Longa dá voz às crianças e põe o cinema a serviço das inquietações dos adolescentes

Filme de diretor mineiro estreia neste domingo na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes

por Walter Sebastião 24/01/2016 13:02

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Marco Antônio Gonçalves/divulgação
Igor Amin se diz um educador visual empenhado em produzir conteúdo de qualidade para crianças e adolescentes (foto: Marco Antônio Gonçalves/divulgação)

Longa-metragem do diretor mineiro Igor Amin dá voz às crianças e põe o cinema a serviço das inquietações dos adolescentes. Banda das jovens atrizes vai tocar na sessão de estreia

O que queremos para o mundo? Essa pergunta dá título ao filme que estreia hoje na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na cidade histórica mineira. O primeiro longa do diretor Igor Amin, de 29 anos, quer – declaradamente – trazer a estética, o processo e o olhar contemporâneo para a produção dedicada ao público infantojuvenil.

O filme conta história de Luzia (Olívia Blanc). Garota tímida de óculos e com dificuldades de se expressar, ela aproveita um trabalho da escola de música para repensar suas limitações. Aos 12 anos, forma uma banda de rock com as amigas Bela (Helena Trojahn Carron), Lua (Sofia Sgarbi) e Sol (Milena Megrè). “Meu filme dá voz às crianças”, avisa Igor. Detalhe: A Casa da Árvore, grupo formado pelas meninas, vai tocar depois da exibição do longa, abrindo o show do grupo paulista Pequeno Cidadão.

A canção Polifonia amor, composta pelas garotas, é um dos eixos de O que queremos para o mundo?. Escrito por Vinícius Cabral, parceiro de Igor na produtora Cocriativa, o roteiro surgiu de entrevistas com garotos que experimentam a passagem da infância para a adolescência.

“Meu filme é ficção, drama e introspectivo, com animações e muito musical. Com leveza, mostra que, quando conseguimos conectar o mundo dentro de nós com o que está fora, a gente descobre o que quer para o mundo”, afirma Igor Amin.


Malu Teodoro/divulgação
Olívia Blanc interpreta a protagonista Luzia (foto: Malu Teodoro/divulgação)

OFICINA O singular processo de realização do longa – trabalho com não atrizes e a preparação para que elas compusessem realmente uma canção, além das pesquisas – reafirma o espírito colaborativo, que atravessou toda a produção. Isso passou pela busca de recursos (crowdfunding, prêmios e dinheiro dos próprios realizadores), avançando até o modo como os diretores gostariam de apresentar o trabalho. O cineasta observa que tudo foi decidido antes de saber se o longa seria aceito em festivais ou se chegaria ao circuito comercial. A preferência foi apresentá-lo em escolas acompanhado de oficina com o tema “O que queremos para o mundo”.

Fotos: Marco Antônio Gonçalves/divulgação
Sofia Sgarbi faz o papel de Lua (foto: Fotos: Marco Antônio Gonçalves/divulgação)

“Em vez de diretor, prefiro ser chamado de educador audiovisual”, afirma Igor Amin, filiado, orgulhosamente, à arte-educação. “Chegou a hora de produzir conteúdo de qualidade para o público infantojuvenil, tanto na escola e na TV quanto no cinema e internet. O que existe com esse perfil é pouco e não aparece. Nosso modo de trabalhar mostra não uma tendência, mas uma necessidade dos tempos que estamos vivendo”, diz ele, avisando que valoriza conteúdos ligados à cultura brasileira.

Neste momento, o perfil da proposta de trabalho de Igor e da Cocriativa ganha atenções diversas. Evidências disso são a presença de O menino e o mundo, de Alê Abreu, na disputa do Oscar e o edital do Ministério da Cultura para seleção de nove projetos de longas voltados para jovens cinéfilos.


Helena Trojahn Carron é Bela

MÍDIAS MÓVEIS Ao comentar o cinema que admira, Igor Amin destaca “a dimensão processual” e transmídia em diálogo com a videoarte e as mídias móveis. Essa proposta marca trabalhos de outras produtoras mineiras, como Filmes de Plástico e Apiário. O diretor cita como características a busca de espontaneidade, o frescor e o sentimento de verdade na relação com o público.

Aliás, O que queremos para o mundo? nasceu de oficinas de vídeo com as crianças. “Percebia que elas viam, produziam e sentiam os filmes de uma forma muito sincera e lúdica. Criança entra no filme, vai além da imagem. Isso me encantou”, conta Amin. Ele dirigiu dois curtas (Dona árvore e Os sonâmbulos), além de “curtíssimas” experimentais, todos disponíveis no YouTube.

Milena Megrè interpreta Sol


19ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

HOJE
Cine Tenda

11h – O que queremos para o mundo, de Igor Amin
15h – Curtas
17h – Cena regional (curtas)
18h30 – Curtas
20h – Jonas, de Lô Politi
0h30 – Quase memória, de Ruy Guerra

Cine Praça
21h – Campo Grande, de Sandra Kogut

Cineteatro Sesi

17h – Bang bang, de Andréa Tonacci

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