BH Vogue Fever traz estrelas internacionais à capital mineira

Coreógrafo da Rihanna, Dashaun Wesley, e a fundadora da cena na França, Lasseindra Ninja, dão workshop e participam da festa Zodiac Ball

por Estado de Minas 18/11/2016 08:00
Gabriel Zaidan/divulgação
Trio Lipstick com dançarino americano Archie Burnett (foto: Gabriel Zaidan/divulgação)

Nos primeiros versos da música Vogue, Madonna repete: “Faça uma pose”. A canção, lançada em 1990, foi inspirada em um estilo de dança que surgiu nos anos 1980 nas comunidades LGBT de Nova York. As três palavras, hoje ícones da cultura pop, vão marcar o ritmo da segunda edição do BH Vogue Fever. Com aulas e duelos de dança, o evento será encerrado amanhã.

Os movimentos são inspirados nas poses de modelos de revistas de moda. O significado, no entanto, vai além disso: nascida nos guetos, a cultura vogue remete à liberdade de expressão e à inclusão das minorias, dialogando intimamente com o empoderamento feminino e a luta contra a homofobia.

Não foi à toa que Belo Horizonte se tornou palco dessa cultura. Aliás, a cidade carrega a alcunha de “Capital do Vogue” na América Latina. “Dois fatores nos levaram a reivindicar o título”, explica Pedro Nogueira, do blog BH is Voguing. “Primeiro, as batalhas regulares na festa Dengue. Depois, a organização do primeiro festival internacional, atraindo participantes de vários estados tanto para as aulas quanto para a batalha”.

 

Conheça o Vogue, dança de empoderamento que arrebata adeptos em BH

 

O BH Vogue Fever nasceu da iniciativa do Trio Lipstick – grupo especializado em performances de danças urbanas formado por Maria Tereza Moreira, Paula Zaidan e Raquel Parreira – de trazer para a cidade o dançarino nova-iorquino Archie Burnett, com 30 anos de experiência. Agora, a proposta se ampliou: Burnett divide workshops com dois importantes nomes da cena, os dançarinos e professores Dashaun Wesley, que mora na Califórnia, e Lasseindra Ninja, criador da cena parisiense.

PRECONCEITO


Archie renova o status político da dança. Questionado sobre o papel social do vogue, reitera a importância dessa cultura para a aceitação. “Discriminação, sexismo, racismo, tudo isso existe aqui. No entanto, com essa dança simples, que veio dos marginalizados, podemos fazer mudanças. E Belo Horizonte é um lugar, como qualquer outro no Brasil, que precisa desse tipo de renovação”, comenta.

Marcos Barreiros, vencedor do último duelo de vogue em BH, destaca o papel da dança para a desconstrução de padrões de gênero. “Vogue engrandece as pessoas. Ele quer mostrar que a gente está aqui. Mostra que posso ser um gay afeminado e posso ser visto”, explica. Ele vai duelar durante a festa Zodiac Ball, o evento mais importante do festival, que será realizada amanhã, no Tambor Mineiro.


 



2º BH VOGUE FEVER

 Hoje

15h – Workshop com Lasseindra Ninja
17h – Workshop com Dashaun Wesley

Amanhã

9h30 – Workshop com Archie Burnett
11h30 – Workshop com Lasseindra Ninja
. Academia A2. Rua Guaicuí, 660, Luxemburgo. Ingressos: de R$ 200 a R$ 370
22h – Festa Zodiac Ball, com duelo de vogue
. Espaço Cultural Tambor Mineiro. Rua Ituiutaba, 339, Prado. Ingressos: R$ 30

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