Sete homens e o mesmo destino

Remake do clássico de 1960 dirigido por Antoine Fuqua aposta na ação para contar a história do grupo de pistoleiros contratados para salvar uma cidade

por Mariana Peixoto 21/09/2016 20:03

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Scott Garfield/Sony/Divulgação
Cena de 'Sete homens e um destino', dirigido por Antoine Fuqua (foto: Scott Garfield/Sony/Divulgação)
 

A certa altura de Sete homens e um destino (1960), o vilão Calvera (Eli Wallach) pergunta a seu algoz, o pistoleiro Chris (Yul Brynner): “Um lugar como este? Por quê? Um homem como você? Por quê?”. Calvera, ele mesmo um bandido pé de chinelo – com seus capangas, roubava mantimentos de uma comunidade de agricultores mexicanos –, não conseguia entender como um pistoleiro, com uma imagem imbatível, toda em negro, havia se metido a defender aquele grupo quase miserável.


Cinquenta e seis anos atrás, quando a produção de John Sturges chegou aos cinemas, os westerns eram marcados por personagens heroicos, quase sem falhas. O filme, inspirado num clássico japonês lançado seis anos antes (Os sete samurais, de Akira Kurosawa), mostrava como um bando de homens durões tinha, sim, seus momentos de ternura. É de chamar a atenção um pouco conhecido Charles Bronson, um dos sete pistoleiros, se desmanchando com um trio de garotos mexicanos, quase como um tio.


A versão 2.0 de Sete homens e um destino, de Antoine Fuqua (O protetor e Invasão à Casa Branca), que chega nestas quinta (22) aos cinemas, tenta manter pelo menos um conceito do filme anterior intacto. Também presta reverência ao original de Kurosawa (que nos créditos aparece no roteiro junto aos roteiristas Nic Pizzolatto e Richard Wenk).

 

 

Sim, seus heróis são mercenários. Mas eles, a despeito do dinheiro, se importam. No caso, as vítimas são as pessoas da cidadezinha de Rose Creek. Logo após a Guerra Civil Americana, a população sofre com os desmandos do todo-poderoso Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard).


Quando resolvem se rebelar frente à opressão de Bogue, boa parte dos homens é morta e a igreja, símbolo da união da população, é queimada. Uma das sobreviventes, a viúva Emma Cullen (Haley Bennett), reúne os poucos bens que valem alguma coisa, e contrata sete foras da lei para vingar o ocorrido em Rose Creek.

 

 

Essas são as semelhanças básicas de Sete homens e um destino com o enredo original. Ainda na forma, há características que colocam o filme na seara dos westerns clássicos (algo muito diferente dos dois faroestes estilizados que Quentin Tarantino dirigiu recentemente).

Na composição dos planos e nos jogos de luzes, Fuqua se mantém fiel à cartilha dos filmes antigos. No entanto, na hora do bangue-bangue propriamente dito, o longa se aproxima das tramas de ação da atualidade.

Quando Sturges lançou o filme, seu elenco principal – Steve McQueen, James Coburn, além dos já citados Brynner e Bronson – estava em ascensão. Mas foi o filme que lhes trouxe a glória. Agora, a história se inverte. Fuqua escolheu um elenco estelar – Denzel Washington, Chris Pratt e Ethan Hawke são os principais – para sustentar a trama. Washington é Sam Chisolm, líder dos sete pistoleiros que promete vingar Rose Creek da dominação de Bogue.

DRAMAS A primeira parte da narrativa é centrada na convocação dos sete homens. Cabe a Chisolm – também sempre paramentado de negro, como o Chris de Yul Brynner – arregimentá-los. Cada um é apresentado, com suas características e dramas. Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), por exemplo, homem de pontaria impecável que lutou na Guerra Civil, passa seus dias bebendo e atuando como “empresário” de Billy Rocks (Byung-hun Lee), um atirador de facas que nunca erra o alvo.

Quando o grupo se forma é que se dá a segunda parte, com a chegada a Rose Creek, o envolvimento com a população local e o embate com os homens de Bogue. A batalha domina o terço final da narrativa. E é aí que Sete homens e um destino mais se diferencia do filme original. O embate é coreografado, com tiros e explosões dignos de uma trama de ação, homens saindo de locais inesperados, cortes bruscos e um exagero que marca a produção atual. Algo absolutamente coerente com a intenção deste filme, mas nada memorável como foram seus antecessores.

 

O criador

 


. Os sete samurais (1954)
Direção de Akira Kurosawa.


Considerado um divisor de águas no cinema japonês, o filme foi uma revolução na época por reunir diferentes convenções do gênero de ação e inventar outras. Produção mais cara do diretor, foi também bastante trabalhosa, com algumas interrupções. Sua importância é inegável, e a realização de Sete homens e um destino, seis anos mais tarde, só deu início a uma escala de referências. A mais importante é Star wars. George Lucas sempre afirmou que a produção de Kurosawa o influenciou diretamente. As coçadas de cabeça de Yoda, por exemplo, foram inspiradas nas do líder samurai Kambei Shimada. Entre outros filmes inspirados no clássico estão desde sci-fi como Mercenários das galáxias (1980) quanto animês para TV, como a série Samurai 7 (2004).

 

A criatura



. Sete homens e um destino (1960)
Direção de John Sturges.


As referências deste marco do western podem ser vistas até hoje. A música tema, da trilha de Elmer Bernstein, é ainda hoje um dos temas mais relacionados ao gênero. O título original, The magnificent seven (Os sete magníficos), foi apropriado por Quentin Tarantino em seu mais recente longa, The hateful eight (Os oito odiados). O filme ainda teve três continuações – A volta dos sete magníficos (1966), A revolta dos sete homens (1969) e A fúria dos sete homens (1972) – com outros diretores. O astro Yul Brynner só participou do longa de 1960. Houve ainda uma série de TV, produzida no fim da década de 1990, com duas temporadas. E há referências a perder de vista da comédia Três amigos!, com Steve Martin (1986) à animação Vida de inseto (1998).

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