Tradição, gastronomia e história peruana entram em campo na semana decisiva da Copa América

Peru está na final da importante competição de futebol e encara, no domingo, a seleção brasileira no Maracanã. País andino também vai sediar os jogos Pan-Americanos agora em julho

por Carlos Altman Celebe Bezerra 04/07/2019 11:25
Willian Justen de Vasconcellos/Unsplash
Machu Picchu, local mais visitado no Peru (foto: Willian Justen de Vasconcellos/Unsplash)
Ao eliminar o Chile na noite de ontem, o Peru bateu um bolão rumo à final da Copa América. Para muitos brasileiros, a única referência que se tem do país vizinho é o sítio arqueológico de Machu Picchu“Cidade perdida dos Incas”. O destino, descoberto em 1911 e declarado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, em 1983, atrai milhares de turistas em busca de roteiro espiritual ao visitar templos sagrados nas construções intrigantes que levam em conta o alinhamento dos astros e, claro, pelas vistas panorâmicas.
 
Localizado a mais de 3.400 metros de altitude, o Santuário de Machu Picchu se encontra na cidade de Cusco, conhecida como “Umbigo do mundo”. Ela é ponto de referência para conhecer a história do Império Inca, ostentando imponentes construções e ruínas como Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay, Pisac, Ollantaytambo, Moray, Chinchero, Tipon, Pikillaqta.
Jeison Higuita/Unsplash
Ilha flutuante no Lago Titicaca (foto: Jeison Higuita/Unsplash)
Outro destino bastante procurado pelos turistas é o Lago de Titicaca, na fronteira do Peru com a Bolívia. No alto da cordilheira, o imenso Titicaca é uma das principais opções dos turistas que viajam ao país que sedia os jogos Pan-Americanos, de 26 de julho a 11 de agosto . Próximo dele, encontra-se a cidade de Puno, que reserva aos visitantes algumas surpresas também, além de fornecer um posto avançado de conforto para os viajantes que querem conhecer a região. 
 
E nesse lago, que é o mais alto do mundo, dentro de uma região desértica e árida e no topo da maior cordilheira das Américas, o turista é supreendido com as ilhas flutuantes dos Uros. Eles são um povo pré-colombiano que criou as ilhas artificiais para viverem com maior segurança e evitar o domínio de outros povos, como os Incas. As plataformas flutuantes são feitas com totoras, um tipo de junco, e exigem manutenção constante. Ao todo são quase 90 ilhas e quase 300 famílias

Mas, o país encravado nas Cordilheiras do Andes e berço das águas do Rio Amazonas, surpreende seus vistantes. Sim, o Peru é um país diverso, cultural, gastronômico e repleto de atrações. De suas origens pré-hispânicas permeadas por simbologias, envolvendo contrastes até o contexto atual, favorável ao turismo em todas as suas vertentes: sítios arqueológicos e centros urbanos, tradição e modernidade.

Sabores amazônicos


Amoramar/Divulgação
Ceviche do Amoramar (foto: Amoramar/Divulgação)
 

Nos últimos anos, a capital peruana Lima, gaba-se de ter uma agitada programação cultural, gastronômica, compras e badalação. Em 2017,  Celebe Bezerra, chef de cozinha e autor do blog Eu Já Comi visitou o Peru e relatou a experiência de provar dos sabores da cidade que virou a meca sul-americana da gastronomia. Em uma matéria publicada no Turismo daquele mesmo ano ele escreveu: “combinações improváveis que geram resultados indescritíveis. Assim é a gastronomia de uma cidade que respira respeito às tradições, sem ter medo de dar largos passos em direção às fronteiras do paladar”. Afinal, quantas outras cidades combinam em tão pouca distância biomas tão diferentes quanto o Pacífico, os Andes – e suas diversas altitudes, como as chamam por lá – e uma beirada da Amazônia?

Colocados na balança, porém, os excelentes ingredientes não diminuem o talento dos chefs peruanos. São diversos grandes nomes com experiências internacionais, que retornam a seu país com uma gorda bagagem de conhecimento e, especialmente, técnica. Essa sede do saber e um mercado ávido por novidades levaram até a renomada escola francesa Le Cordon Bleu a abrir uma filial em Lima.
Astrid Y Gaston/Divulgação
Frutos do mar com temperos da amazônia do Asytid y Gaston (foto: Astrid Y Gaston/Divulgação)
Traçar o roteiro de restaurantes foi uma tarefa árdua para o chef. Há pelo menos 50 casas de alta gastronomia – sendo o Astrid & Gastón e o Central os dois estabelecimentos considerados “parada obrigatória” por sua premiação e histórico. O primeiro, do renomado chef Gastón Acurio, chegou a ser considerado o segundo melhor restaurante do mundo. Mas a fama não vem solteira: as reservas estavam tomadas para os próximos dois meses. E claro, os preços, de cerca de R$ 450 por pessoa para o menu degustação, não são para qualquer orçamento. 

Além da comida


Lima é uma cidade enorme, com 10 milhões de habitantes. Por isso, planeje bem seus trajetos e calcule o tempo de deslocamento, já que o trânsito é bastante caótico.
• Os bairros de Miraflores, San Isidro e Barranco concentram a maioria dos bons bares e restaurantes, além de estar próximos de diversos pontos de interesse na cidade.
• Ainda assim, vale uma turistada pelo Centro para ver os belos palácios e praças desta cidade de quase 500 anos de história.
A principal atração turística da cidade é o Circuito das Águas, um parque com 10 fontes que combinam luz e movimento de potentes chafarizes. Há shows diariamente às 19h. Paga-se ingresso (cerca de R$ 8).
• Aplicativos funcionam bem melhor que táxi para a locomoção. Vale a pena comprar um chip de dados para ter essa opção. Já o transporte coletivo público de Lima é precário e desanimador.
• O Nuevo Sol (S/.) está com uma cotação parecida com o real brasileiro, e o poder de compra das moedas é bem parecido também. Não espere pechinchas. Uma corrida de táxi não custa menos de S/. 8, e uma refeição completa custa a partir de S/. 25, podendo chegar a S/. 600 se o seu orçamento estiver maior que seu apetite.