Bem-vindo ao Havaí: descubra a ilha da magia no Oceano Pacífico

Arquipélago já serviu de cenário para dezenas de filmes e séries, como A ilha da fantasia e Lost. Reduto dos surfistas, visitar este paraíso é ter a garantia de um passeio inesquecível, principalmente pelas praias inigualáveis do local

por Paulo Silva Pinto 19/02/2019 19:18
Jason Reed/Reuters
Para os casais apaixonados, nada se compara a apreciar o pôr do sol em Maui, no Havaí (foto: Jason Reed/Reuters )
 
O arquipélago do Havaí, que é, desde 1957, o 50º estado norte-americano, tem um espaço mítico cativo nas nossas mentes, e por muitas razões. Desde o fato de ter sido cenário em tantos filmes e séries de tevê até o aspecto histórico — o ataque dos japoneses a Pearl Harbour foi o gatilho para a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Tudo isso sem esquecer, claro, do que mais importa: a natureza deslumbrante.
Foi nas ondas da costa norte da Ilha de Oahu que o surfista brasileiro Gabriel Medina conquistou, em dezembro do ano passado, o bicampeonato mundial de surfe. Também nas praias havaianas está outro símbolo prosaico do Brasil: a marca de sandálias de borracha com o gentílico do arquipélago. É frequente encontrá-la na areia – muitas vezes, o modelo com a bandeirinha verde e amarela, usada por pessoas que não falam sequer rudimentos de português.
Brian Bielmann/AFP
Na ondas de Oahu, Gabriel Medina se tornou bicampeão mundial (foto: Brian Bielmann/AFP )

Para além do aspecto simbólico, porém, visitar o arquipélago no Pacífico Norte é garantia de um bom passeio. Surfistas têm um apelo evidente. Quem gosta de mergulho livre ou com tanque de ar também encontra situação perfeita, com abundância de vida marinha e grande visibilidade. A distância que se pode avistar peixes e corais sob a água equivale aos melhores locais do planeta, como a Grande Barreira de Corais, na Austrália.
Jewel SAMAD/AFP
Presença brasileira nas areias da Praia de Waikiki, em Honolulu (foto: Jewel SAMAD/AFP)

As pessoas que pretendem simplesmente relaxar na praia encontram sol e temperatura agradável o ano inteiro, e um mar azul-cobalto inexistente em qualquer outro lugar. Além disso, há, nas ilhas, algo muito raro de encontrar por aí: a combinação da exuberância natural com a sofisticação da infraestrutura de hotéis, restaurantes e lojas.

O destino preferido dos turistas
Hugh Gentry/Reuters
Mais que uma saudação, Aloha significa um estado de espírito. É uma atitude de compartilhar boas energias (foto: Hugh Gentry/Reuters )

Oahu é o Havaí como nós conhecemos. A terceira maior ilha do arquipélago abriga Honolulu, a capital, a Praia de Waikiki, centro da vida social; as famosas praias da costa norte, que servem de cenário para uma das etapas do Circuito Mundial de Surfe; e a Base Naval de Pearl Harbour, que foi atacada pelos japoneses na Segunda Guerra e levou os Estados Unidos a entrarem definitivamente no conflito.

A ilha tem 1,54 mil quilômetros quadrados, pouco menos de um terço do Distrito Federal. Abriga um milhão de habitantes, o que faz dela a mais populosa, com dois terços das pessoas que vivem no estado norte-americano. Ainda assim, grande parte do espaço é coberto por vegetação natural ou fazendas, que produzem frutas tropicais, principalmente o abacaxi. Logo que sai do avião, o turista percebe que está nos trópicos. A caminho de pegar a bagagem, passa-se por um corredor completamente aberto, ao lado de um jardim japonês com uma imensa figueira.
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Por conta das ondas gigantes, a Ilha Oahu sedia uma das etapas do Circuito Mundial de Surfe (foto: Hugh Gentry/Reuters )

A ilha é servida por boas estradas, o que favorece o viajante que pretende alugar um carro. Na parte Sul, onde fica Honolulu, há uma grande via expressa que permite chegar rapidamente a vários lugares. Mas é preciso usar um navegador. A sinalização é aparentemente benfeita, mas desaparece justamente quando mais se precisa dela.

Imperdível visitar Pearl Harbour. Lá se avista o USS Arizona, que sofreu o ataque dos japoneses em 1941, quase completamente submerso, exceto pelos canhões superiores.

Dali ao Norte da ilha é um percurso rápido, de pouco mais de meia hora, a maior parte em uma via expressa que vai até o meio do território. Atravessam-se várias plantações. Em uma delas, é possível parar em um grande centro de visitantes que vende produtos locais, incluindo chocolate com cacau local e café. Nas praias do Norte, o mar é agitado. Mas, em geral, não é possível ver ondas gigantes. A melhor época vai de dezembro a fevereiro, mas as maiores ondas surgem de certa forma longe da praia. É preciso acessá-las por meio de pranchas ou jet-skis.

