Um paraíso na Costa das Dunas: conheça Touros, no Rio Grande do Norte

Perto de Natal - são apenas 80 quilômetros de distância -, mas longe da agitação da capital potiguar, Touros oferece o mar morno do Nordeste e lindas praias, nas quais o turista pode desacelerar e relaxar sem trânsito e em contato com a natureza. A vizinha São Miguel do Gostoso faz jus ao nome e tem no pôr do sol um espetáculo à parte

por Cristiane Silva 18/09/2018 07:12

Cristiane Silva/EM/DA Press
Praia do centro de Touros, no Rio Grande do Norte: clima de vila de pescadores (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)


Perto de Natal existe um pedaço do Rio Grande do Norte tão cheio de mar e sol quanto, mas bem menos badalado. É um daqueles lugares em que o tempo passa mais devagar e é possível desfrutar horas somente na companhia do mar, do calor e do vento. Dizem, inclusive, que lá é onde o vento faz a curva. Esse lugar é Touros, na Costa das Dunas, cidade que, apesar de pequena, guarda grandes histórias.


A principal delas diz que foi ali, e não na região de Porto Seguro (BA), que o “descobrimento” do Brasil começou. Alguns teóricos e historiadores defendem que as caravelas de Pedro Álvares Cabral chegaram primeiro lá, e uma das provas seria o Marco de Touros, coluna com a insígnia de Portugal fixada, em 1501, no local conhecido hoje como Praia do Marco. A original é guardada em um museu de Natal, mas há uma réplica em destaque no Centro de Touros.

MARCO Uma das versões atribui o nome da cidade a uma formação rochosa que lembra o animal. O marco é considerado o monumento colonial mais antigo do Brasil. No portal do governo do estado, uma matéria lista cinco evidências, apontadas pela navegadora e professora-doutora Rosana Mazaro, do Departamento de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de que a chegada dos europeus se deu por lá. 

Se Cabral desembarcou primeiro em Touros ou não, fica o debate. Mas é possível confirmar que outros pioneiros europeus chegaram à cidade na história recente, e pelo ar. Foi lá que pousou o primeiro avião a fazer um voo atravessando o Oceano Atlântico sem escalas, em julho de 1928, vindo da Itália. Uma foto fácil de encontrar na internet mostra moradores de todas as idades ajudando a empurrar a aeronave dos pilotos Arturo Ferrarin (1895-1941) e Carlo Del Prete (1897-1928).

Secretaria Municipal de Turismo de Touros/Divulgação
Farol do Calcanhar é o segundo maior da América Latina, com 62 metros de altura (foto: Secretaria Municipal de Turismo de Touros/Divulgação)


Em Touros, fica o segundo maior farol da América Latina, com 62 metros de altura e quase 300 degraus. Construído no início do século 20, o Farol do Calcanhar ganhou esse nome por estar no local chamado de “calcanhar” do Brasil, bem no extremo leste. É nesse lugar que, observando no mapa, o litoral do país começa a curva de Norte/Sul para Leste/Oeste.


Também é em Touros que começa a BR-101, que leva do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, ao longo de 4,5 mil quilômetros. Repetindo uma frase conhecida pelos locais, um guia da Potiguar Turismo, uma das empresas de receptivo que oferecem passeios a quem visita o estado, diz que a rodovia, que ele já percorreu de moto, “liga o oxente ao tchê”. Uma placa marca o quilômetro zero da estrada. Diante dela estão arcos de concreto construídos pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012).

Cristiane Silva/EM/DA Press
Pôr do Sol na Praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)


Cristiane Silva/EM/DA Press
Falésias em São Miguel do Gostoso, a cerca de uma hora de touros, são concorridas para fotos (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)
ESPETÁCULO O caminho de Natal a Touros é feito pela mesma rodovia, saindo do Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves. A viagem leva pouco mais de uma hora. No caminho, é possível apreciar a paisagem formada pelas dunas fixas (os montes de areia com vegetação nativa), cactos e criadouros de camarão. A região também produz abacaxi e grama. A pesca e a agropecuária familiar estão presentes.


