Filme com pinta de novelão, 'Elis' relembra a trajetória da cantora

Longa-metragem dirigido por Hugo Prata chega aos cinemas nesta quinta (24), e apesar do roteiro confuso, Andréia Horta convence como a Pimentinha

por Ana Clara Brant 24/11/2016 09:06

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André e Carioba/Divulgação
A atriz mineira Andréia Horta sempre teve o sonho de interpretar Elis (foto: André e Carioba/Divulgação)
 

A história de Elis Regina (1945-1982) já foi parar em musical, livro, peça de teatro e especial de TV. Em 2018, vai virar série da Rede Globo, escrita por Gilberto Braga e dirigida por Dennis Carvalho. Só faltava mesmo a cinebiografia. Elis, que estreia nesta quinta-feira, 24, no país com cerca de 244 cópias, é um filme, mas com pinta de novelão. Com direito a drama, romance, tragédia e traição – aliás, elementos marcantes dessa gaúcha, considerada por muita gente a melhor cantora do Brasil.


Falar de Elis Regina Carvalho Costa não é tarefa fácil. Hugo Prata, que estreia na direção de longas-metragens, sentiu a responsabilidade. ''Brinco que a gente sente a dor e a delícia simultaneamente. Tem, sim, um frio na barriga por contar a história dessa personagem muito querida, fascinante e bastante complexa. Ao mesmo tempo, é um desafio e um privilégio poder levar Elis para a telona'', destaca o cineasta. Apaixonado por música, ele fez parte da equipe que implantou a MTV no Brasil, na década de 1990.


O grande destaque, sem dúvida, é o trabalho magistral de Andréia Horta. A atriz mineira, fã de Elis Regina desde criança, sempre quis interpretar a cantora. Quando a oportunidade surgiu, mergulhou de cabeça. ''Durante os ensaios e gravações, até cheguei a sonhar com ela. Vivi Elis intensamente. Nosso encontro foi ficando cada vez mais profundo. É a realização de um sonho, um dos papéis mais importantes da minha carreira'', declarou ao Estado de Minas, em 2015.


A atriz estudou canto e expressão corporal. Cortou os cabelos bem curtos para ficar parecida com Elis. Impressiona ao repetir o sorriso largo e os trejeitos da mãe de João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita. ''Além de ser supertalentosa e profissional, o fato de Andréia ter essa ligação forte com a Elis Regina ajudou muito na construção da personagem. Porém, não foi fácil baixar o santo (risos). Durante três meses, ela ficou imersa no processo, com três professores. Estudou tudo sobre a Elis para poder falar, agir e se movimentar como ela. Foi uma dedicação impressionante e isso está bem claro no filme'', elogia Prata.


Andréia Horta cantou em todas as cenas, mas a voz é de Elis Regina. Pode até parecer estranho vê-la dublando, mas como fazer a cinebiografia da Pimentinha sem ouvi-la? ''Não tinha sentido ser de outra maneira. É um filme sobre uma cantora e sua voz incrível. Em Piaf – Um hino ao amor, acontece a mesma coisa. Marion Cotillard dubla e acabou levando o Oscar de melhor atriz. Até porque, ninguém nunca vai cantar como a Piaf e como a Elis Regina'', defende o diretor.


Por outro lado, Caco Ciocler, que interpreta o pianista e maestro César Camargo Mariano, segundo marido da estrela, aprendeu piano e toca de verdade nas cenas. Ele é outro destaque do filme, assim como Júlio Andrade, que faz o papel de Lennie Dale, coreógrafo e bailarino norte-americano que ensinou a então jovem cantora a se movimentar no palco.

André e Carioba/Divulgação
Longa estreia em 244 salas de todo o Brasil (foto: André e Carioba/Divulgação)

TRAJETÓRIA

O filme começa em 1º de abril de 1964 – dia em que Elis Regina chegou ao Rio de Janeiro com o pai (Zécarlos Machado), vinda de Porto Alegre, para começar a trilhar sua carreira de sucesso – e segue até janeiro de 1982, quando ela morreu. Percorre momentos importantes da vida da cantora: o encontro com Miéle (Lúcio Mauro Filho) e Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), a criação da chamada MPB, o sucesso na TV, os dois casamentos, a relação com a ditadura e o envolvimento com as drogas, motivo de sua morte.


