Quanto custa o seguro de uma casa na Flórida?

O prêmio médio por apólice é de US$ 3.736 no mercado admitido, já com cobertura de vento. A arquiteta Andria Tagliari explica por que a construção da casa também pesa nessa conta

Quem pensa em ter casa na Flórida logo esbarra numa pergunta prática: quanto sai o seguro? A referência mais recente do Florida Office of Insurance Regulation (OIR), o regulador estadual, é de prêmio médio de US$ 3.736 por apólice no mercado admitido, com a cobertura de vento incluída, em dados de setembro de 2026. Esse mercado reúne as seguradoras privadas autorizadas pelo OIR e deixa de fora a estatal Citizens e as seguradoras de linhas excedentes.

A média dá uma noção do gasto, mas cada casa tem a sua conta, e parte dela nasce no projeto, explica Andria Tagliari, arquiteta e designer de interiores brasileira radicada nos Estados Unidos, que soma mais de 80 mil pés quadrados (cerca de 7.400 m²) sob gestão em projetos residenciais e comerciais na Flórida. Para ela, esquadrias, aberturas e cobertura entram nessa conta desde o desenho.

O preço subiu ou caiu?

Caiu um pouco em 2025. As tarifas de seguro residencial no estado recuaram 0,92%, enquanto a média ponderada nacional subiu 5,5%, e nenhum outro estado teve redução, segundo relatório da S&P Global citado pelo OIR, como noticiou a Florida Realtors em setembro de 2026.

O que a construção tem a ver com isso?

Tem a ver por força de lei. A seção 627.0629 dos estatutos da Flórida manda que as tarifas de seguro residencial prevejam descontos, créditos ou franquia menor para casas com técnicas construtivas que comprovadamente reduzem perdas com vento. Contam, entre outros itens, telhado e cobertura resistentes, ligação reforçada entre telhado e paredes, proteção das aberturas e janelas, portas e claraboias resistentes. Segundo o Departamento de Serviços Financeiros da Flórida, o desconto vale sobre a parte do prêmio referente à cobertura de furacão.

A medida do desconto vem de um estudo do Hutchins Center, da Brookings Institution, publicado em julho de 2026. Nos mais de 18 milhões de registros de apólices da Citizens analisados, de 2002 a 2023, a classe mais alta de proteção de aberturas, que inclui persianas contra furacão e janelas resistentes a impacto, chegou a 44% do prêmio total em desconto potencial. Os pesquisadores lembram que o desconto não conta a história toda: a redução de perdas que a apólice não cobre, como a franquia, a segurança dos moradores e uma eventual valorização do imóvel na revenda ficam fora do cálculo.

“Resiliência é decisão de projeto e precisa entrar na primeira conversa, junto com o programa da casa. É nesse momento que se definem a forma da cobertura, o tamanho dos vãos e o tipo de esquadria. Quando fica para o fim da obra, vira adaptação sobre escolhas que já foram feitas”, afirma Andria.

O governo ajuda a pagar a reforma?

Ajuda, mas com regras apertadas. O programa My Safe Florida Home, do Departamento de Serviços Financeiros, cobre até US$ 10 mil por casa em proteção de aberturas e reforço do telhado, e em regra o dono entra com US$ 1 para cada US$ 2 do estado. Para ter direito, a casa precisa ser a moradia principal, com isenção fiscal de homestead, ter sido construída antes de 2008 e ter valor segurado de até US$ 700 mil, e o dono precisa ter renda baixa ou média. Imóvel de temporada, segunda casa e imóvel de aluguel não entram.

Resumindo: no mercado admitido, o prêmio médio por apólice é de US$ 3.736 com cobertura de vento, e o prêmio de cada casa depende também de como ela foi construída. “O projeto precisa entrar na planilha antes da escritura. Na Flórida, essa planilha inclui o custo de manter a casa, o custo de segurá-la e a forma como ela será avaliada por quem comprar depois”, completa a arquiteta. Quem quiser conhecer o trabalho dela encontra residências e espaços comerciais de alto padrão nos projetos de Andria Tagliari.