Leda Catunda apresenta novos projetos em Belo Horizonte

Exposição mostra Projeto night club, série de oito gravuras realizadas em Londres, além de três novos trabalhos. Artista superpõe cores e símbolos para ressignificá-los

por Pablo Pires Fernandes 24/09/2015 08:00

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Galeria Celma Albuquerque/divulgação
Knots foi realizada em 2014 (foto: Galeria Celma Albuquerque/divulgação)
“Nunca fiz uma exposição tão de menina”, diz a artista Leda Catunda diante de suas obras, instantes depois de as gravuras serem pregadas na parede da galeria. A frase, embora seja resposta pertinente a uma provocação, é bem menor do que o alcance de seu trabalho, que permite múltiplas leituras. Em suas criações, Leda lida com formas orgânicas e explora variações de temas pelos quais, ela assume, é obcecada. A menina, no caso, é referência à feminilidade contida em seus trabalhos, uma associação aos traços orgânicos e circulares que a artista nomeia de “poética da maciez”.

Leda Catunda: Projeto night club é o nome da exposição da artista que está em cartaz na Celma Albuquerque Galeria de Arte. O título remete à série de oito gravuras realizadas em Londres, em 2012, a convite da Paragon Press, grupo de impressores de arte contemporânea. É a primeira vez que todo o conjunto é exposto no Brasil. Professora de gravura, Leda explorou duas técnicas superpostas: a gravura em metal e a xilogravura. “Gravura é síntese, é um processo de escolhas”, explica, acrescentando que, normalmente, seu trabalho parte de esboços em aquarelas, mas o processo se completa com a impressão.

As oito obras estão montadas no mezanino da galeria sobre um papel de parede estampado – também à venda – com formas também orgânicas, feitas em traços de várias cores. Além da série Night club, a artista apresenta três pinturas-objeto, em que mescla diferentes recursos técnicos. São tecidos tingidos, com impressões e intervenções coloridas. O uso de referências simbólicas nas estampas – números de camisetas de futebol, uma academia de jiu-jítsu, o nome de um restaurante e da banda de rap Racionais MCs – lida com representações de grupos e o que chama de “o gosto dos outros”. Ela quis dialogar com as maneiras com as quais as pessoas buscam criar identidades e noções de pertencimento, ao mesmo tempo em que são recontextualizadas para ganhar sua própria autonomia e, claro, sua assinatura como artista.

Com vasto repertório de técnicas, a apropriação de motivos passa por uma desconstrução e é incorporada aos temas orgânicos recorrentes de sua obra. Assim, imagens do Rio Antigo, de Debret, ou dos catecismos de Carlos Zéfiro são inseridas nas formas circulares de nós, anêmonas, gotas e círculos, num movimento de autofagia simbólica. As cores também passam por processo semelhante, recebendo camadas de tinta e explorando ao extremo a superposição, a transparência e as fendas. Os trabalhos de Leda Catunda formam um conjunto coerente, estendem a matriz da pop art de apropriação simbólica para ganhar, afetiva e organicamente, cores e formas autorais.

LEDA CATUNDA
Mostra Projeto night club. Celma Albuquerque Galeria de Arte, Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi, (31) 3227 6494. De segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e sábado, das 9h30 às 13h. Até 24 de outubro.

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