Em Mariana, o bloco Banda dos Farrapos distribuiu centenas de litros de bebida para os foliões

O Charanga de Lata saiu pelas ruas de Ouro Preto depois de 40 anos sem desfilar

por Paulo Henrique Lobato 04/03/2014 08:21

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Túlio Santos/EM/D. A Press
O Charanga de Lata foi fundado na década de 1960 por funcionários de uma fábrica de alumínio (foto: Túlio Santos/EM/D. A Press)
Ouro Preto e Mariana
– Os blocos de rua voltaram a arrastar, ontem, uma multidão de foliões de todas as idades pelas ladeiras das duas principais cidades históricas da Região Central de Minas. Em Mariana, o Banda dos Farrapos, que distribuiu centenas de litros de caipirinha, desfilou pela Praça da Sé e do Jardim. Em Ouro Preto, um dos destaques foi a Charanga de Lata, que voltou a contagiar homens e mulheres após 40 anos de inatividade.

O grupo foi criado na década de 1960 por funcionários da fábrica Aluminas Minas Gerais. Durante o horário de almoço, eles usavam latas em que era armazenado o carbureto, um produto usado no preparo de soldas oxiacentiênicas, para batucar. Da linha de produção, foram para as ladeiras. Até a tarde de ontem, o último desfile do grupo, cujos principais instrumentos são latas e tambores, havia sido há quatro décadas.

“Vamos alegrar os foliões”, comemorou Geraldo Itatiaia, um dos responsáveis pelo grupo. O Charanga de Lata deixou muita gente emocionada. Os integrantes passaram pela Praça Tiradentes, desceram a Rua Direita e arrastaram muitas crianças e adultos. “Os blocos devem ser sempre prioridade no nosso carnaval”, defendeu a gestora cultural Martha Toffolo, de 56 anos. Ela e a família foram pular a folia fantasiados como os personagens da animação Obelix e Asterix.

O irmão dela, o empresário Juilano Tofollo, de 57, caprichou no visual do Obelix. Ele é natural da cidade, mas mora em Pará de Minas, no Centro-Oeste do estado: “Não deixo de me divertir no carnaval daqui. É muito gostoso”. Ele e os parentes chamaram atenção de várias pessoas. Algumas, mesmo à distância, fotografaram a família Toffolo. Outros pais e filhos também subiram e desceram as ladeiras exibindo fantasias. Houve quem pulou o carnaval como super-herói e até quem se vestiu como freira.

Homens maquiados como mulheres e mulheres com barba maquiada no rosto também havia aos montes. Para evitar que toda a festa fosse concentrada na Praça Tiradentes, a prefeitura local montou seis palcos pela cidade. Neles, se apresentaram artistas nacionais e internacionais, como o grupo argentino Pollerapantalon, que se apresentou na noite de anteontem. A folia também foi boa nos blocos pagos e nas repúblicas. Nas casas coletivas dos estudantes, caixas de som foram colocadas nas portas. O ritmo foi variado: samba, pagode, funk...

Pessoas de todas as idades também se divertiram em Mariana, onde duas bandas se apresentaram ao mesmo tempo na Praça do Jardim. O som de uma não prejudicou o da outra, em razão de as caixas de som estarem viradas para lados opostos. “Assisto um pouco aqui e, depois, ali”, contou o estudante Francisco Alves, de 18. Ele deixou o local para ir à concentração do bloco Banda Farrapos, fundado há 27 anos e que distribuiu mais de 500 litros de caipirinha neste carnaval aos seus integrantes.

O Farrapos é guiado por carro de som pelas ruas do município. Neste carnaval, o grupo fez dois cortejos. O primeiro foi no último sábado. Na Praça da Sé, um palco foi montado para receber o artista Saulo Laranjeira. A apresentação estava agendada para 23h.

A Prefeitura de Mariana investiu pesado para trazer músicos renomados neste carnaval. Para se ter ideia, Luan Santana se apresentou no sábado. No domingo foi a vez de Alexandre Peixe. O sertanejo Gustavo Lima foi a atração de ontem. Hoje será a vez do pagodeiro Thiaguinho. Os shows são gratuitos.

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