Game of thrones inicia hoje as novas emoções no escuro

Aficcionados pela série, que tem milhares de fãs em todo o mundo, devem preparar o coração para a quinta temporada; roteiro não foi divulgado

por Mariana Peixoto 12/04/2015 06:00

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 HBO/Divulgação
A rainha Cersei Lannister (Lena Headay) e o integrante da Guarda Real Meryn Trant (Ian Beattie): os apaixonados terão surpresas da trama a cada episódio (foto: HBO/Divulgação)


Ninguém está a salvo em Westeros. Mas alguém sempre morre, não? Porém nunca, pelo menos até agora, uma morte ocorreu à revelia de seu autor. Prepare-se: começa nesta noite, na HBO, a quinta temporada de Game of thrones (GoT). De hoje a 21 de junho, a série de TV mais assistida do mundo, por meios lícitos e ilícitos, vai dominar o noticiário pop. Durante as próximas 10 semanas, os Sete Reinos serão o centro do mundo. Goste ou não.


Foi com muita surpresa que uma cerimônia de premiação pouco badalada recebeu a visita de George R.R. Martin. Em fevereiro, em meio à temporada de prêmios que assola Los Angeles, o autor de As crônicas de gelo e fogo compareceu com tudo o que lhe é de direito – 66 anos, um peso bem acima do ideal e uma barba branca que já lhe rendeu comparações a Papai Noel – à cerimônia do Writers Guild West Awards.

À plateia pouco interessou saber os escritores premiados da noite. A única coisa que se falou foi sobre a declaração de Martin: “Pessoas que não morrem nos livros morrerão (na série). David e D.B. (David Benioff e D. B. Weiss, cocriadores da produção) são ainda mais sangrentos do que eu”.

Até a quarta temporada, os vorazes leitores da saga de Martin – que já escreveu cinco dos prometidos sete volumes – sabiam tudo o que ocorreria. Ainda que um bom quinhão dos milhões de telespectadores passe longe dos calhamaços de 700 páginas para saber sobre a trama, bastava perguntar ao leitor mais próximo. Com a mudança no roteiro, todos estão no escuro.

O que é um atrativo a mais para uma produção que se tornou a maior audiência nos 42 anos da HBO. Só que o sucesso trouxe uma dor de cabeça. GoT é também, há três anos, a série mais pirateada do mundo – em 2014, foram 8,1 milhões de downloads ilegais.

Espertamente, a emissora usou novas armas para tentar aumentar seu número de assinantes. Desde a segunda temporada, a produção estreia no Brasil simultaneamente com os EUA (e vários outros países). Neste fim de semana, os canais HBO estão com sinal aberto para não assinantes. E o episódio deste domingo, “The wars to come”, será apresentado às 22h tanto na HBO quanto no Cinemax, que é oferecido pelas operadoras em planos básicos.

Diversas cenas do episódio de estreia vêm sendo liberadas desde o início do ano. Em 18 de março, o primeiro capítulo foi exibido integralmente num telão montado na Torre de Londres – a fortificação no Centro da capital inglesa, construída no século 11 e transformada em local de execução e tortura, atualmente guardando as joias da Coroa. Martin já admitiu que se inspirou nas lutas dinásticas no século 15 pelo trono da Inglaterra, durante os reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III.

PODER Um dos ganchos deste início de temporada – o roteiro foi construído com material dos volumes quatro e cinco da saga, O festim dos corvos e A dança dos dragões – será o vazio do poder. Os principais personagens vão, cada um a sua maneira, lutar para se restabelecer depois do banho de sangue que ocorreu na temporada anterior.

Jon Snow (Kit Harington) vai tentar conciliar as exigências da Patrulha da Noite com as do recém-chegado Stannis Baratheon (Stephen Dillane), que se considera o legítimo rei de Westeros. Um dos novos personagens da trama é High Sparrow, Alto Pardal em português (vivido por Jonathan Pryce), que lidera a Fé dos Sete, grupo religioso que vai trazer dor de cabeça a Cersei Lannister (Lena Headay), agora lutando por sua primazia em Porto Real.

Do outro lado do Narrow Sea, Arya Stark (Maisie Williams) começa a treinar para se tornar uma assassina profissional e o fugitivo Tyrion Lannister (Peter Dinklage) busca uma nova causa em que se apoiar. E Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) tem que fazer novos sacrifícios para continuar controlando a cidade de Meereen.

Cheia de idas e vindas, personagens que vêm e vão ao sabor dos ventos, a trama de GoT é, a despeito de dragões, homens de gelo e mortos-vivos, uma bem- urdida narrativa sobre a eterna luta pelo poder. Recheada de sexo, intrigas e assassinatos. Complicado? Só para quem está chegando agora.

Três perguntas para...

Bráulio Tavares

Escritor, poeta, compositor e pesquisador de literatura fantástica e ficção científica

Há muitos que consideram Game of Thrones um “Senhor dos anéis para adultos”. O gênero fantasia ainda é considerado um gênero para adolescentes, algo menor?

O senhor dos anéis é um livro mais para adultos do que para crianças como tinha sido O hobbit, embora o encanto e o poder mítico das suas imagens e narrativas interessassem igualmente à garotada mais jovem. Tolkien recebeu críticas, quando lançou sua trilogia, de que seu universo era muito heroico e grandioso, mas faltava um pouco de malícia contemporânea. O que é meio injusto, porque o mundo de Tolkien é só dele. Game of thrones é menos baseado em mitos e épicos, é contemporâneo. Está mais próximo das intrigas palacianas dos antigos folhetins, ou da pulp fiction de todo tipo.

A que credita o sucesso da série, tanto em livro quanto na TV?
Tem várias coisas. Martin, para mim, é um autor de ficção científica que a certa altura criou uma série de fantasia de sucesso. Isso já ocorreu com Michael Moorcock, Fritz Leiber, entre outros. Martin é um bom desenhador de personagens, mas eu só li os livros depois de ver a série, então minha leitura já está contaminada pelo elenco, os cenários etc. As tramas dele são bem urdidas, o melodrama é intenso quando cabe, tem também umas passagens engraçadas. A violência é grande, mas isso é por toda parte.

O boom acarretado por Game of thrones viu crescer o número de autores de fantasia. Há alguns nomes que você destaca?
Como gênero literário, a fantasia sempre teve peso. Se não me engano, antes de Martin aqui no Brasil já tinham sido traduzidos Robert Jordan, Tolkien, Robert Howard e outros. Admiro a fantasia heroica, mas meu temperamento me inclina para fantasias contemporâneas, urbanas, como Tim Powers ou Jonathan Carroll. Mas sempre acho interessantes os autores capazes de fazer obras marcantes tanto na fantasia heroica quanto na ficção científica.

A quinta temporada

10 episódios
240 dias de produção
166 atores
151 sets (Croácia, Espanha e Irlanda do Norte)
1 mil profissionais na produção
5 mil figurantes

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