As crises de ansiedade se tornaram um tema recorrente em conversas do dia a dia, em consultórios de saúde e em ambientes de trabalho. Em 2025, estimativas internacionais continuam apontando a ansiedade como um dos transtornos mentais mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas em diferentes faixas etárias. Nesse contexto, o psicólogo Marcelo Parazzi, mostra como compreender o que é uma crise de ansiedade, como ela se manifesta e de que forma pode ser tratada ajuda a reduzir dúvidas, medos e desinformação em torno do assunto.
O que é crise de ansiedade e como ela se manifesta
O sentimento de ansiedade em si não representa um problema. Trata-se de uma resposta natural do organismo diante de situações de expectativa, mudança ou desafio, como uma entrevista de emprego, provas escolares ou decisões importantes.
A preocupação surge quando essa reação deixa de ser pontual e passa a aparecer em forma de crises intensas, súbitas e desproporcionais ao contexto, interferindo na rotina, no trabalho, nas relações sociais e na saúde física.

Como identificar uma crise de ansiedade no dia a dia
A crise de ansiedade, também chamada por muitos de ataque de pânico, é um episódio em que o corpo reage como se estivesse diante de um perigo imediato, mesmo quando não há ameaça concreta. Nesses momentos, o organismo libera substâncias relacionadas ao estresse, como a adrenalina, desencadeando sintomas físicos e mentais.
Entre os sinais mais descritos em uma crise de ansiedade estão batimentos cardíacos acelerados, respiração rápida, tremores, suor frio, sensação de falta de ar, aperto no peito, tontura e formigamentos. Em muitos episódios, surgem também pensamentos catastróficos, como medo de morrer, de desmaiar ou de enlouquecer.
Como diferenciar crise de ansiedade de problema cardíaco
A semelhança entre a dor no peito causada pela crise de ansiedade e a dor de origem cardíaca gera preocupação e, muitas vezes, leva à busca por atendimento de urgência. A dor associada ao infarto costuma ser mais prolongada e pode irradiar para ombros, braços, queixo ou costas.
Já na ansiedade, o desconforto no tórax geralmente vem acompanhado de hiperventilação, sensação de sufocamento e medo intenso, que tendem a oscilar e diminuir à medida que a crise passa. Apesar disso, qualquer dor forte ou persistente no peito deve ser avaliada por um médico.
Como agir durante uma crise de ansiedade
Durante uma crise de ansiedade, é essencial tentar interromper o ciclo em que o medo dos sintomas intensifica o próprio quadro. Técnicas simples, voltadas à respiração e ao foco no momento presente, podem ajudar a reduzir o impacto do episódio agudo.
Entre as estratégias mais citadas por especialistas, como a Dra. Ana Escobar, e que podem ser aplicadas tanto pela própria pessoa quanto com apoio de alguém de confiança, estão:
- Respiração controlada: inspirar pelo nariz e expirar pela boca de forma lenta e profunda.
- Foco na respiração abdominal: direcionar o ar para a barriga, deixando-a expandir e contrair, em vez de movimentar apenas o peito.
- Relaxamento muscular: perceber partes do corpo mais contraídas, como mandíbula, pescoço e ombros, e soltá-las gradualmente.
- Estratégias de distração: contar números, cantar mentalmente uma música ou olhar fixamente para um objeto específico.
Quais tratamentos ajudam a controlar a crise de ansiedade
Após um ou mais episódios, o medo de novas crises pode levar ao afastamento de locais, pessoas e situações associadas ao evento anterior. Nessa fase, o acompanhamento profissional é fundamental para manejo das crises e compreensão das causas.
Em 2025, um dos recursos mais utilizados continua sendo a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Em alguns casos, o psiquiatra pode indicar o uso de medicação, como antidepressivos e ansiolíticos, sempre com prescrição e acompanhamento adequados.
Como prevenir novas crises de ansiedade no cotidiano
Evitar completamente uma crise de ansiedade nem sempre é possível, mas algumas medidas reduzem o risco de novos episódios. Cuidados com sono, alimentação, atividade física regular e redução de cafeína, nicotina e álcool ajudam a diminuir o nível geral de estresse.
Práticas de manejo emocional, como meditação guiada, exercícios de atenção plena (mindfulness) e organização do tempo, também são úteis. Quando somadas ao tratamento com psicólogo e, se necessário, psiquiatra, aumentam as chances de controle duradouro do transtorno de ansiedade.