Porém, pontos relevantes, como a icônica gravação do disco Elis & Tom (1974) e a relação com os pais, acabaram ficando de fora. Hugo Prata argumenta que é complicado condensar 36 anos de alguém que viveu intensamente em menos de duas horas. ''Todo mundo conhece muito sobre a Elis. Cada um tem a sua particularidade, suas preferências. É natural que queiram tal passagem da vida dela ou tal personagem. Eu também queria, mas, infelizmente, não dá para contar tudo. Optei por momentos e pessoas que achei mais relevantes. É difícil, mas a gente deve ter poder de síntese. Te garanto: quem mais sofreu para cortar fui eu'', frisa.

ROTEIRO

Em agosto, o longa levou os prêmios de atriz (Andréia Horta) e filme preferido do júri popular no Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul. Porém, o roteiro é um pouco confuso. Talvez isso se explique pelo fato de o projeto ter passado por várias mãos ao longo de quatro anos e meio.


Inicialmente, o roteiro ficou a cargo de Patrícia Andrade (Dois filhos de Francisco e Gonzaga – De pai pra filho). Nelson Motta, amigo e produtor, que chegou a namorar Elis, passou a contribuir. Tempos depois, Nelson e Patrícia deixaram o projeto e Luiz Bolognesi (Bicho de sete cabeças, As melhores coisas do mundo) o assumiu. No fim, entrou Vera Egito (Amores urbanos e Serra Pelada).


''Cada um trouxe um tipo de contribuição. Com Patrícia e Nelson fizemos os dois primeiros tratamentos. O próprio Nelson Motta sugeriu que o roteiro precisava evoluir e que seria melhor trabalharmos com pessoas com maior distanciamento da história, pois ele sempre foi muito envolvido com o universo da Elis. O interessante é que comecei a história com uma mulher (Patrícia) e terminei com outra (Vera) neste projeto sobre uma figura feminina incrível'', analisa o cineasta.


Hugo Prata diz que a imagem que tinha de Elis, guerreira e talentosa, só se fortaleceu depois do encerramento das filmagens. ''É uma figura única. Teve vida dura e conseguiu construir uma trajetória incrível, vitoriosa. A vida não deve ter sido nada fácil, mas ela lutou sempre. Não é à toa que, mesmo passados 34 anos de sua morte, ainda estamos falando e reverenciando Elis Regina'', conclui.



Amigo é coisa pra se guardar


Artistas de Minas Gerais sempre foram presentes na vida de Elis Regina. Milton Nascimento, grande amigo e que ganhou uma frase famosa da Pimentinha (''Se Deus cantasse, seria com a voz do Milton''), aparece apenas no final do longa.

Arquivo EM
Milton Nascimento e Fernando Brant ganham singela homenagem no filme (foto: Arquivo EM)

A voz de Bituca surge na linda canção Começo, parceria dele com João Marcelo Bôscoli, primogênito da estrela. Fernando Brant também é lembrado. Em uma das últimas cenas, Elis está trancada no quarto ouvindo cassetes enviadas por vários músicos. A fita que escuta, pouco antes de morrer, tem o nome do compositor.

''É uma cena rápida. Mas se você reparar bem, dá para ver que está escrito Fernando Brant. As filmagens terminaram pouco tempo depois da morte dele. Achei que seria uma forma de homenageá-lo'', conta Hugo Prata.

Brant morreu em junho de 2015. Clássicos do repertório de Elis Regina (Saudades dos aviões da Panair, Caxangá, Maria Maria e Ponta de Areia) foram compostos por ele e Milton Nascimento.

ELIS

Direção: Hugo Prata. Com Andreia Horta, Caco Ciocler e Gustavo Machado. Classificação: 14 anos.

. Belas Artes, 14h, 16h20, 18h50, 21h20
. Betim 2, 13h40, 16h, 18h15, 20h30
. BH Shopping 14h10, 16h50, 19h50, 22h30
. Boulevard 5, 13h40, 16h, 18h15, 20h30
. Contagem 8, 14h, 16h20, 18h40, 21h
. DelRey 5, 13h40, 16h, 18h20, 20h40
. Diamond 5, 15h40, 21h10
. Estação 6, 13h45, 16h15, 18h45, 21h15
. ItaúPower 1, 13h40, 16h, 18h20, 20h40
. Minas Shopping 5, 13h40, 15h55, 18h15, 20h30
. MonteCarmo 4, 13h40, 15h55, 18h15, 20h30
. Paragem 4, 13h40, 16h, 18h15, 20h30
. Partage 2, 13h10, 15h50, 18h20, 20h50
. Ponteio 1 (Premier), 13h40, 16h, 18h15, 20h30
. Via Shopping 5, 13h40, 16h, 18h15, 20h30

 

Confira o trailer de Elis:

 

 

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