Japão: tradição e modernidade convivem harmonicamente no país do Sol Nascente

Conhecido pelo senso de organização, o Japão impressiona pelos arranha-céus, funcionamento dos serviços públicos e opções de passeios, cultura e diversão. A capital Tóquio é a pura expressão do moderno e do desenvolvimento tecnológico. Quem aprecia história antiga deve incluir no roteiro visitas ao Palácio Imperial, cercado de jardins magníficos, e ao Bairro de Asakusa

por Gustavo Werneck Marta Vieira 28/08/2018 07:12

 

Latitudes/Divulgação
Uma das mais belos países do Oriente, o Japão, de olho no futuro, não abre mão de preservar as tradições do passado (foto: Latitudes/Divulgação)

Campanha surpreendente na Copa do Mundo, comemoração dos 110 anos de imigração para o Brasil e 60 anos especificamente para Minas Gerais, e mais: Olimpíadas a caminho. O Japão não sai do foco, ainda mais com a recente visita da princesa Mako de Akishino, neta do imperador do país do Sol Nascente, a 14 cidades brasileiras. Se você estiver planejando a viagem, há vários destinos além de Tóquio – kyoto, Hiroshima e Nagasaki são alguns deles. Se preferir ficar exclusivamente na capital, com seus 13 milhões de habitantes, terá uma série de passeios à sua escolha. Se a vontade for comprar, comprar e comprar, vá ao Bairro de Ginza (pronuncie “Guinza”), o endereço do comércio de luxo, antes de escolher um ou vários dos shopping centers espalhados pela cidade. O turista que ama natureza não pode dispensar a ida ao zoológico, no Parque de Ueno, onde a grande atração é o casal de ursos Pandas, com o bebê, que acaba de completar um ano. Então, Banzai Nippon!, que, em português, quer dizer Viva o Japão!

Latitudes/Divulgação
A cidade de Tóquio exibe prédios comerciais imponentes, que chegam a atingir 60 metros de altura (foto: Latitudes/Divulgação)

Da janela do avião, em dias claros, impressiona a visão nítida do Monte Fuji, que parece encostar no céu com seus 3,7 mil metros e traz, de imediato, à lembrança, uma página de “folhinha” colorida. Dá uma alegria danada, pois são muitas horas de voo do Brasil até o País do Sol Nascente (levamos cerca de 35 horas de BH a Tóquio, passando pelo embarque internacional em São Paulo, e o mesmo tempo no retorno). Os olhos arregalam, o coração acelera, pois, em poucos minutos, estaremos pousando no Aeroporto Internacional de Haneda, distante 40 minutos da capital.


A caminho do hotel, na região de Ikebokuro, travamos contato em solo de 13 milhões de habitantes, famosos pela organização. A primeira impressão – e última também – é que a cidade é “feita” mesmo para funcionar, atendendo o cidadão com transporte coletivo diversificado e amplo, avenidas largas, viadutos quilométricos e oferecendo limpeza absoluta e serviços perfeitos. A frota que se vê nas vias públicas, sem buracos, parece reluzir; dá gosto. É claro que tudo tem dois lados, não há perfeição absoluta, mas, em poucos dias, o turista terá o que procura: passeios, lazer, cultura e diversão na megalópole, onde diversas culturas se encontram.


Para ilustrar a última frase, uma história curtinha. No dia seguinte à nossa chegada, já ambientados no hotel, estávamos de papo com Mohamed, o simpático recepcionista egípcio, quando chegou uma jovem chinesa, que não falava nada de japonês, nem de inglês. Tranquilo e sereno, procurou ajudar a turista, mas a conversa não rendia.


Pois não é que, de repente, um jovem louro norte-americano, então entretido com a leitura de seu livro, se levantou, pediu licença e perguntou se poderia ajudar. Ao ouvir a resposta afirmativa, “claro”, ele se entendeu com a jovem em chinês e resolveu tudo. No fim do diálogo, Mohamed brincou: “Quem sabe ele vem trabalhar aqui?” e concluiu: “Viajantes...estamos acostumados”. A cena serviu para nos integrar à cidade e tentar desbravá-la.


É como se a modernidade tivesse sua morada em Tóquio. Prepare-se para ver um balé de viadutos, que se cruzam no vazio com saídas múltiplas para vias largas como um tapete de arranha-céus. Os shopping centers, muitos deles temáticos, se impõem por toda a capital, em construções exclusivas que os abrigam ou em prédios comerciais que chegam aos 60 andares.

