Linguagem do palhaço é usada para reflexão sobre cotidiano feminino

Peça 'Xuleta mon amour', com direção de Vera Abbud, começa hoje temporada por centros culturais e teatro de Belo Horizonte

por Shirley Pacelli 03/03/2016 08:42

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Castagnello/Divulgação
A palhaça Gyuliana Duarte durante solo da peça 'Xuleta mon amour' (foto: Castagnello/Divulgação)
“Um espelho em que o homem se reflete de maneira grotesca, deformada, e vê a sua imagem torpe. É a sombra.” À definição de palhaço do cineasta italiano Federico Fellini, a atriz Gyuliana Duarte acrescentaria: “Um eu que a gente não quer aceitar”. E é para levar à tona as inquietações do universo feminino que Gyuliana coloca o nariz vermelho e interpreta o solo de Xuleta mon amour.

O espetáculo, com direção de Vera Abbud (Doutores da Alegria), será apresentado gratuitamente hoje no Centro Cultural Venda Nova. Depois, a peça passa por outros dois espaços culturais (Pampulha e Casa do Beco), antes de uma temporada no Sesc Palladium com preços populares.

Gyuliana é uma das fundadoras do Instituto Hahaha, que faz intervenções artísticas para crianças em tratamento nos hospitais de BH. A necessidade de levar Xuleta para o palco foi o ponto de partida da peça. Em cena, estão questionamentos que afligem as mulheres, como o padrão de beleza e a visão romântica da maternidade. “Tem muito da minha história desenhada de outra forma pela minha palhaça”, conta a atriz.

Em células cênicas, Xuleta alterna críticas sutis com interpretações mais profundas, da risada gostosa às gargalhadas grotescas. “Para se sentir bem, tem que estar com o corpo bonito, malhar? Tive gravidez gemelar: sou pequenininha e nasceram duas crianças enormes. Passei por uma transformação”, considera Gyuliana. O medo da solidão, o clichê da busca pela metade da laranja e do sagrado feminino também são elementos da narrativa.

O improviso – tão presente nos encontros da atriz com crianças – é também a essência da encenação. “Tem muita interação. É um jogo”, explica. As espectadoras são convidadas a compartilhar suas próprias histórias de amor com a plateia. “Que mulher nunca terminou um namoro e achou que fosse o fim do mundo?”, questiona.

DESCENTRALIZAÇÃO Além de conferir o espetáculo, o público poderá se inscrever para oficinas gratuitas oferecidas nos centros culturais. A ideia é que o participante descubra características do mundo do palhaço para serem usadas no dia a dia. “Pode ser desenvolver um lado mais cômico ou se soltar mais. Os objetivos são variados”, esclarece Gyuliana.


Instituto Hahaha
É uma organização não governamental, sem fins lucrativos, criada em BH a partir do projeto Doutores da Alegria. Atende a cinco instituições (Santa Casa, hospitais da Baleia, das Clínicas, João Paulo II e João XXIII) por meio do trabalho de 14 palhaços. O projeto é financiado por leis de incentivo à cultura e doações.


XULETA MON AMOUR
. Hoje – Às 20h, no Centro Cultural Venda Nova. Rua José Ferreira Lopes, 184, Venda Nova,
(31) 3277-5533. Entrada franca.
. Sábado – Oficina às 9h e espetáculo às 20h. Centro Cultural da Pampulha. Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185, Pampulha, (31) 3277-9293. Entrada franca.
. Dia 11/3 – Às 20h, na Casa do Beco. Av. Artur Bernardes, 3.876, Barragem Santa Lúcia,
(31) 3297-1455. Entrada franca.
. Dias 25 a 27/3 – Sexta, às 20h; sábado, às 17h e às 20h; e domingo, às 19h. Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3214-5375. R$ 10 (inteira).

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