Polinésia francesa: conheça o refúgio apaixonante no Pacífico

Taiti, Bora-Bora e Moorea, paraísos naturais desconhecidos de muitos brasileiros, são destinos preferidos de casais em lua de mel

 
Four Seasons Bora Bora/ Divulgação
Bangalôs de hotel de luxo em Bora-Bora 'flutuam' sobre as águas transparentes do Oceano Pacífico (foto: Four Seasons Bora Bora/ Divulgação)
Um paraíso verde de águas límpidas embeleza de forma única o Oceano Pacífico. Na parte sul do mar, cinco arquipélagos tomam conta: Sociedade, Marquesas, Austrais, Mangarevas e Tuamotu. Neles são distribuídas 118 ilhas e atóis. Estamos falando da Polinésia Francesa, um show de beleza e cultura.
 
 
A composição de cores e sensações chama a atenção. A areia é fina e de cor quase branca. O vento corre no ar e areja o sol quente. Logo à frente, o mar, às vezes calmo, com água de cor azul-turquesa, transparece o fundo do solo com peixes e corais marinhos. Com 4.187 quilômetros quadrados, é um dos maiores territórios do Pacífico. Um estudo realizado pelo censo em 2012 calculou a população em 268 mil habitantes, o que resulta em 67 ilhas inabitadas.

Diferentemente do que muitos pensam, as ilhas polinésias oferecem muito mais do que uma viagem praiana: são um destino cultural. Os costumes tradicionais dos locais (dança, tatuagens e nudez) foram banidos com a chegada do capitão inglês Samiel Wallis, porém, o apego às raízes ainda existe. Com ele vem o esforço para retomar os costumes, a fim de preservar a identidade da qual tanto se orgulham. Visitar as ilhas é vivenciar uma imersão nessa cultura tão diferente da usual. Assim que os turistas chegam, eles recebem os colares de flores como um gesto de gentileza, afeto e boas-vindas.

Ao irem embora, os locais entregam outro colar, agora de conchas, como símbolo de proteção em sua viagem. Como tradição, as flores ganham destaque. Usadas tanto por homens quanto por mulheres, elas têm diferentes símbolos, mas sempre são consideradas como uma joia ou dão sinais até sobre a situação marital da pessoa: a mulher que usa uma flor sobre a orelha direita é solteira; se colocar na esquerda (lado do coração), então, é casada.

Em 1768, o navegador francês capitão Louis Antoine de Bougainville chegou à Polinésia Francesa e, impressionado com a beleza da ilha e a amabilidade dos locais, Bougainville chamou o Taiti de “Nouvelle Cythère” (Nova Cítara), por causa da ilha grega de Citera, perto da qual se diz que Afrodite (deusa grega do amor e da beleza) surgiu do mar. Desde então, o local é o sonho romântico de muitos casais.
 
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Destino romântico, Taiti realiza casamentos até debaixo d%u2019água (foto: GREGOIRE LE BACON/AFP )
 
A experiência de confirmar o amor pelo parceiro é incomparável quando estão presentes a cultura e o espírito de um local tão belo. Os principais hotéis da ilha têm pacotes de casamento, desde os mais simples, onde só os noivos estão presentes, até festas de arromba, com muitos convidados. Os noivos não precisam se preocupar com os detalhes de um casamento tradicional, como a decoração, música, buffet, etc. Basta comprar as roupas, as alianças e a passagem.

Lá, a vahine (noiva) e o tane (noivo) são recebidos com canções de amor e danças tradicionais da Polinésia. O juiz de Paz que realiza a cerimônia entrega ao casal um certificado simbólico feito com casca de árvore, que representa riqueza, e ao final da solenidade, é dado ao casal um nome polinésio. Em vez de alianças, os recém-casados são enrolados em um tifaifai, uma colcha polinésia. Os dois usam coroas e colares de flores feitos com botões exóticos e perfumados com flores.

A cerimônia não tem valor legal, mas os brasileiros podem oficializar o casamento entrando em contato com o hotel ou a agência com pelo menos cinco meses de antecedência. Os valores podem variar de 900 a 4 mil euros.

Tradição cultural As práticas populares da cultura maori e a crença na Mãe Terra ainda existem, apesar de a maior parte da população ser de religião protestante e católica. As tatuagens, os tikis — estátuas que representam Ti’i, o ancestral do homem semideus, de acordo com as lendas — e os restaurados maraes — locais sagrados de cerimônia — são práticas populares que formam a identidade do povo.
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A tatuagem maori é provavelmente o item da cultura que mais se disseminou pelo mundo (foto: GREGORY BOISSY/AFP )

O turismo local é a grande alavanca econômica da região, o que impulsiona a população na parte de hotelaria, guias turísticos e restaurantes. A comunidade também usufrui de outra riqueza natural: o local é um dos maiores produtores de pérolas. Além disso, pesqueiros têm a oportunidade de exportar ostras e camarões.


Taiti

 

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Com ondas gigantes, a Polinésia Francesa sedia um dos mais emocionantes campeonatos de surfe do planeta (foto: GREGORY BOISSY/AFP)

A maior ilha da Polinésia Francesa, localizada no arquipélago de Sociedade e onde se situa a capital, Papeete. Estima-se uma população de 186,9 mil habitantes. A ilha é porta de entrada no paraíso, pois é centro de desembarque internacional de todos os voos, por isso, é comum que os turistas passem ao menos um dia de viagem ali.

A comunidade herdou a cultura de seus ancestrais maoris, um mundo que tinha a junção de vidas dos deuses, guerreiros e dos homens em lendas coloridas. Na história, o arremesso de lanças era um tipo de esporte dos deuses, o surfe acompanhado por reis, e corridas de canos e levantamento de pedras disputados por homens como uma forma de demonstração de força.

