Axé, jazz e bateria do Monobloco agitam a terça-feira de carnaval em BH

Dezenas de blocos continuaram com a animação e arrastaram milhares de pessoas pela capital mineira. Nesta quarta, ao menos quatro blocos ainda vão desfilar


Se engana quem acredita que o último dia de carnaval seria menos animado em Belo Horizonte por causa do cansaço dos foliões. Pelo contrário. Os blocos de rua arrastaram uma multidão pela capital mineira. No Bairro Floresta, na Região Leste, o Juventude Bronzeada levou aproximadamente 50 mil pessoas para as vias. Todos foram embalados pelo som de axé dos anos 90 e de músicas compostas por integrantes do próprio bloco. Na Pampulha, a batida dos tambores do Monobloco deram o ritmo e encantaram quem circulou o Mineirão. A mistura do jazz com samba foi a pegada do Bloco Magnólia, que saiu no Bairro Caiçara, na Região Noroeste. E a folia não acabou. Nesta quarta-feira, ao menos quatro blocos ainda vão divertir os moradores e turistas.


A folia desta terça-feira começou logo de manhã e se estendeu noite adentro. O primeiro a se apresentar foi o Juventude Bronzeada. Nem a chuva forte que caiu durante a apresentação diminuiu o ânimo dos foliões que ficaram até o fim do dia seguindo o bloco pelo Bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte. O desfile terminou por volta das 16h30. De acordo com os organizadores, a agremiação levou cerca de 50 mil foliões para dançar ao som de axé dos anos 90 e de músicas compostas por integrantes do próprio bloco e que são sucesso no carnaval como “Drink do amor”, que homenageia uma bebida típica da folia, o açaí com catuaba, vulgo Catuçaí.


A concentração começou por volta das 10h, entre as ruas Silva Ortiz e Aquiles Lobo, e depois seguiu até a avenida Assis Chateubriand. Na região, todo o trânsito teve de ser desviado. Durante o trajeto, o bloco parou toda vez que percebia um caso de assédio. Em um determinado momento, um homem tentou beijar uma garota a força e a regente da bateria, Marcela Linhares, pediu a ajuda da Polícia Militar e fez um discurso contra o assédio, uma das bandeiras dos blocos carnavalescos da capital.


O tema deste ano do bloco foi o nome do disco que a Juventude produziu para o carnaval. Thales Ferreira é um dos artistas que cantaram no bloco e no disco. Ele é o autor do hino da Juventude, "Bateu no coração", um dos hits que empolgou a multidão.


Uma das apresentações mais esperadas pelo público de Belo Horizonte, arrastou aproximadamente 100 mil pessoas na Esplanada do Mineirão. O grupo Monobloco pediu licença as agremiações da capital mineira, embalou os foliões na noite desta terça-feira de carnaval. A bateria foi formada em oficinas realizadas no barracão do bloco Samba Queixinho.

O cortejo foi realizado no mesmo trio usado pelo Baianas Ozadas, com 6,2 metros de altura, 22 metros de comprimento e 100 mil watts - a maior estrutura de sonorização deste ano. Aproximadamente 60 ritmistas participaram de oficinas no barracão do Samba de Queixinho desde março do ano passado. Outros 30 ritmistas das baterias do Rio de Janeiro, onde o Monobloco surgiu, e São Paulo, onde desenvolve projeto semelhante.

Fundador do Queixinho, Gustavo Caetano, disse que a ideia de convidar o Monobloco surgiu porque ambos tem padrinho musical em comum, o Mestre Odilon Costa."A maioria não sabia tocar. Se inscreveram e iniciaram as oficinas de musicalização todas as quintas-feiras". A turma dos primeiros "batuqueiros"não deixou nada a desejar na apresentação de estreia, apresentando em ritmo carnavalesco sambas, forro e marchinhas. No repertório, foram apresentadas músicas do Skank.



Jazz no carnaval


O Bloco Magnólia, um dos tradicionais da cidade, levou o jazz para as vias do Bairro Caiçara, na Região Noroeste. Com bateria diferenciada, composta por vários instrumentos de sopros, o bloco do maestro Brasilino levou o ritmo de New Orleans para alegrar os folições . A concentração começou ao meiodia, na esquina da Rua Magnólia com Avenida Carlos Luz. A chuva não impediu que centenas de pessoas curtissem o som.


Bloco do Reciclado


Pequeno, mas com uma causa de grande importância. Esse é o Bloco Reciclado que saiu pela primeira vez nesse carnaval. Os foliões, todos vestidos com fantasias feitas de material encontrado no lixo, se concentraram na Rua Paracatu, esquina com a Avenida do Contorno, na Região do Barro Preto, local onde estão localizados diversos galpões de compra, venda e separação de lixo. Durante o trajeto, foram distribuídas mudas de pitanga.


A maioria são amigos que fazem parte do Coletivo Lixo Zero que une música e teatro ao debate sobre a preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Formado por cerca de 50 pessoas, o bloco desfilou por um pequeno percurso, chamando a atenção por causa de um tatu gigante feito de placas sanfonadas, jornal e papelão.


Ele é um protótipo de animais gigantes que serão exibidos no carnaval de 2018. Serão representados bichos do cerrado, segundo maior bioma da América do Sul e um dos maiores do Brasil ameaçado pela ocupação urbana. O projeto do coletivo foi um dos selecionados para a folia do ano que vem por meio de leis de incentivo à cultura.

Folia não acabou


A quarta-feira de cinzas ainda será marcada pela saída de, ao menos, quatro blocos de rua. O I wanna love you vai se concentrar na Praça do Grota, no Bairro Sagrada Família, por volta das 16 horas. Já o Bloco da Saudade, começa o seu desfile na rua Arcos, no Bairro Saudade, também às 16h. O Bloco Arrasta + Bloco de Favela se concentram no Beco Central A, na Vila Antena, ao meio-dia.


Outro bloco que vai desfilar pela cidade é o Manjericão. Porém, até a publicação desta reportagem, os organizadores não divulgaram o horário e o endereço onde ele vai circular.

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