Liam Neeson é ex-policial alcoólatra e anti-armas em 'Caçada mortal'

Longa de ação inspirado em série de romances consegue manter tom soturno das obras, mas acrescenta clichês do gênero cinematográfico

por Fernanda Machado e Agência Estado 24/12/2014 15:47

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Assim como o título original de 'O mensageiro' — 'Kill the messenger' — permite uma leitura mais interessante do longa de Michael Cuesta em cartaz no País, o de 'Caçada mortal' também mostra como as diretrizes de mercado podem trair as intenções de uma obra. O título é sob medida para explorar a nova popularidade do irlandês Liam Neeson como herói. Nos últimos anos, ele tem protagonizado filmes de sucesso que esculpiram sua persona de astro de ação. Mas Neeson é ator dramático, e dos bons.

 

Veja horários e salas de exibição para 'Caçada mortal'

 

'Caçada mortal' tem um título muito mais ambivalente no original — 'A walk among the tombstones', 'Caminhando entre as lápides'. Não parece muito de acordo com a ideia de um brucutu armado e vingativo. Tem tudo a ver com a série de romances policiais de Lawrence Block, centrados no personagem de Matthew/Matt Scudder (e com o livro que também ganhou esse título no Brasil).

 

Alcoólatra, o ex-tira que perdeu a licença virou investigador particular. Logo no início, uma ação sucinta expõe seu caso. Ele bebe num bar, ocorre um assalto, Scudder sai disparando, mata dois assaltantes e deixa o terceiro paralítico. Há mais alguma coisa, e é o tormento de Scudder - aquilo que não vemos nem sabemos de imediato, mas que o persegue.

Nosso homem é contratado por um traficante para descobrir quem matou a sua mulher com requintes de crueldade. A ligação com o tráfico torna o herói objeto de escárnio da polícia, mas é ele quem faz as conexões que escaparam a seus antigos colegas. Uma dupla está matando mulheres. Usa a mesma técnica, sequestro com pedido de resgate, mas a vítima só reaparecerá morta.

Considerando-se como as armas são importantes para os norte-americanos, o filme surpreende pelo discurso do herói contra elas (o que não o impede de usá-las). Esse olhar crítico é coisa de Scott Franck, que é roteirista, e bom. Escreveu um filme ambicioso de Steven Spielberg sobre métodos policiais, Minority Report - A Nova Lei, e até obras mais pops como Wolverine: Imortal e Marley e Eu. Franck desenha seus personagens com intensidade. Ninguém, muito menos o ‘herói’, é perfeito. Scudder pode se envolver numa caçada mortal, mas seu passeio é muito mais entre as lápides de um cemitério.

 

Confira o trailer de 'Caçada mortal':

 

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