 
Aula de civilidade

GUSTAVO WERNECK/EM
Templo Asakusa mostra aos visitantes a riqueza cultural e arquitetônica do país dos samurais (foto: GUSTAVO WERNECK/EM)

Neste passeio, que mostra o valor do traço moderno da arquitetura e da engenharia, não deixe de conhecer a beleza muito particular da área metropolitana de Tóquio. A capital está situada em uma grande baía banhando províncias como Chiba, que abriga importantes áreas industriais e de produção de tecnologia, a exemplo de Kimitsu e Futsu. Túneis monumentais erguidos debaixo d’água dão acesso a esses locais e desembocam em viadutos que surgem como moldura de um retrato de impressionante simetria da cidade. A vista exibe o primor da inteligência e do melhor que a matemática e a física podem fazer pelo homem dos tempos modernos.


Até mesmo no trânsito carregado do fim da tarde, embora organizado e fluindo, em geral sob inacreditável silêncio, faz parte do roteiro da visita conhecer o cruzamento que ganhou fama no Japão. No Bairro de Shibuya, a multidão passa pelos sinais compostos de oito ruas imperturbável e sem vacilar. Nós, os estrangeiros, sim, nos perdemos naquele emaranhado de faixas pintadas no asfalto e de sinais. Para os brasileiros, trata-se de uma verdadeira aula de civilidade.


Em meio a toda essa modernidade, nada melhor que quebrar o cenário com uma visita ao Parque Ueno, que tem jardim zoológico, museus, lagos, passeio de pedalinho, trilhas, restaurantes de comidas típicas e gramado para se sentar e levar horas curtindo o ambiente acolhedor. Uma curiosidade é que, independentemente de você estar no parque ou nas ruas, Tóquio é uma cidade silenciosa: não se ouvem buzinas, gritarias e música alta (uma vez ou outra você passa às portas de uma loja e está rolando um som mais estridente). Para quem está acostumado com o jeito latino de ser, o choque é inevitável. Mas o silêncio consiste em apenas uma das particularidades da terra dos samurais.

Os Pandas-gigantes Espaço de lazer, valorização da cultura e do mais antigo zoológico do Japão, o Parque Ueno, no bairro de mesmo nome, foi aberto em 1873. Abriga também o Museu Nacional de Arte Ocidental e o Museu Nacional de Ciências. Para ver as estrelas do parque público, os ursos pandas-gigantes, nenhum problema, mesmo debaixo de chuva fina de verão, em enfrentar a fila que vai serpenteando as correntes da portaria ao hábitat desses belos e raros animais em risco de extinção.


O panda-gigante é conhecido há 100 mil anos nas montanhas do Sudeste da Ásia, onde compartilhava o ambiente com os mamutes. Logo na entrada do zoológico, o senso japonês da responsabilidade e do cuidado com a natureza recomenda, em inglês, o envolvimento dos visitantes na causa em favor desses extraordinários gigantes: Save the panda.


Do vidro que envolve o ambiente limpo e aparentemente bem cuidado destinado à família, Ri Ri, o macho, surge no aconchego de seu descanso e logo provoca suspiros de admiração em jovens e velhos, numa descompostura incomum entre os japoneses, ávidos por uma pose enquadrada nos cliques das máquinas de fotografar. A mãe, Shin Shin, decidiu não interromper o sono e é também alvo das câmeras em frisson.


A etapa final da visita surpreende numa lição de doçura, selvagem no caso, e encantamento com o bebê Xiang Xiang, debruçado sobre o alto tronco que escolheu para brincar.

 

Os ursos estão a salvo e sob os cuidados dos pesquisadores graças a um acordo firmado pelo governo de Tóquio e a Associação de Conservação da Vida Selvagem da China, batizado de Projeto de Criação e Pesquisa do Panda -Gigante. O casal chegou ao zoológico em 2011 e seu comportamento tem sido observado dias após dia. Nas áreas contíguas ao hábitat da família panda, é possível também admirar ursos-polares, macacos e aves da Ásia. 

 

 
De todas as cores 

Yoshikazu TSUNO/AFP
Na primavera, as chamadas sakura (flores das cerejeiras) se encontram em plena floração (foto: Yoshikazu TSUNO/AFP )
 

O Japão tem quatro estações bem definidas, com cores marcantes. A primavera traz o tom rosa das cerejeiras, enquanto o verão é verde, o outono, vermelho, com as folhas no chão, e o inverno, branco de neve. Os turistas apreciam muito a primavera, principalmente os meses de abril e maio, quando as chamadas sakura se encontram em plena floração. “É a época de que mais gosto aqui. A cidade fica toda bonita, as pessoas fazem piquenique nos jardins, é espetacular. O povo daqui trabalha incessantemente, não para nunca, então dá uma acalmada à sombra das cerejeiras”, conta um engenheiro paulista que chegou a Tóquio há cinco anos e hoje trabalha numa loja.


