Salão do Livro de Paris presta homenagem ao Brasil

Literatura nacional é tema central de um dos maiores eventos do gênero na Europa

por AFP 04/03/2015 19:21

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AFP PHOTO / MARTIN BUREAU
País sucede Argentina, que teve escritores homenageados pelo evento em 2014 (foto: AFP PHOTO / MARTIN BUREAU)
Dos best-seller mundiais de Paulo Coelho ao cru universo de Rodrigo Ciríaco, o Salão do Livro de Paris prestará homenagem neste mês à enorme diversidade da literatura brasileiral, representada por 48 autores convidados. "É um salão único no mundo, porque oferece a proposta mais eclética e mais ampla de livros", afirmou o comissário geral do Salão, Bernard Morisset, ao apresentar à imprensa o evento que será aberto ao público de 20 a 23 de março.

Cerca de 200.000 visitantes são esperados na Porta de Versalles (sudoeste de Paris), onde 1.200 expositores e 30.000 profissionais da edição organizarão mais de 400 encontros e 4.700 sessões de autógrafos de livros de todos os gêneros por seus autores. Haverá distintos eixos temáticos como a literatura jovem, culinária, viagens e aventuras, artes e direitos humanos.

Em 2014 foi a Argentina e neste ano o convidado de honra é o Brasil. Cerca de 50 autores representam segundo os organizadores "a riqueza da produção intelectual contemporânea do país". É a segunda vez que o Brasil é convidado de honra, fato sem precedentes na história do salão parisiense, após uma primeira participação em 1998. Para a ocasião, está sendo preparado um pavilhão de 500 metros quadrados muito colorido. "Desta vez, os brasileiros querem colocar ênfase na presença de profissionais", afirmou Morisset.

Problemas com a Argentina
No ano passado, a homenagem à literatura argentina havia levantado uma controvérsia porque vários autores ausentes denunciaram em Buenos Aires que a lista oficial de convidados estava integrada principalmente por "escritores K", simpatizantes do governo peronista da presidente Cristina Kirchner. Os atritos continuaram inclusive quando terminou o evento, já que segundo os organizadores franceses levaram meses para conseguir cobrar uma conta de 400.000 euros, cujo pagamento correspondia à Argentina.

"Ficou uma parte a pagar a cargo do Estado argentino, demoraram para pagá-la mas agora tudo ficou resolvido", esclareceu Morisset. De acordo com o governo brasileiro, os custos da participação do Brasil serão divididos e segundo Morisset "esta divisão garante listas mais abertas". E mais equilibradas, por exemplo, em termos de participação masculina e feminina, ou de escritores jovens e veteranos.

"Será um grande evento qualitativo, queremos evitar cair na contagem de presentes e ausentes", insistiu. A mostra da diversidade literária brasileira abarcará desde as populares reflexões de Coelho ao realismo sem máscaras de Rodrigo Ciríaco, autor de "Te pego lá fora" sobre as escolas da periferia de São Paulo, passando por um chefe indígena da Amazônia, Almir Narayamoga, que apresentará suas propostas para "Salvar o Planeta".

Ana Maria Machado (ficcção e juventude), Bernardo Carvalho (ficção, teatro), Adriana Lisboa (ficção), Patricia Melo (policial) e Nelida Piñon (ficção) também fazem parte da lista de convidados, que inclui autores de história em quadrinhos como Daniuel Galera, S. Lobo, Fábio Moon e Marcello Quintanilha.

O salão, sob estritas medidas de segurança já que após os atentados de janeiro Paris segue sob um alerta máximo antiterrorista, será inaugurado em 19 de março pelo primeiro-ministro Manuel Valls e se espera que o presidente François Hollande faça uma visita no final de semana.

No ano passado, os participante tinham por desafio revelar o livro que havia mudado a vida deles. Agora deverão nomear e divulgar nas redes sociais o herói favorito que conheceram nas páginas de um livro.

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