Lavagem do Bandeirante agita Carnaval em Pitangui

Com água, sabão e marchinhas, foliões lavam estátua e revivem carnaval em cidade histórica

02/03/2014 20:39

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Ricardo Welbert
Especial para o EM


Ricardo Welbert/ Especial para o EM
Água de caminhão-pipa é usada para lavar estátua em Pitangui (foto: Ricardo Welbert/ Especial para o EM)

Em Pitangui, município do Centro-Oeste com 298 anos de fundação, o domingo de Carnaval foi marcado pela 5ª edição da Lavagem do Bandeirante, que mistura marchinhas, água e história. Organizado por quatro amigos que editam um blog sobre a cidade, o evento consiste em reunir o público na praça para lavar a estátua do bandeirante Domingos do Prado, reconhecido como primeiro morador do povoado que deu origem ao município. Cerca de 600 pessoas participaram.

A centenária Lira Musical Viriato Bahia Mascarenhas, tradicional banda da cidade, reviveu sucessos carnavalescos como "Mamãe eu quero", "Cabeleira do Zezé", "Se você fosse sincero" e "Me dá um dinheiro aí". No auge da folia, a chegada do caminhão-pipa animou ainda mais o público. Juntos, os amigos que organizam o evento se revezaram no controle da mangueira e na lavagem da estátua.

Com o bandeirante de banho tomado, o jato de água passou a ser direcionado à multidão. Enquanto alguns se esconderam para não se molhar ou não ter a câmera fotográfica danificada, outros se deixaram molhar. É o caso do analista de sistemas Gabriel Pereira, que ficou ensopado. "Acho a Lavagem do Bandeirante um evento cultural fantástico, onde os pais podem deixar as crianças correrem e se divertirem no meio da multidão, sem se preocuparem", comentou.

Ricardo Welbert/ Especial para o EM
(foto: Ricardo Welbert/ Especial para o EM)


Autor de cinco livros sobre Pitangui, o escritor Jorge Mendes Guerra Brasil prestigiou a Lavagem do Bandeirante pelo quarto ano consecutivo. "É uma forma de trazer o Carnaval a outros locais de Pitangui. Uma coisa muito interessante que deverá servir também para outros bairros da cidade", disse.
A brincadeira com a água do caminhão-pipa durou cerca de 30 minutos. Ao final, foliões como o carpinteiro Rodrigo Alves Carvalho voltaram para casa molhados, mais felizes. "A Lavagem do Bandeirante é um evento ímpar. Diversão saudável que reúne o povo na rua para relembrar o antigo Carnaval de rua", comentou Carvalho.

Um dos organizadores, o tecnólogo Vandeir Santos disse que o evento superou sua expectativa. "Acho que os pitanguienses começaram a acreditar na Lavagem como a festa da família pitanguiense. Acredito que o mais importante é que não tem bagunça, não tem baderna. Para a cultura da cidade, é muito positivo", disse.

Para o prefeito pitanguiense, Marcílio Valadares (PSDB), a Lavagem do Bandeirante simboliza o passado. "A história conta que os bandeirantes não tinham hábito de tomar banho. No fim de cada dia, lavavam apenas os pés. Como banho era coisa rara para eles, faz sentido o bandeirante de Pitangui tomar esse banho uma vez por ano", explicou.

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