Artistas protagonizam espetáculos que discutem questões de gênero na sociedade

Bailarina e atriz procuram questionar tabus e preconceitos camuflados em comportamentos cotidianos

por Carolina Braga 07/05/2015 10:00

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Guto Muniz/DIVULGAÇÃO
A atriz Kelly Crifer, no solo 'Ensaio para Senhora Azul', que estreia hoje (foto: Guto Muniz/DIVULGAÇÃO)
“Está havendo uma urgência desse tema”, afirma a bailarina e atriz Rosa Antuña. Hoje, ela estreia no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil o solo 'A mulher que cuspiu a maçã', epílogo do que ela batizou de Trilogia do Feminino. No mesmo dia, porém, no Esqyna Espaço Coletivo Teatral, no Bairro Sagrada Família, a atriz Kelly Crifer, integrante do grupo Teatro Invertido, se lança à experiência solo com 'Ensaio para Senhora Azul'. Os tensionamentos do feminino ainda são protagonistas de 'Rosa Choque', em cartaz no Galpão Cine Horto.

“Sinto que o machismo é tão intrínseco na gente que nós o aceitamos sem saber. Quando se vê um preconceito contra um negro, por exemplo, é muito explícito. Está claro que está ocorrendo um preconceito. Contra a mulher, as pessoas nem percebem, às vezes nem a própria”, observa Antuña. Embora esse não seja o principal mote de 'A mulher que cuspiu a maçã', a discussão encontra ecos no solo e na atual safra de criações em artes cênicas.

O trabalho é fruto de uma residência artística feita com a diretora italiana Roberta Carreri, no Odin Teatret, na Dinamarca. Rosa Antuña se aproximava das questões de gênero nos solos 'Mulher selvagem' (2010) e 'O vestido' (2013). A nova peça verticaliza a pesquisa em múltiplos sentidos, tanto na temática como também na estética. A obra tem 45 minutos de duração e uma trilha sonora que vai da nouvelle vague a massive attack, passando por divas do Blues como Dinah Washington e Big Mama Thornton.

“Dos três (títulos da trilogia), acho este o mais difícil. Ele começa bonito, com dança, e isso vai sendo desconstruído e caminhando para o campo da performance, que era o que eu queria”, conta. 'A mulher que cuspiu a maçã' se inspira no livro 'A cama na varanda', de Regina Navarro Lins. Antuña leva para a cena discussões sobre os padrões opressivos da sociedade contra a mulher ao longo da história da humanidade.

A artista defende o fim do preconceito e também a desmitificação da mulher. “Desde que nos contaram que Eva mordeu a maçã existem essas questões. O sexo virou um tabu muito forte e é até hoje.” Para ela, tanto o livro como a peça tentam chamar a atenção para o fato de que padrões retrógrados não precisam mais ser repetidos.

SENHORA AZUL Os limites entre a lucidez e a loucura são explorados em 'Ensaio para Senhora Azul', monólogo de Kelly Crifer com direção de Robson Vieira. “Ela fala de alguns preconceitos dentro do feminino, de como é difícil ser mulher nesse mundo, mas não fechamos nisso. São coisas da natureza humana pelo olhar de uma mulher”, explica a atriz.

Textos de Grace Passô e Viviane Ferreira foram levados para a sala de ensaio e, a partir de improvisações, Assis Benevenuto construiu a dramaturgia. Foram um ano de pesquisa e muitos ensaios abertos até que a peça tomasse corpo. 'Ensaio para Senhora Azul' trabalha com metáforas. “Senhora Azul é como se fosse a vida. A gente ensaia nosso comportamento, um novo plano, um novo existir. É uma metáfora para o espectador também.”

A mulher que cuspiu a maçã com Rosa Antuña
De quinta a domingo, 20h. Centro Cultural Banco do Brasil. Praça da Liberdade. R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Ensaio para Senhora Azul
De quinta a sábado, 20h; domingo, 19h. Até dia 17. No dia 16, a apresentação será às 18h. Teatro Esqyna. Rua Célia de Souza, 571, Bairro Sagrada Família, (31) 8647-6627. R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

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