Não só na natureza, porém, estão os encantos da parte menos habitada. A primeira das praias de quem chega de Honolulu é a da cidezinha histórica de Hale’iwa, com lojas, restaurantes, galerias de arte e uma feira no sábado com apresentações de música e dança. Uma das formas de se refrescar é a famosa raspadinha, tão conhecida dos brasileiros: gelo picado com suco. Há filas para se conseguir uma.

Waikiki é o lugar mais cosmopolita de Honolulu e do arquipélago, uma Copacabana mais organizada e sofisticada. Há poucas opções de hotéis baratos. É bom contar com desembolso de US$ 300 por noite. Os grandes hotéis têm bares que encostam na praia. Mas também é possível dar um mergulho e tomar uma chuveirada na praça pública.

As opções de alimentação são bem variadas, e incluem muitos restaurantes asiáticos. Japoneses e coreanos lotam os hotéis — costumam ir para lá em lua de mel. E, quando estão lá, querem mesmo é comer a boa comida com que estão acostumados. Mas os brasileiros também podem se sentir em casa. Em busca de panquecas para começar o dia, parei em um café. A garçonete disse, simpática: “Infelizmente, não tem. Mas posso te trazer um excelente açaí”.

Luxo à beira-mar
MAUI RESORTS/DIVULGAÇÃO
Um dos maiores campos de golfe do mundo se encontra na Ilha de Maui (foto: MAUI RESORTS/DIVULGAÇÃO)

Maui é a ilha mais sofisticada do arquipélago havaiano. Sua costa tem praias perfeitas, com campos de golfe e hotéis de luxo encostados na areia. A maior parte deles está na Baía de Maalaea, onde fica a praia mais famosa, Wailea. A água transparente, em tons que variam entre turquesa e o azul-cobalto, tem uma vida marinha exuberante. Basta um snorkel e uma máscara para observar essas maravilhas, embora seja possível também mergulhar com tanque de ar. Pode-se fazer aulas e pegar o certificado ali mesmo. Quem já fez o curso, mas se esqueceu de colocar a carteirinha na bagagem, pega uma nova na hora, sem burocracia, depois de uma consulta on-line.

Há peixes e corais de todos os tons, e uma grande quantidade de tartarugas-marinhas. Eu nadei durante 10 minutos ao lado de uma delas que tinha pelo menos dois metros da cabeça à cauda, e passeava tanquilamente pelo mar de Wailea.
A areia clara é protegida nas bordas por amendoeiras — sim, a impressão de estar no Brasil é frequente. É possível ir de uma praia a outra sem ver carros, caminhando na calçada que fica entre o mar e os hotéis, em meio à grama bem-aparada. A rua está distante, para além da paisagem. Restaurantes e shoppings, que ficam mais para dentro, também podem ser alcançados por ali.

A diversão não é só de dia. À noite, os hotéis fazem em seus jardins shows com o famoso luau, incluindo danças típicas e a música local. O povo havaiano é originário da Polinésia, que fica no Pacífico Sul. E há teorias de que todos tenham vindo não diretamente da Ásia, mas da América do Sul. A semelhança com os nativos dos Andes realmente sugere isso.
ILTONHOTELS/DIVULGAÇÃO
Nos resorts da Ilha de Maui, turistas se encantam com o luau na praia e a dança do fogo dos nativos (foto: ILTONHOTELS/DIVULGAÇÃO)

Tudo o que existe de icônico no Havaí é possível ser visto na Ilha de Oahu, onde fica Honolulu. Mas em Maui, a qualidade dos serviços e das instalações é muito superior. O Waldorf Astoria, marca que hoje pertence à Rede Hilton, em Wailea, se assemelha a um palácio. Mistura varandas, lustres de cristal e esculturas do colombiano Fernando Botero em meio à vegetação tropical exuberante, sem dispensar um parque aquático que faz qualquer um se sentir criança. O tobogã fechado de muitos andares, escondido no paisagismo proporciona uma queda de 20 segundos, com trechos de arrepiar.

Esquecer-se de que existe carro por uma semana pode ser o melhor a fazer em Wailea. Mas vale a pena reservar um deles no fim para fazer passeios mais distantes. As praias de areia vermelha e de areia negra na costa nordeste da ilha são deslumbrantes. É possível também ver o pôr do sol no vulcão Halaeakala (atualmente dormente), depois de subir até os 3 mil metros do topo.
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Para os amantes do mergulho, a cratera submersa de Molokini abriga, entre os corais, uma rica variedade de peixes (foto: JOSHUA EWING/FLICKR)

Por mais que os mergulhos na praia sejam empolgantes, nenhum se compara, porém, aos da cratera submersa de Molokini. Antes um local de exercícios de tiro para navios de guerra, a área hoje é um santuário ao qual se chega depois de uma hora de viagem de barco. É um passeio que começa ao nascer do sol e vai até a hora do almoço, incluindo bebidas e comida, com preços que variam entre US$ 80 e US$ 200, dependendo do operador.

