Quanto custa usar o carro como garantia para pagar dívidas
Taxas a partir de 1,09% ao mês chamam atenção, mas avaliação do veículo, gravame e seguro entram na conta final
Colocar um veículo quitado como garantia para pagar dívidas mais caras virou uma das saídas mais procuradas por quem tenta reduzir o custo do crédito no Brasil. A Nexus Credi, correspondente bancária de Belo Horizonte que opera com garantia de veículo e de imóvel, tem no crédito com garantia de veículo uma das frentes que mais cresceu na empresa. Mas antes de contratar, é preciso entender exatamente quanto essa operação custa, além da taxa anunciada.
A taxa não é o custo total
A taxa nominal do crédito com garantia de veículo parte de patamares próximos de 1,09% ao mês mais IPCA, valor bem abaixo do crédito pessoal não consignado, que oscilou entre 8,4% e 8,6% ao mês no primeiro semestre, segundo o Banco Central. Mas esse número isolado não representa o custo efetivo total (CET) da operação. O CET soma à taxa a avaliação do veículo, o registro do gravame no Sistema Nacional de Gravames, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e, em muitos contratos, o seguro do bem dado em garantia.
Esses custos pesam proporcionalmente mais em operações de valor menor, mas no crédito com garantia de veículo tendem a ser mais baixos do que os equivalentes em uma operação imobiliária, o que ajuda a viabilizar dívidas de ticket médio, mais comuns entre famílias brasileiras.
Prazo também mexe na conta
Além do CET, o prazo do contrato influencia diretamente o custo. Operações com garantia de veículo são fechadas em horizontes de 12 a 60 meses, mais curtos do que os de operações com imóvel, que chegam a 240 meses. Prazos mais curtos reduzem o total de juros pagos ao longo do contrato, mas aumentam o valor da parcela mensal. Comparar apenas a prestação, sem olhar o custo total, é o erro mais comum na hora de decidir.
“A pergunta certa não é qual taxa você conseguiu, é quanto você vai pagar no fim. Tem operação com taxa menor e custo total maior, e é aí que a troca deixa de fazer sentido”, afirma João Viríssimo, diretor da Nexus Credi.
Quem pode contratar
O perfil das operações com veículo em garantia observado no mercado exige bem com até 17 anos de fabricação e documentação regular. Quando o veículo ainda está parcialmente financiado, parte do novo crédito é destinada a quitar o saldo remanescente antes da liberação do restante ao cliente.
O momento também favorece a busca por essa modalidade. O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de consumidores com registro de inadimplência, o maior nível desde o início da série da Serasa, em 2010, e 82% das famílias tinham dívidas a vencer, segundo a Confederação Nacional do Comércio.
Para dívidas maiores, o crédito com imóvel em garantia é outra opção, com taxas a partir de 1% ao mês e prazos de até 240 meses, mas com processo de formalização mais lento, já que envolve avaliação, matrícula e registro em cartório. Antes de decidir entre as duas modalidades, especialistas recomendam pedir o CET por escrito e comparar o valor final de cada operação, não apenas a taxa mensal.