Cristiane Silva/EM/DA Press
Aproveite uma tarde na Praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)
Assim como em outras partes do Nordeste, lá o Sol se adianta. Às 5h, já está presente. Pouco antes das 6h é dia claro. Mas, para compensar a pressa da madrugada, o Sol vai embora mais cedo, por volta das 17h30. Um dos melhores lugares para apreciar sua descida do céu fica a uma hora de Touros, em São Miguel do Gostoso, cidade um pouco maior e mais conhecida, com cerca de 100 pousadas e 40 restaurantes. Dá pra passar a tarde na Praia de Tourinhos (caminho por estrada de chão), nadando no mar quase morno ou fotografando as falésias. Quando o fim da tarde estiver se aproximando, estenda uma canga na areia e aproveite para ver o espetáculo da natureza que é o pôr do sol, que, em agosto, ocorre atrás das hélices das torres de energia eólica que quase se encontram com o mar..

Floresta encantada

 

Falando em energia eólica, agosto e setembro são os meses com os ventos mais fortes. Então, você verá os equipamentos em movimento de diferentes pontos das cidades. O vento também ajuda a aliviar o forte calor da região, que pode chegar a 29 graus, segundo o Climatempo. Por outro lado, o mar fica mais agitado.

 

Cristiane Silva/EM/DA Press
Praia da Xêpa, com as hélices de energia eólica ao fundo, rende belos cliques (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)
 

 

É um lugar com muita água, não só a do mar, como a de pequenos rios, lagoas e mangues, que ganham um ar de “floresta encantada”, dessas dos livros de colorir, quando vistos ao cair da tarde. Rendem belos cliques, como o que fica no acesso à Praia da Xêpa, ainda em São Miguel do Gostoso. O visitante atravessa uma pequena ponte de madeira sobre o mangue, caminha por uma faixa de areia onde há um restaurante, e sobe uma duna com um charmoso portão de madeira no topo. Lá do alto, é possível admirar toda a extensão da praia, que, assim como grande parte do litoral daquela região, é praticamente vazia. Movimento, só o dos barcos pesqueiros a distância e dos nativos (um grupo de crianças jogava futebol no dia dessa visita). De resto, apenas o som das ondas. E o vento, que atrai praticantes de kite e windsurf.

Cristiane Silva/EM/DA Press
Caminho que leva a Xêpa tem um quê de mistério, com muita água e mangues em meio às árvores (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)


Outro passeio que vale a pena na região é a visita aos Parrachos de Perobas, piscinas naturais a 5 quilômetros da costa de Touros. Na maré baixa, é possível mergulhar com máscara e snorkel para observar os cardumes e outros animais marinhos que se reúnem na área. O passeio também pode ser adquirido com a Luck Receptivo, que, além de Natal, presta serviço na Costa das Dunas.

ORIGEM No fim da manhã de 1º de setembro, centenas de pessoas se reuniram na Matriz de Bom Jesus dos Navegantes, sob sol forte, para dar início ao tríduo para celebrar os 218 anos da construção do santuário e os 186 de criação da paróquia. O padre Rodrigo Paiva contou a história da devoção que deu origem à igreja. “Nos idos do século 19, aparece, exatamente neste rio atrás da gente, o Rio Maceió, na enseada entre o rio e o mar, um caixote com uma imagem de Jesus Cristo. Essa imagem é venerada desde então. Milagrosa, a ela são creditados tanto milagres quanto bênçãos e devoções. E ocorre exatamente que, naquela ocasião, o povo padecia à fome, e não tinha pescado. Logo em seguida ao achado da imagem, abundantes peixes e tempos de graças e vida ocorreram em Touros”, explica.

Cristiane Silva/EM/DA Press
Santuário do Bom Jesus dos Navegantes, em Touros, celebrou 218 anos de sua construção (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)


Segundo o religioso, a comunidade cresceu em torno da fé do Bom Jesus dos Navegantes. “Touros, na ocasião, era uma vila de pescadores e se constituía em torno do crescimento econômico relacionado à pesca. Ela vai crescendo também, a partir de então, com a devoção ao Bom Jesus. Devotos se mudam para Touros, pessoas constituem essa sociedade e, hoje, se confundem com a cidade, a paróquia e a devoção ao Bom Jesus”, pontua o padre Rodrigo Paiva.

