Fotógrafo explora encantos da Mantiqueira, ''a serra que chora''

Ao entrar na mata, Ricardo Martins entendeu o nome dado por indígenas à formação que separa Rio de Janeiro, Minas e São Paulo

por Ailton Magioli 21/04/2015 00:13

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Ricardo Martins/Reprodução
(foto: Ricardo Martins/Reprodução )
Com o nome na cabeça, que em tupi significa “a serra que chora”, o paulista Ricardo Martins, de 35 anos, iniciou a viagem de cinco dias pela cadeia de montanhas que se estende pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, da qual resultaria o seu sexto livro. De repente, descreve nas primeiras páginas da publicação, “como uma revelação e aprovação”, ele se deparou com a cortina de chuva que banhava a região, reforçando o batismo daquela que se tornou conhecida como Serra da Mantiqueira.

 

Veja fotos do livro de Ricardo Martins


Em lançamento da Editora Kongo, 'Amantikir, a serra que chora' foi viabilizado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAc) e reúne imagens (coloridas e P&B) e textos do próprio autor, que, desde a infância, em São José dos Campos (SP), mantém relação intensa com a serra, que consegue ver de longe do próprio escritório.

A aventura

Apesar do deslumbre com a cadeia de montanhas, o fotógrafo ainda não havia entrado na Serra da Mantiqueira, como fez agora. A bordo de um utilitário com tração 4 x 4, com cerca de 40kg em equipamentos, ele visitou cerca de 15 cidades paulistas, uma mineira (São Francisco) e nenhuma fluminense, deixando para um próximo projeto o restante da Mantiqueira, que ocupa 60% de terras de Minas, 30% de São Paulo e 10% do estado do Rio.

Ricardo Martins/Reprodução
(foto: Ricardo Martins/Reprodução )
Em São Bento de Sapucaí (MG), na divisa com São Paulo, Ricardo Martins se deparou com um dos personagens mais marcantes do livro que está lançando: Taioba, um dos últimos tropeiros da Mantiqueira, que não por acaso estampa uma das principais fotos da publicação, em companhia de seu burrinho.

Cachoeiras (que justificam o batismo de “a serra que chora”), cadeia de montanhas, araucárias, nuvens, matas, bando de andorinhas, búfalos, cavalos, pedras, uma locomotiva e até um ônibus surgem na paisagem fotografada por Ricardo.

Ele diz ter-se deslumbrado, principalmente, diante da coloração e transparência da água, produto da reserva de bauxita presente nas montanhas, e da noite em que, além das estrelas, teve oportunidade de ver algumas nebulosas.

Este foi o primeiro livro que Ricardo Martins fez sem a colaboração de um assistente. “Já na serra, acabei chamando um amigo para me ajudar”, diz, justificando a iniciativa diante do número de equipamentos: duas câmeras 5D, lentes 100/400 (teleobjetiva), 17/40 (grande angular) e outra de macrofoto (100mm), além de dois flashes de 580 e 430.

Acessórios fundamentais, como um tripé, também estavam na mochila do fotógrafo, que fez o livro quase todo com uma lente grande angular, que ainda levou uma mala, com roupas camufladas, e uma mochila com computador e HD para descarregar os arquivos.
Ricardo Martins/Reprodução
(foto: Ricardo Martins/Reprodução )
Experiência

Detentor de um Prêmio Jabuti pelo livro 'A riqueza de um vale', de 2012, no qual retrata o Vale do Paraíba, Ricardo Martins é um amante da fotografia na natureza, tendo lançado ainda 'O encanto das aves', 'Jalapão – História e cultura', 'O mosaico' e 'Mini-enciclopédia da fauna no Estado de São Paulo', este último voltado para o público infantojuvenil.


Entre os novos projetos do fotógrafo estão 'O mar de Xaraiés', dedicado ao Pantanal, cujo projeto já foi aprovado pela Lei Rouanet, e 'Soldado da borracha – Amazônia contemporânea', que vai abordar os sobreviventes da 2ª Guerra, além da continuação da minienciclopédia para crianças, agora dedicada às aves.

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