Constituída por atividade vulcânica, é cercada por recifes e corais, com interior montanhoso. O Monte Orohena é o pico mais alto, com 2.241m de altitude. Com ares de grandes metrópoles, a ilha concentra lojas, mercados e vida noturna. Além disso, é conhecida por grandes surfistas por ter uma das ondas surfáveis mais temidas do mundo: a Teahupo’o, que sedia uma das etapas do circuito mundial de surfe, o WCT (World Surf League).

No período de 1890, o pintor francês do pós-impressionismo Paul Gauguin viveu durante alguns anos de sua trajetória na ilhota. Lá, produziu centenas de obras, algumas delas sobre indígenas, como o quadro Vahiné no te tiare (A moça com a flor), Mulheres de Taiti e o livro Noa noa. A estada do pintor é motivo de orgulho para os polinésios. Em 2003, o Museu Paul Gauguin foi erguido com um arsenal de todo o seu trabalho artístico, contendo fotos, documentos e reproduções de suas obras. Porém, o local não se encontra aberto ao público.



Bora-Bora

 

Four Seasons Bora Bora/ Divulgação
Resorts de luxo se instalam ao longo da Matira Beach, em Bora-Bora (foto: Four Seasons Bora Bora/ Divulgação)

Situada no arquipélago de Sociedade, o roteiro é o preferido dos recém-casados. A ilha é cercada por um mar de tom azul mais forte, que forma uma espécie de barreira natural, represando as águas do oceano. Conhecida como a “Pérola da Polinésia” e considerada a mais bela ilha do Pacífico, fica a 278 quilômetros da Taiti. Como passeios obrigatórios aparecem a Montanha Otemanu — um dos cartões-postais, que pode ser visto de vários pontos — e Matira Beach — que faz parte do elenco de praias mais famosas do mundo. No geral, o lugar conta com boa infraestrutura para os turistas.




Moorea

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Paraíso das águas azul-turquesa (foto: GREGORY BOISSY/AFP)
 

 

A ilha vulcânica faz parte do grupo do arquipélago de Sociedade e fica a apenas 17 quilômetros do Taiti. Por causa da semelhança, as duas são denominadas de ilhas irmãs. O lugar guarda uma lenda que conceitua o nome do espaço, que traduz como “lagarto dourado”. A história é que um lagarto dourado partiu com a cauda as duas baías ao norte: Opunohu e Cook ou Paopao. Opunohu foi a baía em que James Cook (explorador, navegador e cartógrafo inglês) ancorou em 1777. Com aproximadamente 16.191 habitantes, a ilha apresenta ainda oito vales que formam uma estrela. Plantações de ananás (abacaxi), abacates e toranjas (a junção de pomelo, laranja-natal, e laranja em uma fruta só) cobrem as áreas montanhosas.


* Estagiárias sob a supervisão do subeditor Leonardo Meireles


Encantos devbaixo d'água

Four Seasons Bora Bora/ Divulgação
Para os amantes da prática de mergulho, as águas transparentes da Polinésia Francesa são perfeitas para observação de peixes e corais (foto: Four Seasons Bora Bora/ Divulgação)
 

 
Com águas cristalinas e uma rica vida marinha, conhecer o Taiti é o sonho de qualquer mergulhador. Fakarava e Rangiroa são as ilhas mais cobiçadas para quem quer conhecer a região submersa. Uma escola de mergulho de Belo Horizonte tem tradição em oferecer roteiros para a região. Paula Pessanha Loque, diretora da Mar a Mar, já foi à ilha quatro vezes junto com alunos e conhece bem os encantos daquele lugar.  No ano passado, Paula levou um grupo de 22 pessoas para conhecer o paraíso submerso. “No Brasil, a costa é banhada por muitos rios e, por isso, nossa água é marrom. No Taiti, isso não ocorre. Como o mar é transparente, a luz chega até o fundo contribuindo para a proliferação da alga zooxantela. Essa alga deixa a água bem oxigenada e, quanto mais oxigênio, mais recifes e corais se formam. O grupo apaixonou pela região, ao mergulhar ao lado de tubarões, golfinhos e arraias. Os visitantes afirmaram que o Taiti foi a experiência mais incrível da vida deles”, explica Paula.

Mas para aproveitar ao máximo os passeios, a diretora da Mar A Mar sugere que os turistas invistam, com antecedência, em aulas de mergulho. “O ideal é que tenham o curso avançado, que permitem mergulhos mais profundos”. Também é preciso certa prática porque há áreas onde a correnteza é mais forte, o que pode assustar quem não tem experiência. Paula Pessanha Loque também sugere o curso de Nitrox – mistura gasosa que aumenta o tempo de fundo nos mergulhos, bem como reduz os intervalos de superfície.




OUTROS PASSEIOS Embora o mar do Taiti seja a principal atração, uma viagem à Polinésia Francesa tem muito mais a oferecer aos turistas. Em Bora-Bora e Moorea, por exemplo, não faltam opções de passeios outdoor, como scooter, bicicleta, quadriciclo e jeep. “As pessoas saem da beira mar e fazem trilhas para conhecer o interior das ilhas.” Os brasileiros que querem conhecer o Taiti têm duas opções de voo: pelo Chile, ou pelos Estados Unidos, que para muitos agentes de viagens, essa seria a melhor opção rota. Saindo de Belo Horizonte segue com destino a cidade de Los Angeles e, de lá, via Air Tahiti até Papeete, capital da Polinésia Francesa. A viagem pode durar até 20 horas – tempo considerado curto para os que querem experimentar um turismo sustentável, em um lugar onde a natureza está preservada e em equilíbrio.


SERVIÇO
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