 

Depois do hasteamento das bandeiras no pátio, acompanhado pelo badalar dos sinos, por volta do meio-dia, quem estava do lado de fora se apertava para acompanhar a cerimônia dentro da igreja. Os bancos não foram suficientes e alguns fiéis contaram com a ajuda dos bares próximos, que emprestaram cadeiras de plástico. Todos acompanhavam a chamada Missa da Coroa com grande expectativa. Ao final, todos eles recebem a bênção da coroa do Bom Jesus, que, segundo a tradição, é colocada na cabeça de cada um dos fiéis.

Cristiane Silva/EM/DA Press
Todo dia 1º de cada mês, fiéis acompanham a chamada Missa da Coroa (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)


Na cerimônia, o encontro da tradição e da modernidade. Isso porque a celebração era transmitida ao vivo pelo Facebook por um grupo de jovens da comunidade. A missa ocorre todo dia 1º de cada mês. Já a festa do Bom Jesus dos Navegantes ocorre de 22 de dezembro a 2 de janeiro, atraindo fiéis de diferentes partes do país.


Entre as pessoas que participavam da missa estava a professora Clésia Maria do Nascimento Silva, que elogiou a cultura e a população e disse por que os turistas devem visitar a cidade dela. “Touros é uma cidade riquíssima em cultura popular, principalmente. É uma terra de pescadores, de agricultores, de pessoas acolhedoras. Além da diversidade de praias, que são atrativos para as pessoas que vêm de fora, é uma cidade de pessoas religiosas também. É uma diversidade de religiões, mas, graças a Deus, todo mundo bem unido”, comentou.

Cristiane Silva/EM/DA Press
Praia de Touros com os barcos de pesca, uma das principais atividades do local (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)


Do lado de fora da igreja, chamam a atenção dois canhões coloniais apontados estrategicamente na direção da praia. Eles foram instalados pelos portugueses para combater a invasão holandesa no Brasil, que começou no século 17 com o objetivo de tomar posse do Nordeste do país. Na década de 1950, as peças foram transferidas de um antigo forte para essa área mais central do município. Não muito longe dali fica a ponte sobre o Rio Maceió, que corta a cidade. Da praia, é possível ver, ainda que bem longe, o Farol do Calcanhar.

Cristiane Silva/EM/DA Press
Casas antigas e simples chamam a atenção pelas pequenas janelas, principalmente por causa do calor intenso (foto: Cristiane Silva/EM/DA Press)
DESACELERAR Andando pelas ruas, pessoas de sorriso fácil, receptivas e com aquele sotaque bom de ouvir. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para este ano, a população de Touros é de 33,7 mil habitantes. Chamam a atenção as casas antigas e simples, com pequenas janelas com grades de madeira, que fazem você pensar como os moradores conseguem suportar o calor. No Centro, os imóveis mais altos não passam de três andares. Com o avançar da hora é possível encontrar famílias nas varandas, aproveitando o fim da tarde, num clima que lembra o interior de Minas Gerais.


Um taxista disse que lá as coisas não são “aceleradas” como em Natal. De fato, o tempo lá parece passar de outro jeito. É possível caminhar pelas vias planas ou percorrer longas distâncias de uma praia a outra, sob um céu sem nuvens, a areia fina e branca sob os pés, sem perceber que horas se passaram. Touros é um lugar para perder a noção do tempo e se esquecer da vida.

Click and Play/Divulgação
Bar em uma das piscinas do Vila Galé Touros (foto: Click and Play/Divulgação)

Em agosto, a cidade, que ainda guarda fortes traços da vila de pescadores de outrora, ganhou um empreendimento que trouxe opção de hospedagem com padrões internacionais para quem quer conhecer a Costa das Dunas. Inaugurado em 1º de setembro, o Vila Galé Touros Hotel Resort Conference & Spa ocupa área de 113 mil metros quadrados e é o maior da região. São 514 acomodações no sistema all inclusive.


