Ladeiras íngremes, casario colorido e o mar aos pés recebem quem chega a Olinda. A 6 km do Recife, a cidade foi chamada de pequena Lisboa no século XVI e ainda guarda o segundo centro histórico brasileiro reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Só Ouro Preto veio antes na lista da UNESCO
O reconhecimento saiu em 14 de dezembro de 1982, quatro anos depois do primeiro tombamento internacional brasileiro, dado a Ouro Preto em 1980. Segundo o Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO, a inscrição de número 189 protege 190,9 hectares de área principal e uma zona de amortecimento de 624 hectares.
O designer pernambucano Aloisio Magalhães coordenou o processo de candidatura como Secretário da Cultura do Ministério da Educação e Cultura, à época. A conquista é celebrada anualmente pela Prefeitura como uma das principais datas do calendário cultural.

Da pequena Lisboa ao incêndio holandês
Olinda foi fundada em 12 de março de 1535 por Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. A cana-de-açúcar transformou a vila na cidade mais rica do Brasil Colônia entre os séculos XVI e XVII, comparada por cronistas da época à corte portuguesa.
A opulência atraiu invasores. Em 1630, os holandeses tomaram a região e, considerando a topografia difícil para defesa, incendiaram Olinda um ano depois, transferindo a capital para o vizinho porto do Recife. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a reconstrução começou em 1654 e o tecido urbano preservado hoje é majoritariamente do século XVIII.

O que ver no centro histórico de Olinda?
O sítio tombado tem 1,2 km² e concentra cerca de 1.500 imóveis com estilos que vão do barroco colonial ao eclético do início do século XX. Ruas tortuosas, ladeiras íngremes e quintais arborizados desenham o traçado que segue as cristas das colinas.
- Alto da Sé: ponto mais alto da cidade, com a Catedral Sé de Olinda e vista panorâmica do Recife e do oceano ao fundo.
- Convento de São Francisco: primeiro conjunto franciscano das Américas, de 1585, com painéis de azulejos portugueses sobre a vida de Francisco de Assis.
- Basílica e Mosteiro de São Bento: guarda altar-mor esculpido em jacarandá e cedro, exposto no Metropolitan Museum de Nova York em 2001.
- Igreja de Nossa Senhora da Graça: uma das primeiras erguidas no Brasil para catequese indígena, no morro do antigo Seminário.
- Mercado da Ribeira: antigo mercado colonial hoje ocupado por ateliês e lojas de artesanato local.
- Museu de Arte Sacra de Pernambuco: instalado no antigo Palácio Episcopal, guarda acervo religioso dos séculos XVII e XVIII.
Quem planeja um dia em Olinda, em Pernambuco, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Kyrillos – Vida Nômade, que conta com mais de 97 mil visualizações, onde ele apresenta um roteiro prático, dicas de gastronomia e um pouco da história colonial da cidade.
Como é o clima em Olinda ao longo do ano?
O clima é tropical quente e úmido, sem grandes variações de temperatura. O inverno concentra as chuvas típicas do litoral nordestino.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Olinda?
A cidade fica a 6 km do centro do Recife, cerca de 20 minutos de carro. O Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes está a 20 km, com voos diários para todas as capitais do país. Ônibus urbanos ligam a cidade ao Recife a cada poucos minutos, com terminal a poucos passos do sítio histórico.
Suba as ladeiras da pequena Lisboa
Olinda condensa em pouco mais de um quilômetro quadrado o começo da colonização portuguesa, o barroco brasileiro mais preservado e um dos títulos mais raros do planeta. Poucos destinos do Nordeste juntam história e paisagem com esse equilíbrio.
Você precisa reservar um fim de semana para conhecer Olinda e subir ao Alto da Sé no fim da tarde, quando o mar aparece dourado atrás das igrejas do século XVI.

