Projeto usa contação de histórias para crianças entenderem o que sentem

Sessões do Caixinha de Emoções em Camaçari ensinam, de forma lúdica, como reconhecer sentimentos a partir das narrativas

Uma história bem contada pode ajudar uma criança a dar nome ao que sente. Essa é a ideia por trás do projeto “Caixinha de Emoções – Ka aguasu Atyha”, que levou sessões de contação de histórias a quatro espaços comunitários de Camaçari, na Bahia, para ensinar os pequenos a lidar com as próprias emoções de um jeito leve.

A iniciativa é do Projeto Ciranda do Saber e foi além das histórias. Cada local recebeu uma biblioteca, com estantes, mesas e livros. Segundo a organização, cerca de 600 crianças são beneficiadas diretamente, e outros 150 adultos, entre educadores e funcionários, também têm acesso ao acervo.

Como funcionam as sessões

Nas contações, a narrativa é o ponto de partida. A partir dela, as crianças aprendem a reconhecer o que sentem e a encontrar maneiras de lidar com esses sentimentos, num formato lúdico, próximo da brincadeira. O nome do projeto vem justamente dessa proposta.

O entusiasmo apareceu cedo. “As crianças se entusiasmaram com o Projeto desde o conhecimento de sua existência, durante o acolhimento, até o momento da brilhante contação de história”, relata Aysha M. N. Benevides, diretora do Grupo de Mães Nossa Senhora do Amparo, um dos locais atendidos.

O que a escola tem a ver com emoções

Falar de sentimentos com crianças faz parte do que se espera da educação básica no Brasil. A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) tem, entre as suas dez competências gerais, uma que prevê que os estudantes aprendam a cuidar da saúde física e emocional, reconhecendo as próprias emoções e as dos outros.

O assunto também chegou à lei. Em janeiro de 2024, a Lei 14.819 criou a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, com o objetivo de promover a saúde mental de alunos, profissionais e famílias.

Livros a caminho de casa

Além do Grupo de Mães Nossa Senhora do Amparo, receberam as bibliotecas a Escola e Creche Comunitária Carmem Mirim, a Associação Paulo Tonucci – Escola Infantil Apito e a Associação de Pais e Mestres do Parque Florestal e Adjacências. São lugares que as famílias de Camaçari já frequentam no dia a dia. A cidade, na Região Metropolitana de Salvador, tinha 300.372 habitantes no Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para Meire Nascimento, idealizadora do Projeto Ciranda do Saber, a distância até o livro conta muito. “O acesso ao livro e a um espaço de leitura muda a relação das pessoas com o conhecimento. Quando uma criança encontra uma biblioteca perto de casa, ela ganha a oportunidade de descobrir novas histórias e de ampliar seus horizontes”, diz.

Na Escola e Creche Comunitária Carmem Mirim, a nota foi a mais alta possível. “Avalio o projeto Caixinha de Emoções com nota máxima”, afirma Marli Azevedo, coordenadora pedagógica.

De olho no próximo ano

Quem recebeu o projeto quer que ele continue. Leiliane M. S. Cavalcante, coordenadora geral da Associação Paulo Tonucci – Escola Infantil Apito, afirma: “Melhorar sempre é importante; a continuidade desse tipo de parceria fortalece a educação como um todo.” Tatiana dos Santos, diretora da Associação de Pais e Mestres do Parque Florestal e Adjacências, faz um pedido: “Que a equipe do Projeto Ciranda do Saber possa acompanhar anualmente nossa biblioteca”.

O Caixinha de Emoções tem patrocínio da TAG (Transportadora Associada de Gás) e realização do Projeto Ciranda do Saber, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet. Em Camaçari, a contação de histórias foi o caminho escolhido para que as crianças aprendessem a reconhecer o que sentem, agora com livros ao alcance delas nos lugares que já frequentam.