'O senhor do labirinto' acompanha história de Arthur Bispo do Rosário sob sua lógica

Ritmo da obra de artista esquizofrênico inspira narrativa da cinebiografia dirigida por Geraldo Motta

por Mariana Peixoto 14/12/2014 09:34

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Tibetfilmes/Divulgação
Flávio Bauraqui interpreta Arthur Bispo do Rosário em construção de seu famoso manto (foto: Tibetfilmes/Divulgação)
Em meio a filmes sobre personalidades brasileiras lançados este ano, uma cinebiografia de menor apelo popular estreou de maneira tímida na última quinta-feira, 11. 'O senhor do labirinto', de Geraldo Motta, sobre Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), entrou em cartaz em nove salas no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Aracaju. Ainda não há data prevista para Belo Horizonte.

Apesar de lançado comercialmente agora, o filme foi rodado em 2008 e está pronto desde 2010, quando fez sua première no Festival do Rio e levou o prêmio na categoria voto popular.

A trajetória do esquizofrênico que passou 50 anos internado numa instituição psiquiátrica carioca e lá se revelou artista plástico foi retratada a partir do livro homônimo, de Luciana Hidalgo. Motta reuniu dois atores que posteriormente despontariam na produção nacional: Flávio Bauraqui, que interpreta o personagem-título, e Irandhir Santos, que encarna Wanderley, guarda da Colônia Juliano Moreira próximo a Bispo.

“Não é um filme de trama. O que ele tenta fazer é perseguir a lógica discursiva, a lógica da imaginação do Bispo”, afirma Motta, que rodou quase todas as cenas em Sergipe. Nascido no interior daquele estado, Bispo passou a maior parte da vida no Rio de Janeiro, onde morreu. Todos os objetos de cena – 400 réplicas de obras do artista – foram confeccionados numa oficina que envolveu bordadeiras, artesãos e presidiários sergipanos. “Antes do filme, ele era muito pouco conhecido em Japaratuba, sua cidade natal. Hoje, há pelo menos duas lojas de bordados lá chamadas Arthur Bispo do Rosário”, informa o cineasta.

 

Confira trailer de 'O senhor do labirinto':

 

 

Doutora Nise

A doença mental está em foco em outra cinebiografia já finalizada, mas sem data de estreia. 'Nise da Silveira – A senhora das imagens', de Roberto Berliner, protagonizada por Glória Pires, destaca a trajetória da psiquiatra alagoana, aluna de Carl Jung. Radicalmente contrária a formas agressivas de tratamento como eletrochoque e lobotomia, a doutora Nise foi pioneira em usar a arte como terapia. Entre suas várias realizações estão o Museu de Imagens do Inconsciente, na década de 1950. Na antiga Colônia Juliano Moreira funciona o Museu Arthur Bispo do Rosário, que abriga 800 peças do ex-interno, bem como de outros artistas internados lá.

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