Em Cannes, Jim Jarmusch aposta na sensibilidade com filme-poema

Cineasta norte-americano apresentou 'Paterson' em competição

por AFP 16/05/2016 10:12

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LOIC VENANCE
(foto: LOIC VENANCE)
O americano Jim Jarmusch mira o coração sensível do júri de Cannes com Paterson, um filme construído como um poema, uma ode à marcha lenta e à banalidade da vida cotidiana.

Apresentado nesta segunda-feira na competição oficial, Paterson é construído em estrofes, um dia de cada vez em uma semana normal de Paterson, um motorista de ônibus. É também o nome da cidade onde acontece a ação, berço dos poetas Allen Ginsberg e William Carlos Williams.

A rotina, a repetição e as ínfimas variações na vida cotidiana dão o tom do longa-metragem.

Com uma mensagem: seja você um motorista de ônibus, uma dona de casa, ou apenas um espectador deste filme, você pode se tornar o poeta de sua vida.

O ator principal, Adam Drive, que interpreta Paterson, encaixa-se perfeitamente em seu traje de anti-herói.

Homem sem qualidades do início dos anos 2000, em uma cidade suburbana americana, guarda um pequeno prazer: como uma criança, escreve poemas ingênuos, inspirados por uma caixa de fósforos ou limpador de para-brisa, em um pequeno caderno secreto.

Sob a liderança de Jim Jarmusch, o ator de 32 anos garimpa com este papel mais um marco em sua carreira já promissora, da série de TV Girls ao papel de vilão no último Star Wars, passando pela comédia independente americana (Frances Ha e Enquanto Somos Jovens).

Sua parceira na tela, a atriz franco-iraniana Golshifteh Farahani, apresenta também, nos limites de uma dona de casa sem história, sua loucura. Obcecada por padrões de xadrez, como Jarmusch foi em "Coffee and Cigarettes" (2003), ela repinta literalmente seu ambiente (cortinas, vestido, e até os cupcakes) em preto e branco.

Ao lado deste casal, vários personagens secundários e um buldogue expressivo, Marvin, que segundo muitos espectadores deve ganhar a "Palma Dog" (verão da Palma de Ouro para animais).
Um mundo em si mesmo

Aos 63 anos, Jarmusch se diverte, como já havia feito 20 anos atrás, em "Dead Man" (1995) ou em seu filme de vampiros "Amantes Eternos" (2013), ao criar um mundo em si mesmo, alimentando-se de suas próprias referências.

Neste universo em que tudo é reservado, às vezes morno, nem a paixão nem o ódio têm direito a cidadania.

O filme, co-produzido pela gigante de distribuição on-line Amazon, cultiva uma nostalgia do século XX, com um personagem principal que não vê valor em possuir um telefone celular e que continua atordoado com a procura por quinoa ou por aulas de guitarra no Youtube.

Os espectadores mais sensíveis terão o prazer em identificar referências recorrentes que pontilham, durante 1h53, o filme: gêmeos, amor terno e, claro, o nome de Paterson, nome do herói de guerra, que é onipresente nas paredes da cidade de Nova Jersey.

Com este novo gesto poético, Jarmusch tenta mais uma vez ganhar a Palma de Ouro.

O cineasta de 63 anos já foi selecionado diversas vezes para o Festival de Cannes, e foi premiado com um Prêmio do Júri em 2005 por "Flores Partidas". Este ano também exibe, fora da competição, Gimme Danger, documentários sobre Iggy Pop e os Stooges.

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