Por que o dólar sobe em ano de eleição, e por que nem sempre ele sobe
A eleição não empurra a moeda numa direção só. Ela aumenta a incerteza, e a incerteza tem preço. Entenda o que é a janela eleitoral e como as empresas se protegem dela
Todo ano de eleição a mesma ideia circula: o dólar vai subir. Nem sempre é o que acontece. O que a eleição faz, de forma consistente, é aumentar a incerteza sobre o rumo da economia, e incerteza tem preço: a cotação passa a carregar um prêmio de risco pelos dois resultados possíveis, e a volatilidade sobe. Esse período, de agosto a outubro, é o que as mesas de câmbio chamam de janela eleitoral.
A GX Capital deu nome a esse comportamento ainda em maio: dólar eleitoral. Na época, a mesa projetou um pico de R$ 5,55 no terceiro trimestre, com o dólar na casa de R$ 4,91. Em 8 de setembro, a moeda operava abaixo de R$ 5,12, com projeções de mercado para o mês entre R$ 5,15 e R$ 5,20.
“Dólar eleitoral não é uma previsão de preço, é um regime: de agosto a outubro a volatilidade sobe e o prêmio de risco entra na cotação. Quem trata a janela como aposta paga o pico; quem trata como calendário escalona NDF em tranches e captura cerca de 85% do prêmio sem tentar acertar o topo”, explica Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.
Ou seja: o termo não é uma previsão de preço. É o nome de um regime. O primeiro turno é em 4 de outubro e o segundo em 25 de outubro, e o que se observa em ciclos anteriores é que o movimento depois do resultado, a acomodação, costuma ser mais rápido do que a subida antes dele.
Para quem importa ou exporta, a resposta prática não é adivinhar o nível. É escalonar: dividir a compra ou a venda de dólar em partes ao longo dos meses, com contratos a termo, para que o custo médio não dependa de um dia só. A GX chama isso de hedge em camadas.
“Depois do segundo turno vem a acomodação, e ela costuma ser mais rápida do que a subida. A carteira que chega em novembro com as camadas montadas decide com calma; a que chega no spot decide sob pressão”, diz Teixeira.
Na empresa, o desenho dessas camadas passa pelo Auron IA, tecnologia própria disponível no aplicativo do cliente. Respondendo ao título: o dólar sobe em ano de eleição porque a incerteza sobe. E quem se protege não é quem acerta o número, é quem não deixa o resultado com a urna.