Não se vê pobreza em Maui. E a ilha é autossuficiente em energia, graças a investimentos do bilionário Elon Musk. Há uma fileira com dezenas de turbinas de energia eólica da beira-mar até o topo de uma montanha na ponta da Baía de Maalaea.

TESTE DE PACIÊNCIA Visitar tudo isso, ou mesmo parte, exige planejamento. As ilhas não são tão próximas entre si quanto um rápido olhar no mapa pode sugerir. Voos entre elas levam entre 30 minutos e uma hora. E podem ser comprados on-line pelo site da companhia local, a Hawaiian Airlines.

Não se deve esquecer que ir de Belo Horizonte ao arquipélago no Norte do Pacífico requer paciência. A menos que se disponha de um jatinho, que possa fazer uma rota mais direta, são mais de 24 horas de viagem, incluindo o tempo a bordo de aviões e a espera em aeroportos. É preciso fazer duas escalas, ao menos.
OCEANRAMSEY/AFP
Pura adrenalina: imagine dar de cara com este gigantesco tubarão-branco no mergulho (foto: OCEANRAMSEY/AFP)

Uma possibilidade é ir daqui para Miami. De lá, pode-se seguir para várias cidades norte-americanas que têm voo direto para Honolulu, em Oahu, ou para outra ilha, como Maui ou a de Hawaii, a maior, que dá nome ao arquipélago, mas abriga muito menos gente do que outras. Pode-se também voar para Los Angeles, de onde se pode alcançar o arquipélago com apenas um voo. A vantagem, nesse caso, é concentrar a etapa internacional, que costuma ser um pouco mais confortável, no trecho longo. Os voos internos nos Estados Unidos, mesmo com seis horas de duração, não têm qualquer refeição ou entretenimento a bordo. Pela Copa e United, é possível ir daqui ao Panamá, de lá a Los Angeles, e, em seguida, ao Havaí.

Aventura quente

A Ilha de Hawaii, que dá nome ao arquipélago, ou Big Island, tem 2,74 mil km², metade da área do Distrito Federal. É a única que tem um vulcão ativo, o Kilauea. A teoria de formação do arquipélago explica que a principal área de vazão de magma ficou parada ao longo de milhões de anos, enquanto a crosta terrestre se desloca. As grandes erupções foram formando as ilhas havaianas, que têm a forma de um arco.

Na Big Island, há muitas cachoeiras e florestas, mas poucas praias. O sol também é bem mais escasso do que em outras ilhas, o que faz o local fugir um pouco das imagens que se fazem do arquipélago. A menos que se pense em atividade vulcânica, o que também é uma marca desse pedaço do Pacífico. E, para quem quer estar perto de um vulcão, há poucos lugares tão bons no planeta.

O Kilauea fica dentro do Parque Nacional dos Vulcões, ao qual se chega em uma viagem de cerca de uma hora de carro a partir de Hilo. É a maior cidade da ilha, onde fica o principal aeroporto — há outro no lado oposto. Fica aberto 24 horas, e o ingresso para o carro, de US$ 25, dá direito a entrar quantas vezes quiser ao longo de uma semana, trafegar pelas estradas e estacionar. O parque foi reaberto em setembro do ano passado, depois da maior erupção em 600 anos. Antes, era possível ver a lava na cratera, um espetáculo ainda mais impressionante à noite. Mas, depois da erupção, houve um refluxo e isso não é mais possível. A marca da atividade vulcânia está nos vapores com cheiro de enxofre que saem da cratera ou de pequenos buracos em outros pontos, em meio à vegetação.

Uma estrada leva o visitante até o local onde a lava antes encontrava o mar, com várias atrações ao longo do caminho, incluindo florestas secas em meio ao chão de lava endurecida, que parece asfalto. É um passeio de um dia. A lava atingiu muitas casas fora do parque no ano passado, que foram interditadas. O local estava inacessível até pouco tempo atrás, mas acaba de ser reaberto ao público.

Um outro passeio a partir de Hilo é conhecer a Mauna Loa, montanha de 4 mil metros formada por um vulcão adormecido. No topo, onde há neve mesmo no verão, há um observatório astronômico. A viagem de carro, a partir do nível do mar até o estacionamento perto do topo, leva pouco mais de uma hora. Em Hilo, há cafés, um grande jardim japonês e um mercado de peixes onde se pode comprar atum da melhor qualidade. Uma larga alameda onde ficam os principais hotéis tem figueiras plantadas por personagens famosos que visitaram o local, como o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt(PSP).

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