GX Capital: a pergunta que pode reduzir o custo do crédito da empresa
Ativo parado na empresa pode virar garantia de crédito mais barato, aponta boutique financeira GX Capital
Toda empresa tem alguma coisa parada que poderia estar rendendo, e a resposta muitas vezes está mais perto do que parece. Segundo a GX Capital, boutique financeira especializada em câmbio e crédito estruturado, a pergunta certa não é “qual a taxa”, é “qual ativo eu tenho parado”.
“A pergunta que o empresário deveria fazer não é qual a taxa, é qual ativo eu tenho parado que poderia estar sustentando essa operação. Quase sempre existe um, e quase sempre ele está ocioso”, afirma Vinicius Teixeira, CEO da GX Capital.
O que muda quando o ativo entra na conta
No crédito bancário tradicional, o banco olha faturamento, endividamento, histórico e setor da empresa, atribui uma nota e precifica a partir dela. Quanto menor e menos conhecida a empresa, pior a nota e mais cara a linha. É por isso que negócio saudável, com operação sólida, muitas vezes paga taxa de capital de giro que não faz sentido para a realidade dele.
No crédito estruturado, a lógica muda de lugar. Em vez de olhar só para a empresa, o estruturador olha para o ativo que vai sustentar a operação, seja um imóvel, um conjunto de recebíveis ou um contrato de fornecimento de longo prazo. Se o ativo é bom, líquido e bem amarrado juridicamente, o risco cai e o preço acompanha.
O que precisa estar em ordem antes de negociar
Três coisas costumam travar essa conversa. A primeira é a situação jurídica do ativo: pendência de matrícula, inventário em aberto ou disputa societária transformam um ativo bom em problema. A segunda é ter números financeiros que se sustentam, consistentes e conciliados. A terceira, e a que mais pesa no preço, é saber para onde vai o dinheiro: apontar capital de giro sem mais explicação é o que mais encarece a operação, porque o estruturador não enxerga de onde vai sair o caixa que paga a dívida depois.
Trocar dívida cara por dívida barata é a resposta que muda a conta
Trocar uma linha cara por outra mais barata, financiar um contrato que já foi assinado ou destravar um investimento com retorno mapeado são respostas que fazem sentido para quem estrutura a operação, e isso muda a taxa final.
Nada disso é novo. Alienação fiduciária de imóvel, cessão de recebíveis, debêntures e outros instrumentos existem há décadas e sempre foram usados por grandes empresas com área financeira estruturada. O que mudou foi o alcance desses instrumentos, hoje acessíveis também para negócios de médio porte.
“O que mudou não foi o instrumento, foi o alcance. Essas operações sempre existiram, só não chegavam à empresa de médio porte porque não havia quem estruturasse na medida dela. O trabalho hoje é de tradução e de acesso, não de invenção”, afirma Vinicius Teixeira.
Esse movimento aparece nos números do mercado de capitais brasileiro. O país captou R$ 361,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, maior volume da série histórica da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), iniciada em 2012, com 1.513 operações no período, 13% a mais que no mesmo semestre de 2025.
Antes de perguntar qual é a taxa, vale olhar em volta e identificar o que está parado. Segundo a GX Capital, esse é o primeiro passo para descobrir se a empresa já tem, sem saber, o que precisa para conseguir crédito mais barato.