Preço de servidor para IA quase dobrou em três meses; entenda os números

Módulo de memória RDIMM foi de US$ 450 para mais de US$ 900 entre o fim de 2025 e o início de 2026, mostram levantamentos do setor

Quem pensa em montar ou ampliar um servidor para rodar inteligência artificial em 2026 vai encontrar um preço bem diferente do que via há um ano. O módulo de memória RDIMM de 64 GB, usado em servidores corporativos, custava cerca de US$ 450 no fim de 2025 e ultrapassou os US$ 900 no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Counterpoint Research. A projeção da consultoria é de que o valor rompa a barreira dos US$ 1.000 ainda neste ano.

Os números por trás da alta

O movimento não é isolado. A TrendForce mediu alta de cerca de 93% a 98% nos contratos de DRAM convencional no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, e projeta novo avanço na casa de 60% no trimestre seguinte. Já o Gartner projeta elevação de 125% nos preços anuais de DRAM ao longo de 2026, sem previsão de alívio significativo antes do fim de 2027.

A memória representa metade do custo de um servidor, o que explica por que a conta final para montar uma máquina de inteligência artificial mudou tanto em tão pouco tempo. Em entrevista recente, o COO da Dell afirmou que o ciclo mais longo de desabastecimento de que se lembra durou três trimestres, enquanto o atual caminha para doze meses ou mais.

No Brasil, a Abinee já comparou o momento ao auge da pandemia, com uma diferença importante: em 2020 o desajuste era temporário, agora é estrutural. Segundo a entidade, as negociações de memória chegaram a reajustes de até 100% ao longo da cadeia.

Na prática, isso significa que quem orçou um servidor no fim de 2025 e voltou a cotar o mesmo equipamento em 2026 encontrou um valor bem diferente do esperado. Não é um reajuste pontual de um fornecedor, é um movimento generalizado que aparece em toda cotação de memória, seja para servidor novo, seja para upgrade de máquina existente.

Por que a memória ficou tão disputada

A explicação está em para onde a indústria direcionou sua produção. Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram linhas inteiras de fabricação para HBM, o tipo de memória de alta largura de banda usado nas GPUs de data center de inteligência artificial, porque a margem ali é várias vezes maior. Fabricar HBM consome cerca de três vezes mais capacidade de wafer do que uma memória convencional, segundo a Counterpoint, o que reduz o volume disponível para os servidores do dia a dia.

O efeito chegou a inverter a lógica de preço do mercado: em determinados momentos, o DDR4 usado em equipamento de entrada passou a ser negociado por gigabit acima do DDR5 de servidor, simplesmente porque a indústria parou de priorizar sua fabricação.

Essa inversão surpreende quem acompanha o mercado de tecnologia há mais tempo, porque o DDR4 é uma geração de memória mais antiga, normalmente mais barata que a geração seguinte. O fato de ele ter passado a custar mais por gigabit em certos momentos mostra o tamanho da distorção provocada pela migração da produção para HBM.

O que fazer diante do preço atual

Diante desse cenário, a recomendação de especialistas do setor é evitar comprar mais memória do que a carga de trabalho efetivamente exige, já que cada gigabit a mais no pedido custa quase o dobro do que custava há poucos meses. Também vale comparar o preço de equipamento novo com o de servidores de geração anterior revisados, que já vêm com memória instalada e podem custar uma fração do valor de uma máquina nova equipada do zero.

Para quem está cotando equipamento agora, a MSServer, empresa que atende pequenas e médias companhias com infraestrutura de servidores e nuvem privada, recomenda dimensionar bem a carga de trabalho antes de fechar a compra e avaliar alternativas como equipamento seminovo revisado, que pode entregar a mesma capacidade por uma fração do custo de uma máquina nova.