Fotógrafo apresenta exposição inspirada na região da Rua Guaicurus

Artista reúne fotos, objetos e projeções desenvolvidos a partir de estudo e acompanhamento da zona boêmia da capital

por Walter Sebastião 22/04/2014 09:38

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Francilins/Reprodução
Um dos destaques da mostra de trabalho de Francilins no Hotel Diamante é o livro-objeto 'Limbo' (foto: Francilins/Reprodução )
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á há mais de uma década o fotógrafo mineiro Francilins, de 36 anos, vem se valendo de instrumental da arte e da antropologia para desenvolver trabalhos, sejam exposições ou textos acadêmicos, sobre a região da Rua Guaicurus, Centro de Belo Horizonte, “o maior complexo de prostituição do Brasil”, diz. Pesquisas que já valeram a ele alguns dos mais importantes prêmios fotográficos do país: o Marc Ferrez de 2013, por exemplo, possibilitou a realização da mostra 'Inframundo Tropical – Interações artísticas', que será aberta nesta terça, às 20h, no Hotel Diamante, em um dos endereços da área que ele estuda.


A mostra, conta Francilins, apresenta conjunto de obras (objetos, instalações e sala com fotos em grande formato) que dialogam com a arquitetura e a paisagem humana dos prostíbulos da Guaicurus. A partir de imagens e sons que ele vem coletando desde 2001, em várias partes da América Latina, ele cria estereoscopias, que são peças que, como o processo estereofônico, operam por canais diferentes, e que o artista dissocia em objetos em que o olho esquerdo vê uma coisa e o direito outro. O mesmo é feito com os ouvidos, que escutam diferentes sons. Como explica, é experimentação sensorial, conexão energética com o espaço, exercício de alteridade. Vivência que permite refletir sobre arte, cidade, moralidade.

O título 'Inframundo', continua Francilins, traz um conceito ameríndio para definir um mundo complementar ao diurno. “Eu o recupero no sentido de mundo paralelo”, diz. “A região da Guaicurus, de dia, é área comercial, com pessoas envolvidos nos trabalhos que formam o cotidiano. Mas é também local que, se você sobe uma escada, encontra outro mundo, com outros seres, outros sons”, justifica. “Chamam a Guaicurus de periferia, mas ela está no centro, é o umbigo da cidade”, provoca, com bom humor. O fotógrafo até reconhece que é um mundo masculino (e machista), aspecto que é trama de questões postas. “Mas a exposição é uma oportunidade de as mulheres conhecerem um espaço que é quase interditado para elas”, completa.

Data de 2001 a primeira incursão de Francilins na Guaicurus “com câmara fotográfica e perspectiva antropológica”. Produto desstas vivências foi a monografia Vielas (2007), apresentada na UFMG, a primeira em suporte imagético aceita no Brasil. Acrescente-se publicação de textos e ensaios, participação em diversas exposições e o livro Limbo (2013). “É um trabalho com estruturação poética e artística sobre outra banda da nossa moral, do nosso cérebro, do que se varre para debaixo do tapete, inframundo importante para formar o mundo e a nossa psique”, afirma. Com relação a artistas com cuja obra dialoga, destaca todo os que articulam arte e vida ou política, arte e reflexão, como Cláudia Andujar e Artur Omar.

 

Inframundo tropical – Interações artísticas
Exposição de objetos, fotos e projeções, hoje, às 20h, no Hotel Diamante (Avenida Santos Dumont, 574, Centro). Aberta todos os dias, das 10h às 22h. Até dia 4 de maio.

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