Curta o verão cultural e animado em Fortaleza sob as bênçãos do sol

Além das belas praias, a capital cearense reserva encantos culturais como os tradicionais shows de humor e de música

por João Vitor Marques 19/12/2018 17:22

 

Carlos Altman/EM
Do pier da Praia de Iracema o turista deslumbra o mar de águas claras (foto: Carlos Altman/EM)

Caminhar pela Praia de Iracema é lembrar, entre prédios imponentes e a incessante e agradável brisa à beira-mar, os percalços e as belezas da trajetória literária de Martim e Moacir rumo ao território em que seria fundada Fortaleza. E a capital cearense impressiona justamente pela combinação entre o passado, eternizado por linhas tortas numa das principais obras de José de Alencar, e os naturais avanços da quinta cidade mais populosa do país.


De bicicleta ou a pé, a única “certeza” é que o passeio matinal ou vespertino pela Praia de Iracema será sob o Sol de uma cidade cujas temperaturas variam entre 22ºC e 31ºC ao longo do ano, segundo dados do Instituto Climatempo. As raras chuvas costumam se concentrar entre março e maio, mas duram pouco.


O tempo bom para praia é tão certo que, em 2017, a prefeitura lançou o “Seguro Sol” para turistas que visitassem Fortaleza entre 1º de agosto e 20 de dezembro daquele ano. O projeto consistia em “indenizar” com um novo pacote de viagem de uma semana de estada na capital cearense aqueles que enfrentassem pelo menos dois dias de chuva entre as 11h e as 16h.


Mas o céu aberto não será o único motivo de alegria para quem visitar a cidade. Longe disso. Um dos principais pontos boêmios da capital, as barracas na Praia de Iracema se enchem de turistas ao longo do dia e são opções para se deliciar com a culinária local. Mais à frente na caminhada estará a Feirinha Beira-Mar, já na orla da Praia do Meireles. Ao fim da tarde, uma ótima opção é admirar o pôr do sol na Ponte do Ingleses ou no Espigão da Rui Barbosa.

 

Carlos Altman/EM
As praias de águas mornas da Praia do Futuro são um convite ao mergulho (foto: Carlos Altman/EM)
 

Em Fortaleza, o turismo de lazer – que ganha força por conta das belas praias, em especial Iracema, do Futuro e do Cumbuco, esta última já mais afastada do Centro – se mistura com o turismo cultural, fortalecido principalmente pela musicalidade, pelos tradicionais shows de humor e pelo artesanato locais. 

 

 
Turismo cultural 

Carlos Altman/EM
Entre as diversas manifestações artística, a escultura da índia Iracema, protagonista ddo romance de José de Alencar (foto: Carlos Altman/EM)

 

A combinação de sons e cores que marca as partes turísticas de Fortaleza chega ao ponto máximo no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, localizado ainda na Praia de Iracema. São 14,5 mil metros quadrados em que imperam as mais diversas manifestações artísticas, que vão desde teatro, circo, dança e performance até cinema, shows musicais e literários.
Por lá, você vai encontrar os museus da Cultura Cearense, de Arte Contemporânea do Ceará e a Multigaleria, além do Teatro Dragão do Mar, do Espaço Rogaciano Leite Filho, da Arena Dragão do Mar e do encantador Planetário Rubens de Azevedo. Em novembro, por exemplo, o local recebeu a 12ª edição do For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, cujo tema foi a expressão nordestina “Respeite as caras”.


A produção cinematográfica ganha espaço no Cinema do Dragão – Fundação Joaquim Nabuco. Shows locais e mesmo internacionais movimentam o Anfiteatro Sérgio Mota, o Auditório e a Praça Verde do Dragão. A maioria da programação é de terça-feira a domingo e tem acesso gratuito ou a preços simbólicos.

 

 

Na terra de expoentes da literatura nacional, como José de Alencar e Rachel de Queiroz, a ideia é valorizar cada passagem que ajudou, de um modo ou de outro, a construir a identidade cearense. O próprio nome do centro cultural é exemplo disso. Francisco José do Nascimento, o ‘Dragão do Mar’, cravou o próprio nome na história ao liderar a jangada Liberdade, que paralisou o mercado escravista no porto de Fortaleza em 27, 30 e 31 de janeiro de 1881. No Ceará, a escravidão foi abolida em 1884 – quatro anos antes da promulgação da Lei Áurea. 

 

 

A pé pelas ruas de Fortaleza


Por que não conhecer uma das maiores cidades do Brasil num roteiro a pé? Quem vai pela primeira vez a Fortaleza se surpreende: ao contrário de outras metrópoles nacionais, o cinza característico do asfalto e dos prédios cada vez mais altos se mistura com outras tantas cores na Região Central da capital cearense.

