Estreia hoje, dia 7, nos cinemas do Brasil 'Asterix e o domínio dos deuses'

Filme trata de confrontos a partir de uma invasão e teve conflitos da globalização acentuados, mas permaneceu quase inalterada

por Mariana Peixoto 07/04/2016 09:40

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Bonfilm/Divulgação
O personagem Asterix numa das cenas de 'Asterix e o domínio dos deuses', que estreia hoje, dia 7 (foto: Bonfilm/Divulgação)
Um povo simples que vive tranquilamente afastado do grande centro sofre uma invasão inesperada. Sem pedir permissão, os homens da cidade chegam para construir torres com centenas de apartamentos. A construção será numa área verde e, para tal, os construtores irão derrubar árvores centenárias. Diante da resistência dos locais, políticos entram em ação, enganando tanto o povo quanto os trabalhadores da obra, que não têm qualquer direito trabalhista.


Você já ouviu falar em alguma história parecida, não? Pois a sinopse acima refere-se a uma narrativa ambientada no ano 50 a.C. Globalização e meio ambiente, os temas centrais são aqui tratados na Roma de Júlio César. Os invasores são os romanos; os invadidos, os gauleses.

Asterix e o domínio dos deuseus, que estreia hoje no Brasil, é a primeira animação em 3D do personagem criado em 1959 por Albert Uderzo e René Goscinny (1926-1977). Dirigida por Louis Clichy e Alexandre Astier, a narrativa é baseada numa história escrita em 1971. O hiato de 45 anos entre a publicação original e sua adaptação para o cinema não mudou muito a própria história. A atualidade dos temas fala mais alto.

“O roteiro é basicamente o mesmo do livro. Buscamos reforçar a ideia da globalização e também criamos outros personagens, como a família romana que vai viver entre os gauleses”, comenta Clichy. Aqui estreando na direção de um longa-metragem, o animador produz o filme francês – uma superprodução para os padrões da França, custou US$ 40 milhões – depois de algumas experiências com a norte-americana Pixar.

Clichy foi um animador de produções como Wall-E (2008) e Up – Altas aventuras (2009). Para ele, a diferença entre trabalhar num filme norte-americano e num europeu (Asterix e o domínio dos deuses é uma coprodução França e Bélgica) é mais uma questão de dinheiro. “Nosso orçamento foi alto para o nosso padrão, mas muito diferente do de um filme da Pixar. Com isso, não podíamos fazer muitas versões diferentes. Outra questão é que, nos EUA, a interferência do produtor é enorme. Na França, temos mais liberdade, e o que vale aqui é a versão do diretor.”

Quanto à parte artística, o trabalho não foi muito diferente do que ele já havia realizado. Assim como os filmes contemporâneos de animação, Asterix foi realizado da seguinte maneira: num momento inicial os atores gravaram as vozes; somente depois, com toda a parte de áudio gravada, é que a animação começou a ser feita, “dando riqueza e peso aos personagens”.

DESAFIO O 3D foi um desafio para os realizadores desde o início. “Albert Uderzo já está com quase 90 anos. Ele ficou reticente no início”, conta Clichy. O veterano desenhista, que se aposentou em 2010, acreditava que o 3D não funcionaria para Asterix, Obelix, Panoramix e Ideafix. Pois a equipe do filme não mudou em nada os desenhos originais.

“Meu objetivo era voltar à origem. Asterix, na França, virou um personagem muito comercial. É como o Mickey Mouse. Se você vir os primeiros desenhos do Mickey, vai perceber como o personagem tinha uma fina ironia que foi se diluindo ao longo do tempo por causa de sua popularização. Ele se tornou um símbolo, assim como Asterix.”

Dessa maneira, segundo o diretor, o que ele fez no filme foi intensificar características que se faziam presentes nas primeiras HQs. “Não queria que o Asterix ficasse muito gentil, no mau sentido. Ele está, por exemplo, mais fraco”, continua Clichy. Mais “humano”, por assim dizer.

Na história, para tentar acabar com o único povo que nunca se subjugou a Roma, César envia seus escravos para ocupar uma floresta na Armórica, Norte da Gália. Seu objetivo é construir uma série de apartamentos, chamados Domínio dos Deuses (no filme, a edificação foi inspirada no exagerado Caesar’s Palace, em Las Vegas).

SORTEIO Para que o lugar seja ocupado por romanos, a princípio reticentes em morar no meio do nada, ele sorteia um apartamento para uma família. Asterix e Obelix fingem tolerar a ocupação. Os escravos são libertos. Só que, com a chegada em massa dos romanos, os preços dos produtos da aldeia caem, devido à concorrência. Os gauleses tomam uma decisão radical para livrar seu povo do opressor. Com isso, a mágica poção que lhes dá uma força sobre-humana vai ser crucial.

Lançado no fim de 2014 na França, Asterix e o domínio dos deuses, primeiro filme de animação do personagem desde 2006, fez uma bilheteria de blockbuster. Levou 3 milhões de pessoas aos cinemas da França. “Foi um sucesso grande, comparável ao dos filmes da Pixar (naquele país). Mesmo que Asterix seja um personagem muito popular, alguns filmes não foram bem na própria França”, acrescenta Clichy.

Infelizmente, as três salas que vão exibir o filme em Belo Horizonte o farão com cópias dubladas. O filme chega ao Brasil com certo atraso em relação ao lançamento francês, mas pelo menos está chegando. Nos EUA, Asterix e o domínio dos deuses ainda não tem distribuidor. “Já estive lá com o fime participando de festivais, exibi para o pessoal da Pixar, que gostou muito. Mas a verdade é que Asterix é uma HQ muito conhecida nos países latinos. Seu humor não combina muito com o americano”, afirma Clichy.

Asterix em números

35
histórias em quadrinhos

110
idiomas em que foi traduzido

355
milhões de livros vendidos

9
filmes de animação

4
filmes em live action

1
parque temático (em Paris)

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