Novo longa de Sérgio Rezende discute os limites da atuação da Justiça no Brasil

Trama se inspira na trajetória de um juiz federal contra o crime organizado

por Carolina Braga 21/04/2016 08:00

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PÁPRICA FOTOGRAFIA/DIVULGAÇÃO
(foto: PÁPRICA FOTOGRAFIA/DIVULGAÇÃO)

São Paulo – Planejado o cineasta Sérgio Rezende garante que não foi. Mas que é oportuno, é. É inevitável ver os personagens de Em nome da lei, que estreia hoje nos cinemas, e não fazer conexões com nosso tumultuado cenário político, agitado por participações ativas da Polícia Federal e do Poder Judiciário. Assim como na realidade, na ficção também há juiz que autoriza conduções coercitivas, grampos, prisões. Conforme asseguram, todas felizes – ou infelizes – coincidências.

O 11º longa da carreira do diretor de Guerra de Canudos (1997), Zuzu Angel (2006) e Salve geral (2009), entre outros, acompanha a rotina de um juiz federal encarregado de controlar o tráfico de drogas na fronteira de Brasil e Paraguai. O magistrado Vitor, papel de Mateus Solano, chega à cidade batendo o pé na porta e não medindo consequências para fazer justiça no combate ao crime organizado. Para isso, conta com a ajuda da promotora Alice (Paolla Oliveira) e do policial federal Elton (Eduardo Galvão). Na mira deles, o poderoso Gomez (Chico Diaz).

“Se você entrar em um bar, verá as pessoas rindo ou discutindo. Acho que o cinema brasileiro tem as comédias. Maravilha, vai todo mundo rir. Se a gente puder entrar na parte da discussão, acho bom”, comenta o diretor. Desde 2012, Rezende trabalha nesse roteiro. Naquela época, o escândalo era outro e o juiz também. No caso, o mensalão e Joaquim Barbosa.


CRIME ORGANIZADO Em nome da lei não é uma cinebiografia, embora muitos elementos do roteiro sejam inspirados na guerra contra o crime organizado que marca a vida profissional do juiz federal do Mato Grosso do Sul Odilon Oliveira. É por causa da experiência dele, por exemplo, que o longa se passa na região de Ponta Porã, no Mato Grosso, onde mandou prender mais de 100 criminosos. Pela localização geográfica da trama, o roteiro também propõe a discussão sobre fronteiras. Cada embate entre polícia e bandido esconde discussões sobre o legal e o ilegal, a Justiça e o crime. Todas separações muito tênues.

“A sensação é de que falar de justiça vai ser sempre novo, sempre contemporâneo. Tomara que a justiça seja cada vez mais falada em detrimento da corrupção e do contrabando”, afirma Paolla Oliveira. Em nome da lei é aquele caso em que, pela relevância do tema, o conjunto da obra se torna interessante, apesar de fragilidades no roteiro, no elenco de apoio e em outros aspectos secundários.

O longa foi totalmente filmado na região de Dourados (MS). Tanto a estética como a narrativa se aproximam mais da linguagem da televisão, com direito até a romance. Com todos os excessos, não deixa de ser um exercício de fazer cinema policial no Brasil, gênero com pouca tradição por aqui.


Vitor é o primeiro juiz na carreira de Mateus Solano. O ator descreve o papel como o de um homem que mistura vaidade com profissionalismo. “Como ator, mais que procurar a parte teórica do que é ser um juiz, fui tentar entender o desejo de mudança. O que permaneceu e o que se transformou nele a partir da experiência”, diz. Já para Chico Diaz, o vilão da trama. Em nome da lei pode ser lido de várias formas. ‘‘É um filme de ação, de xerife e bandido, do pega-não-pega, mas também possibilita trazer uma discussão sobre a Justiça”.

Formado pela geração do Cinema Novo, Sérgio Rezende sempre se preocupou com a dimensão política do que leva para a tela. No caso de Em nome da lei, o debate que interessa a ele é se lei e Justiça são a mesma coisa. Eventualmente, não. “A outra questão é: qual é o preço da Justiça?. Muitas vezes é pesado, tem custos.” O cineasta acha que não cabe ao cinema dar vereditos. “Não acho que o cinema seja sala de aula, mas acho que tem que ser um cinema com o qual eu possa refletir sobre a sociedade.”




A repórter viajou a convite da Fox Filmes

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