Vera Holtz usa intervalos de gravação para divulgar longas e movimentar as redes sociais

Personagem que criou conquistou a geração dos filhos dos seus amigos

por Mariana Peixoto 06/11/2016 10:00

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Renato Rocha Miranda/Divulgação
(foto: Renato Rocha Miranda/Divulgação)

São Paulo
– O tempo de Vera Holtz é o agora. “Para mim, não existe o ontem ou o amanhã, e sim o hoje. Só quero estar com saúde e inspirada pela vida para continuar.” E, no momento, não há como ela parar. Sua dedicação é total à vilã Magnólia, de A lei do amor. Mas ela se vira e consegue ir além.

Vera ficou muito grata por ter conseguido uns dias de liberação da Globo para ir a São Paulo (o que é um luxo, pois ela grava de segunda a sábado) durante a 40ª Mostra de Cinema para participar do lançamento do longa Maresia, de Marcos Guttman. Na narrativa, que discute autenticidade a partir da história de um especialista em arte que investiga a biografia de um pintor morto há 50 anos, Vera interpreta uma galerista.

É um papel pequeno, que não lhe exigiu muito, mas que ela tinha que fazer. Isso porque há pelo menos 20 anos participou de um curta de Guttman, Vicente. “E ele tem uma superstição de que tem que ter um ator do projeto anterior no novo”, conta ela. Vera pôde filmar Maresia porque havia terminado Saramandaia (2013) e ainda não havia começado a gravar O rebu (2014).

Ela tem conseguido trabalhar com esse método. Como o intervalo entre O rebu e A lei do amor foi maior, a atriz conseguiu participar de uma série de filmes, todos com previsão de lançamento para o ano que vem. E todos ainda com um ar de comédia, ainda que bem distintos.

São eles Malasartes e o duelo com a morte, de Paulo Morelli, narrativa inspirada na figura do malandro da cultura popular; TOC, transtornada, obsessiva, compulsiva, de Paulo Caruso e Teodoro Poppovoc, que tem Tatá Werneck como a doidinha do título; e Berenice procura, de Flávia Lacerda, sobre uma taxista que tenta desvendar o assassinato de um travesti.

IRMÃS Mas a menina dos olhos de Vera é outra produção. Ela se reuniu ao documentarista Evaldo Mocarzel para filmar As quatro irmãs, um híbrido de documentário e ficção. Em cena, a própria atriz e suas três irmãs falam sobre a vida e sobre a família no casarão em que nasceram, em Tatuí, interior de São Paulo.

“É um casarão de 1916 que meu avô construiu e que hoje é meu. Queria fazer uma homenagem a ele”, conta a atriz, no filme alçada também ao posto de produtora. Vera é a terceira das quatro irmãs. Enquanto duas permaneceram em Tatuí, ela deixou a cidade aos 23 anos rumo ao Rio de Janeiro. Hoje tem 64.

Esse projeto, vale dizer, está em processo de finalização. E Vera não tem pressa de lançá-lo. Aliás, por ora, ela tem que se dedicar à novela. “Eu me divirto muito fazendo novela, mas passo a ter uma vida monástica. Leio seis capítulos por semana, e uma hora (de novela) é um capítulo no ar. Imagine então quantos longas faço por semana?”, brinca ela.

Em A lei do amor a grande surpresa foi ser mulher de Tarcísio Meira, “aquela beleza”, como Vera diz. E a atriz tem se surpreendido com o retorno das ruas. “Como é uma novela meio nos moldes do folhetim tradicional, o público que gosta do estilo voltou a assistir. Gostam porque têm por quem torcer, essa história de bem e mal.”

Como Magnólia, a única coisa que teve que fazer para caracterizar a personagem foi tirar o branco total dos cabelos, dando uma tonalidade dourada. Não acharam que a vilã fosse mulher de segurar o tom de cabelo que a atriz tem há cinco anos. Quando foi filmar Família vende tudo (2011), de Alain Fresnot, o cineasta pediu a Vera que deixasse os cabelos brancos. Ela gostou e os carrega até hoje com muita personalidade.

Por causa da novela, Vera teve que deixar de lado a “Vera Viral”, sua personagem nas redes sociais (Facebook e Instagram). Em meados de 2015, estreou na web com fotos para lá de inusitadas. Rapidamente, viralizou. A última postagem foi de 23 de setembro. A próxima, ela não sabe quando será.

“Na internet, o público é outro mundo. São pessoas bem mais jovens, os filhos dos meus amigos atores. Nada é pré-estabelecido. Depende da inspiração e do tempo que tenho.” As fotos, sempre acompanhadas por uma legenda superinspirada, são realizadas por Renato, o arquiteto da atriz. “É tudo feito com iPhone. O que é legal é o olhar dele (Renato) comigo.” Só que o arquiteto se mudou para São Paulo, então Vera não sabe como será o futuro dessa parceria.

A repercussão da personagem nas redes sociais acabou lhe rendendo convites. Para publicidade, que ela não faz. “Gosto de preservar minha imagem como artista. Já fiz propaganda há muitos anos, hoje não mais. Tem muitos pedidos, até porque a publicidade está se reinventando por causa da internet. Eu, gentilmente, agradeço a todos.”

Também tem deixado o teatro, que já fez tanto, um pouco para escanteio. Para o futuro sonha com uma adaptação de Os velhos também querem viver, do escritor português Gonçalo M. Tavares. Já comprou os direitos da história.

“Acho que minha carreira é meio cíclica. Fiz teatro muito tempo, chegou a hora em que fui fazer TV. De um ano para cá, estou fazendo mais cinema. Agora, se você juntar com o trabalho mais autoral, da Vera Viral, vê que estou indo mais para este ciclo.” Ela tem consciência de que, parar fazer seus próprios trabalhos, vai ter que aprender a dizer alguns nãos, principalmente para a TV.

A repórter viajou a convite da Mostra de São Paulo

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