 


“São 15 bairros que ainda guardam contornos históricos na cidade, e a maioria deles está na Região Central”, explica o guia Gerson Linhares, que há 22 anos trabalha no programa Fortaleza a Pé.


A região em que a cidade foi fundada começou a ser ocupada ainda no final do século 16. Da fundação, em 13 de abril de 1726, pra cá, são 292 anos de intensas mudanças econômicas, sociais e culturais. Em meio a esse cenário de transformações, uma preocupação: manter, em meio a arranha-céus, casarões e construções históricas da cidade. Por isso, vale a pena calçar um sapato confortável, vestir roupas leves, pegar o boné e passar bastante protetor solar para deixar a praia um pouco de lado e conhecer o Centro.


O programa Fortaleza a Pé oferece 30 itinerários diferentes, com mais de 50 pontos de visita diferentes. Resta ao turista escolher quais pontos da cidade quer conhecer. Para se ter uma ideia, são 32 praças antigas só na Região Central, além de igrejas históricas e edificações que mantêm contornos originais. O passeio completo pode durar de duas a quatro horas.
Para quem gosta de história, os museus – que totalizam 66 na cidade – são a atração principal. Inaugurado em 1933, o Museu do Ceará é o mais importante – e imponente – de todos. No século 19, o edifício era sede da Assembleia Legislativa e carregava o nome Palacete Senador Alencar, em homenagem ao pai do romancista José de Alencar. Atualmente, relembra os primórdios paleontológicos e arqueológicos do estado, além, é claro, a formação cultural e religiosa da região.


Diariamente, estima-se que mais de 450 mil pessoas passem pelo Centro de Fortaleza. Nenhuma cidade do interior do Ceará arrecada mais dinheiro em impostos do que a região, ponto comercial bastante representativo na capital. Apesar de tanta agitação diurna, engana-se quem pensa que o movimento acaba no horário comercial.

NATAL LUZ

 

Firmino Júnior/Divulgação
Abertura do Ceará Natal de Luz movimenta o Centro da capital no fim do ano (foto: Firmino Júnior/Divulgação)

Noite de 23 de novembro. Da Praça do Ferreira – a mais frequentada da cidade –, milhares de olhares se voltam para o alto do Hotel Excelsior, considerado o primeiro arranha-céu de Fortaleza, inaugurado no último dia de 1931. Lá de cima, crianças aparecem nas sacadas para entoar canções que marcam a abertura do Ceará Natal de Luz, 22ª edição do evento organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e que movimenta o Centro da capital no fim do ano.
É o tão aguardado Coral da Luz, formado por cerca de 130 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos. Todos os integrantes moram na região conhecida como Grande Bom Jardim, que engloba cinco dos bairros com piores indicadores sociais e econômicos de Fortaleza. Eles fazem parte da Associação Nossa Casa Mãe África, que oferece aulas de canto, balé, circo, flauta e violão, entre outras.


“Penso em quando eu era criança, pois não tinha um projeto desse. Queria muito aprender a tocar violão, a tocar flauta, coral. Penso que sou instrumento para essas crianças… E eu queria ter tido um instrumento desses quando era criança. É incrível”, diz Hanna Cecília, uma das instrutoras do projeto.


Diariamente, até 23 de dezembro, as crianças do coral dividem o palco com grandes artistas brasileiros. Na abertura do Natal de Luz, o cantor, compositor e instrumentista Fagner voltou ao estado em que nasceu para relembrar sucessos de anos de carreira. Gilberto Gil e Toquinho também fazem parte da programação do evento, que, pasmem, teve até neve. Isso mesmo. Para a alegria das crianças – e por que não dos adultos? –, flocos de “neve” artificial produzidas por máquinas atingiram toda a Praça do Ferreira, que beirava os 300C.

* O repórter viajou a convite da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, em parceria com a Secretaria de Turismo da capital cearense

['__class__', '__cmp__', '__contains__', '__delattr__', '__delitem__', '__dict__', '__doc__', '__eq__', '__format__', '__ge__', '__getattribute__', '__getitem__', '__gt__', '__hash__', '__init__', '__iter__', '__le__', '__len__', '__lt__', '__module__', '__ne__', '__new__', '__reduce__', '__reduce_ex__', '__repr__', '__setattr__', '__setitem__', '__sizeof__', '__str__', '__subclasshook__', '__weakref__', 'clear', 'copy', 'fromkeys', 'get', 'has_key', 'items', 'iteritems', 'iterkeys', 'itervalues', 'keys', 'pop', 'popitem', 'request', 'setdefault', 'update', 'values', 'viewitems', 'viewkeys', 'viewvalues']