'Exposição Farnese de Andrade - Arqueologia existencial' relembra a trajetória do artista mineiro

Com curadoria de Marcos de Lontra Costa, mostra será aberta amanhã, dia 8, na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, no Palácio das Artes, em BH

por Ana Clara Brant 07/04/2016 10:50

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FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO/DIVULGAÇÃO
(foto: FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO/DIVULGAÇÃO)
'Se um psicanalista vier, ele vai deitar e rolar. Se um antropólogo vier, ele vai deitar e rolar. Se a sua tia do interior vier, ela também vai ter a mesma sensação. Mas cada um à sua maneira e provavelmente com o mesmo olhar de estranhamento.'

A declaração é do curador Marcus de Lontra Costa sobre a exposição Farnese de Andrade – Arqueologia existencial, que relembra a trajetória de um dos mais expressivos artistas mineiros e será aberta amanhã na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, no Palácio das Artes.

Depois de passar por São Paulo e Brasília, em formato reduzido, a mostra chega a Belo Horizonte completa – com 95 objetos, produzidos entre as décadas de 1970 e 1990, que evidenciam quatro instâncias da vida de Farnese: a religião, a sexualidade, a razão e a loucura.

“E todas elas despertam ao mesmo tempo o sentimento de libertação e aprisionamento. Farnese de Andrade tinha essa coisa da dualidade e foi o artista responsável por trazer o lado surreal e obscuro para o cenário da arte brasileira”, diz Lontra Costa.

Reconhecido pelo uso inventivo de objetos e assemblagens – colagem ou composição artística feita com materiais ou objetos diversos –, o artista, nascido em Araguari, no Triângulo Mineiro, em 1926, utilizava cores fortes e formas irregulares. Por isso, suas criações são tão abstratas e feitas a partir de objetos envelhecidos e rudimentares, como restos de madeira e pedaços de santos, feitos de gesso e plástico, cabeças e corpos de bonecas corroídos pelo mar, além de velhos retratos de família e postais.

“Farnese costumava catar os mais variados tipos de quinquilharias em antiquários, ferros-velhos, depósitos e até nas praias. Ele dava outra configuração a esses objetos e os transformava em arte”, diz o curador.

Marcus Lontra Costa cita relação ambígua de Farnese com a mãe, presente em seu trabalho. “Ele tinha uma frase sarcástica que resumia bem esse relacionamento materno: ‘Mãe é o pior negócio do mundo. Você ocupa o imóvel durante nove meses e passa a vida pagando’.”

Considerado uma das principais referências de grandes nomes das artes plásticas do Brasil como Tunga, Adriana Varejão, Cildo Meireles e Leonilson, Farnese de Andrade chegou a ser aluno de Guignard, em Belo Horizonte, até que se mudou em 1948 para o Rio de Janeiro, onde ficou até sua morte, em 1996. “Ao mesmo tempo em que sua obra tem aquela coisa reclusa do mineiro, também carrega a eloquência do Rio de Janeiro”, pontua Marcus de Lontra Costa.

Farnese de Andrade – Arqueologia Existencial

Abertura a partir de amanhã, na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Em cartaz até 3 de julho, de terça a sábado, das 9h30 às 21h. Classificação livre. Informações: (31) 3236-7400

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