Carnaval de 2014 levanta perguntas sobre como será a folia na cidade nos próximos anos

Mesmo triplicando de tamanho, o carnaval belo-horizontino não perdeu seu caráter político

por Renan Damasceno 05/03/2014 07:45

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Renan Damasceno/ EM/D.A Press
(foto: Renan Damasceno/ EM/D.A Press)
Depois de quase uma década na incubadora e de sofrer um crescimento precoce no ano passado – quando os foliões tomaram de assalto as ruas da capital sem lenço, documento, nem banheiro químico para as necessidades –, o carnaval de Belo Horizonte passou pela puberdade com todos os questionamentos e dúvidas pertinentes à idade. A festa de 2014 serviu para separar com clareza os bloquinhos dos blocões, democratizar ainda mais o acesso à folia, mas também levantou perguntas sobre como será a folia belo-horizontina nos próximos anos.

A afirmação dos grandes blocos parece ter sido o maior legado de agora. Então Brilha!, sábado, da Rua Guaicurus à Praça da Estação; Alcova Libertina, domingo, na Savassi; e Baianas Ozadas, segunda-feira, partindo da Praça da Liberdade rumo à Afonso Pena, levaram milhares às ruas, com bandas e baterias afinadas, um profissionalismo impensável há alguns anos. Já o esforço dos blocos menores, muitos diurnos e em bairros, é notável, por ser uma opção para todas as idades.

Ontem, o último dia de Momo serviu para selar a paz entre o Bairro Santa Tereza, tradicional reduto da boemia, e foliões. A queda de braço de moradores e coordenadores de bloco que se arrastou pelos últimos meses – em função da falta de estrutura de 2013 –, acabou esvaziando a festa no bairro nos primeiros dias, mas o belo desfile do Bloco da Esquina, ontem, foi da grandeza que as históricas ruas merecem. Com direito a chuva (de mangueira), suor e cerveja, os moradores saudaram os cerca de 600 foliões, cantando e batucando músicas do Clube da Esquina – e o sol na cabeça.

Por fim, mesmo triplicando de tamanho, o carnaval belo-horizontino não perdeu seu caráter político – responsável, aliás, pelo ressurgimento da festa. Alguns grupos outsiders, formados por pessoas com forte sentimento de ruptura com o establishment e ligadas a movimentos de ocupação consciente do espaço público, fizeram algumas das festas mais emblemáticas. Caso do Pena de Pavão de Krishna, que misturou o afoxé com o hare-krishna, pintando de azul as vielas e becos da Região Oeste; do Filhos de Tcha Tcha, que neste ano marchou até a ocupação urbana Zilah Spósito, no limite da capital e Santa Luzia; e outros blocos menores, como o Tico Tico Serra Copo, que pelo sexto ano visitou os becos do Aglomerado da Serra; e do Unidos de Barro Preto, que fez tremer o Barro Preto com os tambores do maracatu.

Que o caráter festivo, cultural, familiar e democrático prevaleça no carnaval belo-horizontino nos próximos anos. Até 2015!

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