Animadora mineira conta sua experiência na equipe dos estúdios Disney

Ela participou da criação do longa de animação Moana: Um mar de aventuras, em cartaz no Brasil

por Ana Clara Brant 22/01/2017 10:26
Arquivo pessoal - Natalia Freitas
A adolescente polinésia Moana cruza o Pacífico para descobrir um segredo ancestral (foto: Arquivo pessoal - Natalia Freitas)

Moana: Um mar de aventuras, a mais nova animação do estúdio norte-americano Disney, se passa na Polinésia. No entanto, há um toque de Minas Gerais nesse filme sobre uma heroína do século 21. Uma das animadoras do longa, em cartaz nos cinemas, é Natália Freitas. Ela trabalhou no chamado departamento de “Look Development”, tendo sido uma das responsáveis pelas cores do filme – fazendo as texturas e materiais de diversos elementos 3D. “É um trabalho artístico, mas, ao mesmo tempo, bastante técnico”, explica.

“Sempre sonhei em fazer filmes para o cinema em um grande estúdio. Para alcançar este sonho, eu dediquei muitos anos de minha vida produzindo, correndo atrás de oportunidades, mudando de estado e de país para me tornar uma profissional qualificada. Todo o meu esforço valeu a pena e sonhar foi importante para me manter motivada. Durante a produção de Moana, eu acordava todos os dias muito agradecida e cheia de energia. Quando fazemos o que amamos, não há dia ruim!”, afirma.

Além de Natália – que fez três meses de treinamento no estúdio da Disney como preparação para participar de Moana – o longa contou com o trabalho de outros seis profissionais brasileiros – sendo ela a única mulher. A animadora conta que, quando assistiu ao filme pela primeira vez, não conseguia tirar o sorriso do rosto, tamanha a felicidade. “Foi uma sensação muito boa saber que eu fiz parte da equipe que criou esta linda obra. Moana foi feita com muito carinho e amor em todos os detalhes. Assim como tantos outros clássicos da Disney, é um filme atemporal e será lembrado e assistido por várias gerações, sem deixar de ser atual. Tenho muito orgulho de ter meu nome nos créditos de uma obra tão bonita”, diz.

Natália Freitas é fascinada por desenhos animados desde criança. Ela se lembra que, quando voltava do colégio, assistia TV por várias horas, pois havia muitos desenhos de que gostava. “É até difícil escolher qual era o meu preferido. Mas com relação aos da Disney, amo todas as animações, mas tem uma que assisti tantas vezes que decorei todas as falas e músicas, A bela adormecida (1959). É um filme lindo!”, conta.

Arquivo pessoal
Natália Freitas se mudou para os Estados Unidos depois de trabalhar na Alemanha (foto: Arquivo pessoal )
REFERÊNCIAS

A artista diz que, desde pequena, já era encantada com as artes visuais e com a música e que teve a sorte de crescer recebendo boas influências culturais de sua mãe, dos primos, tios e, principalmente, do padrinho. “Com a perda de meus pais quando eu ainda era criança, a arte tomou um outro significado e importância. Eu passava horas desenhando, jogando videogame, assistindo desenho animado, escutando discos, tocando e criando música com minha irmã. E, assim, a arte virou mais do que apenas um hobby para mim”, recorda.

Ela conta que, durante o ensino médio, já sabia que queria trabalhar fazendo desenhos animados. Estudou na Escola de Belas Artes da UFMG, que possui Cinema de animação como uma das especializações. Assim que se formou, no final de 2009, Natália passou dois anos trabalhando para diversos estúdios em Porto Alegre e Belo Horizonte. No final de 2011, após criar um bom portfólio, foi contemplada com uma bolsa de estudos. Em 2012, mudou-se para a Alemanha, onde morou por quatro anos.

Na Alemanha, Natália estudou na Filmakademie Baden-Württemberg, onde participou de mais de 20 projetos e trabalhou para vários estúdios alemães. No final de 2015, ela se candidatou a uma vaga na Disney e acabou sendo selecionada. “Em janeiro de 2016, me mudei da Alemanha para os Estados Unidos para trabalhar na Disney. Foi a realização de um grande sonho. É muito gratificante trabalhar em um lugar rodeada por pessoas criativas e talentosas.”


AVENTURA NO PACÍFICO SUL

Moana: Um mar de aventuras mostra a saga de uma adolescente polinésia de 16 anos que se aventura pelo Oceano Pacífico em busca de compreender o mistério que envolve seus ancestrais. Ao lado do poderoso semideus Maui, que encontra pelo caminho, ela cruza o mar aberto. A viagem é cheia de aventuras e perigos. O longa é dirigido por Ron Clements e John Musker, também realizadores de títulos como A pequena sereia, Aladdin, A princesa e o sapo.

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