Museu de Artes e Ofícios completa 10 anos de dedicação ao trabalhador

Dedicado ao trabalhador brasileiro, o Museu de Artes e Ofícios completa 10 anos com portas abertas a todas as classes sociais. Acervo cativa o público por despertar lembranças de família

por Walter Sebastião 09/08/2015 10:48

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Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Jovens de BH e Nova Lima têm aula de restauração no Museu de Artes e Ofícios, em BH (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Há uma década, nascia algo surpreendente em plena Praça da Estação: o Museu de Artes e Ofícios (MAO). Foi instalado num prédio ícone da história de BH, que ganhou ares futuristas. Através de suas paredes de vidro, pode-se ver o metrô em movimento, praticamente cruzando o espaço museológico. O singular acervo é formado por uma coleção de instrumentos de trabalho que tocam fundo a memória do visitante. Cerca de 1 milhão de pessoas já passaram por lá, calcula Ângela Gutierrez, criadora da instituição, orgulhosa em receber crianças, jovens e adultos de todas as classes sociais.

“A grande alegria destes 10 anos é ver que conseguimos implantar um museu aberto ao grande público, numa grande praça, com acervo que emociona e faz pensar”, comemora Ângela. “O futuro do MAO é a continuidade da luta para mostrar o quanto o povo brasileiro teve de ser criativo para sobreviver. O nosso povo suou muito, teve de dar duro para construir o Brasil. Hoje, temos redes de padarias, delicatessens e supermercados maravilhosos. Mas está aqui no MAO o carinho que o ambulante usava nos primórdios para vender pão e leite nas ruas, levando o filho junto. Somos o único museu do Brasil que fala dessas coisas e defende o reconhecimento delas como uma necessidade”, explica.

O Museu de Artes e Ofícios é uma instituição didática. “Ele ensina, mostra o Brasil do povo, dos que trabalham. Isso precisa ser valorizado”, diz Ângela, observando que o MAO é a mais completa e a mais complexa das casas que ajudou a implantar. “Não foi fácil criar esse imenso espaço no coração de uma das maiores capitais do Brasil, onde diariamente transitam milhares de pessoas”, recorda. Até então, o comum eram instituições pequenas, mais fechadas e ligadas a temas da arte.

Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Acervo valoriza ofícios brasileiros, como o do condutor de carro de boi (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Depois de sua inauguração, que teve enorme repercussão no país, o MAO cuidou de expandir as atividades. Atualmente, oferece exposições, oficinas de conservação e projetos ligados à música e à literatura. Tudo isso aprofundando uma diretriz: o diálogo com a educação, explica Paulo de Tarso Barbosa Passos, diretor da instituição há nove anos. “Inclusive, esse foi o motivo do aumento da visitação”, observa. Atualmente, a casa recebe cerca de 180 mil pessoas anualmente. “É um trabalho de formação de público”, reforça Paulo.

“O impacto do Museu de Artes e Ofícios sobre as pessoas vem do sentimento de pertencimento que o nosso acervo desperta. Não é rara a identificação com peças que o próprio visitante, seus pais ou avós usaram. Isso traz memórias e muitas emoções, especialmente para os idosos”, diz Paulo de Tarso. Várias reações de surpresa e entusiasmo ficaram registradas no livro de presenças, na porta do MAO.

Museu para Servas
Depois de implantar os museus do Oratório (em Ouro Preto), de Sant’Ana (em Tiradentes) e de Artes e Ofícios (em BH), o Instituto Flávio Gutierrez (IFG) está às voltas com a criação, na Igreja do Rosário, em Mariana, do museu dedicado a Francisco Vieira Servas (1720-1811). O projeto é uma parceria entre o IFG, o restaurador Adriano Ramos, a diocese, a prefeitura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O português Servas foi um dos mais importantes escultores em atividade na Minas colonial, mas seu trabalho é pouco conhecido. Suas obras se espalham por Catas Altas, Mariana, Caeté, Nova Era, Ouro Branco e Sabará.

O restaurador Adriano Ramos, autor de um livro sobre o artista, diz que ele foi importante no processo que resultou na criação de “novos templos” na região aurífera. “Ao lado de um seleto grupo de artistas da segunda metade do século 18, incluindo-se Aleijadinho, Servas foi um dos grandes responsáveis pela construção da arte com características bastante peculiares e de extrema originalidade que viria a ser denominada de barroco mineiro por estudiosos”, informa o especialista.

Escola de arte
Um projeto do MAO acalentado com carinho se chama Valor Social. Trata-se de um curso que ensina técnicas de conservação e restauração para jovens de Belo Horizonte e Nova Lima.

Entre os programas desenvolvidos lá, estão Momento do Educador, Ampliando Horizontes e Aula de Museu. Os dois primeiros, dirigidos a professores, são voltados para a definição de horários, conteúdos e abordagens. O terceiro cuida de preparar a visita ao MAO antecipadamente, nas próprias escolas. Acrescente-se a criação de trilhas, caminhos para visitação do acervo que conduzem por temas específicos do universo laboral – energia, mineração, mulheres e ofícios e afro-brasilidade, por exemplo. Monitores são treinados para guiar cegos e surdos-mudos, com infraestrutura destinada a esse público, o que inclui maquetes e peças para serem tocadas.

Outro programa leva músicos e escritores ao MAO, sempre às terças-feiras, para conversar com o público. A expansão dos horários de funcionamento às quartas e quintas-feiras até as 21h se destina a grupos de ensino de jovens e adultos e aos trabalhadores.

Outra ação do Instituto Flávio Gutierrez envolve a revitalização e a modernização do Museu do Diamante, em Diamantina (MG). “Ele merece muito carinho, até pela luta de anos de uma guerreira: Lilian Aparecida Oliveira”, elogia Ângela Gutierrez, referindo-se à diretora do espaço.

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