'Loucas de alegria' faz tributo a pacientes com distúbrios mentais

Filme italiano, dirigido por Paolo Virzí, lança uma crítica ao uso de remédios para tratar frustrações cotidianas

por Agência Globo 01/09/2016 08:00

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IMOVISION/DIVULGAÇÃO
longa chega nesta quinta-feira aos cinemas brasileiros (foto: IMOVISION/DIVULGAÇÃO)
O novo filme do diretor italiano Paolo Virzí, Loucas de alegria, que estreia hoje, nasceu no set de seu longa anterior, Capital humano (2013), todo rodado na Toscana. Virzí conta que viu sua mulher, a atriz Micaela Ramazzotti, e Valeria Bruni-Tedeschi andando de mãos dadas pela locação. A imagem despertou nele a ideia de duas amigas, de origens e estratos sociais diferentes, que se unem para fugir de uma instituição de reabilitação mental onde foram colocadas por suas famílias.

“Aquilo me deu vontade de apontar a câmera para elas. E de pensar um filme para ambas, que são duas grandes atrizes. O primeiro desejo foi fazer algo em torno da doença mental, de como essas pessoas têm suas alegrias e seus desejos de viver aprisionados, como são excluídas da convivência social por causa de preconceitos. Foi um ano de pesquisa sobre tudo isso”, diz ele em entrevista por telefone, de Atlanta, onde roda sua primeira produção em inglês, The leisure seeker, com Donald Sutherland e Helen Mirren.

Mais do que uma homenagem às atrizes, no entanto, Loucas de alegria investe contra a ditadura do bem-estar psicológico e a busca incessante por justificativas psicopatológicas para todos os males. Para Virzí, a elite consegue passar incólume por essas exigências, mas o mesmo não ocorre com as camadas mais humildes.

“Somos grandes consumidores de psicofármacos. Se pudéssemos imaginar no que estão apostando os grandes investidores, depois de colocar suas fichas nas dívidas dos países, creio que estariam apostando nas grandes indústrias farmacêuticas que produzem remédios ansiolíticos, antidepressivos e outros. Eu queria descobrir um outro ponto de vista, dessas pessoas que são presas e mandadas para o manicômio. Elas são privadas da convivência social. E o mundo fora da instituição não está melhor. Está mais cruel e mais feio. O cinema pode servir pelo menos a isso. Para reparar essas arestas”, afirma o diretor.

 

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