Com investimento de R$ 150 milhões, o hotel teve o lançamento da pedra fundamental em fevereiro de 2017. Hoje, garantiu 300 empregos diretos e 1,2 mil indiretos pela cadeia produtiva, com o fornecimento de alimentos e outros produtos. Pelo menos 80% dos trabalhadores são da região de Touros, boa parte atuando no primeiro emprego formal, com carteira assinada.



A rede procura lugares novos para criar hotéis, o que faz parte das inovações propostas para fidelizar os clientes. O presidente do Grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, explicou que, no caso de Touros, chamou a atenção “a vila que parece ter parado no tempo”, mantendo suas belezas naturais. O empresário português também ressaltou que na região “não há inverno”. O tema do hotel, o oitavo da rede portuguesa Vila Galé, é a aviação, um dos grandes desafios para o turismo no país, de acordo com Almeida. “O Brasil precisa de transporte aéreo mais barato e mais eficiente”, enfatizou na coletiva de imprensa por ocasião da inauguração, referindo-se à oferta de voos nacionais e internacionais no Brasil.

Click and Play/Divulgação
Espaço para as crianças tem piscina, brinquedos e um grande tabuleiro de xadrez (foto: Click and Play/Divulgação)


O resort conta com seis restaurantes, que oferecem gastronomia mediterrânea, italiana, regional, portuguesa, bufê e até um voltado para o público infantil. Também conta com bares, um deles localizado em uma das piscinas, além de acesso à praia. Tem também um centro de convenções com capacidade para 1,2 mil pessoas. As opções de hospedagem são apartamentos standard, família e superior, suíte (para até quatro adultos), e chalés.

SUSTENTÁVEL Há também uma preocupação com a preservação do meio ambiente, como destaca o gerente-geral do empreendimento, Alexandre Magno. “Dentro da nossa unidade, temos um hectare de área preservada. Contamos com uma trilha ecológica, com a proposta de fazer um percurso com nossos hóspedes, com as crianças, para fomentar ainda mais a consciência ecológica. Todo nosso lixo é recolhido e tratado. Temos uma estação de tratamento de água e uma de tratamento de esgoto aqui dentro.


Então, tudo que volta para o meio ambiente volta de maneira purificada. Nossa consciência é muito importante e também divulgamos isso com nossos clientes, colocando lixeiras ecológicas para separação do lixo. A Vila Galé vem bem focada nesse propósito”, afirma. *A repórter viajou a convite do Grupo Vila Galé

 

Click and Play/Divulgação
Lobby do hotel impressiona pelo tamanho e decoração impecável (foto: Click and Play/Divulgação)

Serviço


Vila Galé Touros
Contato: (84) 3263-3400
Reservas: www.vilagale.com, reservas@vilagale.com ou pelo telefone (71) 3263-9999
Valor da hospedagem: 3 noites/4 diárias em sistema all inclusive por 6 x de R$ 199,50 no cartão, por pessoa, em apartamento duplo standard

Potiguar Turismo
Contato: (84) 4009-8550

Luck Receptivo

 

['__class__', '__cmp__', '__contains__', '__delattr__', '__delitem__', '__dict__', '__doc__', '__eq__', '__format__', '__ge__', '__getattribute__', '__getitem__', '__gt__', '__hash__', '__init__', '__iter__', '__le__', '__len__', '__lt__', '__module__', '__ne__', '__new__', '__reduce__', '__reduce_ex__', '__repr__', '__setattr__', '__setitem__', '__sizeof__', '__str__', '__subclasshook__', '__weakref__', 'clear', 'copy', 'fromkeys', 'get', 'has_key', 'items', 'iteritems', 'iterkeys', 'itervalues', 'keys', 'pop', 'popitem', 'request', 'setdefault', 'update', 'values', 'viewitems', 'viewkeys', 'viewvalues']