Brasileiros explicam na Europa como sono, comida e exercício viram dado de saúde

Dois representantes da ABMed, instituto da Faculdade Península, participam de congresso internacional que discute como hábitos do dia a dia podem ser registrados e usados pelos sistemas de saúde

Dormir bem, se alimentar com equilíbrio e se manter fisicamente ativo costumam ser tratados como hábitos pessoais. Mas essas informações também podem virar dado clínico, algo que sistemas de saúde conseguem registrar, cruzar e utilizar. É esse o tema que dois representantes da ABMed (Academia Brasileira de Medicina e Tecnologia), instituto da Faculdade Península, levam ao 7º European Lifestyle Medicine Congress (ELMO 2026), em Bruxelas, entre os dias 10 e 12 de setembro.

Marcelo Fiszman, MD, PhD, professor da ABMed, integra a mesa de longevidade do congresso com a apresentação “AI and Semantic Interoperability for Computable Lifestyle Medicine”. Segundo a programação oficial do evento, a fala discute como inteligência artificial, interoperabilidade semântica, ontologias biomédicas e grafos de conhecimento podem contribuir para tornar computáveis informações como padrão alimentar, atividade física, sono, comportamento e saúde psicossocial, integrando esses dados aos demais registros clínicos de uma pessoa.

Fiszman tem doutorado em Informática Biomédica e pós-doutorado no National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, e atua na interface entre medicina, inteligência artificial, processamento de linguagem e representação do conhecimento. Na mesa de longevidade, ele divide a programação com Ioannis Arkadianos, presidente da European Lifestyle Medicine Organization, Chris Bachtsetzis, médico que atua com Medicina Interna e longevidade na Suíça, e Michel Poulain, demógrafo belga conhecido por suas pesquisas sobre as Blue Zones, regiões do mundo com maior concentração de pessoas centenárias.

A programação também traz uma segunda participação brasileira. Rose Claudia Batistelli Vignola, aluna da ABMed, teve o trabalho “Depression, anxiety and stress scale: validation and applicability” aceito na programação científica do congresso. Rose foi responsável pela adaptação e validação, para o Brasil, da Depression, Anxiety and Stress Scale (DASS-21), instrumento usado para mapear sintomas de depressão, ansiedade e estresse.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, doenças cardiovasculares, cânceres, diabetes e doenças respiratórias crônicas respondem por cerca de 74% das mortes no mundo, e fatores como tabagismo, inatividade física, alimentação inadequada e uso nocivo de álcool estão entre os riscos associados a essas condições. É justamente sobre a mudança desses hábitos que trabalha a Medicina do Estilo de Vida, especialidade que estuda o impacto do comportamento cotidiano sobre a saúde.

O congresso, realizado no The Hotel Brussels, reúne mais de 20 apresentações em sete mesas temáticas, entre elas nutrição, saúde cardiovascular, ambiente, prática clínica, longevidade e comunidade, além de uma trilha dedicada às Living Blue Zones, conduzida por Poulain e sua equipe.

A presença de professores e alunos da ABMed no evento faz parte de uma parceria já existente entre a instituição e a ELMO: a ABMed é parceira oficial e exclusiva da organização europeia no Brasil, o que conecta a formação desenvolvida no país ao ecossistema científico internacional da Medicina do Estilo de Vida.