para nós, foi oportunidade de mostrar o trabalho", disse.

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Apresentações como a de Alexandre Andrés com Joana Queiroz despertaram atenção do público no Parque Municipal, no Centro da capital (foto: Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press)
Em paralelo aos grupos folclóricos, também no parque, num palco montado em frente ao Teatro Francisco Nunes, a programação musical ficou a cargo de Alexandre Andrés e Cid Ornelas. À medida que a noite avançava, crescia também o entusiasmo do público que, mais tarde, encheu totalmente a passarela em frente ao Chico Nunes, para assistir aos shows de Juarez Moreira, Célio Balona e Chico Amaral. Ainda na região do parque, próximo ao Palácio das Artes, dominava a música eletrônica. Cerveja gelada e lanches eram vendidos nas barracas.

O fim da tarde de sábado também movimentou a Praça da Estação, que vibrou com a apresentação do Pato Fu, que atraiu público eclético, ao qual não faltavam crianças. A banda mineira se apresentou antes do show de Elba Ramalho com a Orquestra Sinfônica Arte Viva, regida pelo maestro Amilson Godoy. Nem o atraso, devido a problemas com o som, desanimou a plateia, que seguiu o comando da cantora paraibana, dançando sem parar noite adentro. Com muita energia, Elba fez apresentação emocionada, dedicada ao sanfoneiro e amigo Dominguinhos, que morreu em julho.

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No Mercado das Borboletas, show de Elza Soares com Otto teve entrada concorrida (foto: Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press)
Antropofagia
Animação também não faltou na Praça Sete, ao lado do Cine Theatro Brasil, na Rua Carijós, que se encheu para assistir aos shows da Banda Forró no Escuro, Celinha Braga e as Rainhas do Rádio, Lorena Chaves e Tino Gomes. Em seguida, o público acompanhou a exibição em telão ao ar livre dos filmes Cinema Paradiso, Tostão, a fera de ouro e do curta Mulheres incomuns. Para acompanhar, os espectadores podiam ainda degustar um autêntico tropeiro, vendido a R$ 5 o prato. Ali por perto, o vendedor de pipocas Flávio Sebastião da Silva, o conhecido Sucuri, aproveitava para incrementar as vendas em seu ponto habitual. "Aqui hoje está muito bom, só tem coisa fina", disse.

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"Cheguei ontem de Varginha sem saber que tinha a virada. Vim para fazer estátua viva e vender flores. Participar foi o melhor presente em termos culturais que ganhei em minha vida." (Francisco da Silva, o palhaço Break) (foto: Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press)
O show de Elza Soares foi capítulo especial da Virada Cultural, no Mercado das Borboletas. A artista cantaria apenas duas músicas com Otto. Mas empolgou-se tanto com a dobradinha que emendou uma canção atrás do outra. O público, que lotou o espaço e fez filas de dar voltas no quarteirão, adorou o que viu. O proprietário, Tarcísius Ribeiro, que há três anos e meio cuida do espaço, estava emocionado. "Isso aqui é um megashow de improviso. Só acontece num lugar maluco como este. É como um Movimento da Antropofagia nº 5", comparou.

Revirada
A MC Negra Lud elogiou a experiência da virada. "Foi a coisa mais importante que aconteceu na cidade nos últimos tempos. Ocupar BH com cultura é o melhor meio de sair às ruas." Mesmo não tendo sido selecionada para a programação oficial, que contou com cerca de 400 atrações, não quis ficar fora da festa. Organizou com outros artistas a Revirada Cultural, que ocupou o Viaduto Santa Tereza, do lado oposto em que ocorria a programação oficial. "Não fizemos para detonar, mas para mostrar que, independentemente dos governos, também fazemos cultura."

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), foi conferir de perto o evento promovido pela PBH por meio da Fundação Municipal de Cultura. "A Virada Cultural é uma conquista da capital. Ver a população nas ruas, nas praças, convivendo e curtindo é muito bom, pois humaniza a cidade. Este encontro é uma forma de sairmos da vida robotizada que o trabalho, o trânsito e os compromissos nos impõem", disse. "A gente que vive cheio de notícias ruins, devemos pegar este lado positivo para festejar", concluiu.

 

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"Estou achando um programa maravilhoso, sobretudo por estar ocupando os espaços públicos de forma gratuita e tudo em paz." (Marília Bandeira Peixoto, estudante de direito) (foto: Sergio Amzalak/Esp.EM/D.A Press)
Atrasos na manhã
Depois do agito da noite de sábado, a manhã de domingo da Virada Cultural começou sonolenta. O palco dedicado às artes cênicas, na Praça Afonso Arinos, ficou praticamente vazio para a apresentação do Teatro Negro e Atitude. Marcada para às 9h, a peça começou meia hora depois e, mesmo assim, com a maior parte das cadeiras vazias. Na Savassi, a apresentação do Grupo Giramundo também sofreu atrasos, por causa da sujeira do local. O lixo da noite anterior ficou amontoado no chão, já que as lixeiras não comportaram o movimento. As atrações previstas para a manhã de domingo só começaram depois que do trabalho do serviço de limpeza.

"Uma iniciativa assim estimula a população a ocupar os espaços públicos de maneira saudável. Espero que eventos como este continuem a rolar em BH." (Gusthavo Santana, estudante de letras)

"Belo Horizonte, que tem uma produção cultural tão intensa, se enriquece ainda mais com um acontecimento desse porte." (Luiz Hippert Soares, produtor Cultural)

 

"Estou mal informado sobre eventos. Fui ao show do Uakti e resolvi vir caminhando pela cidade. Estou deixando as atrações me levarem." (Felipe Gontijo, administrador)

* Colaborou Carolina Braga.

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