Não é de se estranhar que a época da floração das cerejeiras orientais e do verão sejam períodos de grande demanda turística, o que faz subir os preços da viagem. Um passeio legal pelos tempos antigos é conhecer o Palácio Imperial, que fica perto da Estação Tóquio, uma área com muitas lojas, restaurantes e fluxo intenso de pessoas, embora na correria, sempre prontas a dar informação. Essa, sem dúvida, é uma das características dos japoneses: a atenção com o visitante.

 Behrouz MEHRI/AFP
(foto: Behrouz MEHRI/AFP )

Quem não souber indicar a direção ao turista, com certeza perguntará a outra pessoa para ajudar. E, dependendo do horário, fará questão de te levar até o destino, se você estiver com cara de meio perdido. Um espetáculo. Os mais jovens falam inglês e, no comércio, é o básico: procure, então, ser bem objetivo. Se a vontade é de ir ao banheiro, fale toillet e não restroom ou bathroom.


Outra dica para ficar na memória. Os sanitários no Japão têm um sistema que permite muito mais do que a descarga. Existe jato do bidê, que pode ser quente ou frito. Dependendo do lugar, há também vapor. Um luxo oferecido nos hotéis, restaurantes, shoppings e demais serviços.

MORADA IMPERIAL

Marta vieira/EM
Palácio Imperial em Tóquio é visita obrigatória para os amantes da história nipônica (foto: Marta vieira/EM)
 

Mas vamos passear no Palácio do Imperador, mesmo num dia de chuva, como ocorreu nesta viagem no início de julho. Localizado no Centro de Tóquio e onde se chega cruzando alamedas largas e arborizadas, também compostas por lago que abriga cisnes brancos, o palácio ocupa extensa área do antigo Castelo Edo, a então residência dos xoguns Tokugawa, dinastia feudal que se estabeleceu no Japão em 1603 e permaneceu até 1867. A construção sucumbiu às chamas seis anos mais tarde.

 

O Palácio Imperial, que, de fato, é um conjunto de construções e exuberantes jardins, surge na recomposição da área, quando Tóquio substitui a antiga capital, Kyoto. Em visitas guiadas, só é possível ver os prédios típicos por fora, já que eles servem de moradia da família imperial. Aos 84 anos, o imperador Akihito, no trono há 30 anos, anunciou no ano passado que renunciará ao cargo em abril de 2019, deixando como sucessor seu filho mais velho, o príncipe Naruhito, de 57 anos. Muros de pedra e fossos rodeiam o palácio, compondo um ambiente nada parecido à vida urbana de Tóquio. 

 

Bairros temáticos

Yoshikazu TSUNO/AFP
Ursos pandas-gigantes são a maior atração do zoo. O bebê Xiang Xiang encanta os visitantes (foto: Yoshikazu TSUNO/AFP )
 

 

Voltando à cidade de última geração, o turista poderá desfrutar de um calendário de visitas a zonas como que estruturadas em temas de consumo e hábitos. No distrito de Taito, Asakusa, com seu templo Asakusa Kannon, mais conhecido como Senso-Ji, reconstrução do templo budista mais antigo do país, mostra aos visitantes a riqueza cultural e arquitetônica do país dos samurais.


Datado de 628 d.C., em homenagem à deusa da compaixão (Kannon), Senso-Ji sucumbiu à Segunda Guerra Mundial, tendo sido reconstruído com suas estátuas originais do século 7. É também no Bairro de Asakusa que se comemora o carnaval brasileiro e o turista pode encontrar grande variedade do artesanato típico local.


Se deseja conhecer mais do ambiente dos animês, mangás e games, não perca a oportunidade de conhecer o dia a dia e os cafés do chamado bairro dos eletrônicos, Akihabara. Para conhecer a Velha Capital, Kyoto, é preciso de tempo e de organizar a viagem no trem-bala. São mais de 450 quilômetros de distância entre as duas cidades, trecho pouco superior ao que separa Belo Horizonte do Rio de Janeiro.

EXPOSIÇÕES Se você souber falar arigatô, obrigado em português, já vai fazer a diferença – afinal, nada melhor do que ser agradável em outra língua. Os japoneses vão gostar e, aos poucos, você vai ficando com o som das palavras na cabeça e sentindo vontade de repeti-las. Quem sabe até se aprofunda no conhecimento dos ideogramas e nos estudos do idioma.


Mas a língua não será empecilho para visitar exposições ou passear em Tóquio. Se por acaso ficar tenso na hora de entrar no metrô, nos trens ou ônibus, vá de táxi, que não é muito barato. Paciência, pois mais vale um gosto do que dois vinténs, ou melhor, milhares de ienes (moeda nacional). Agora, cuidado: quando pegar o táxi, fique distante do meio-fio, pois a porta vai abrir automaticamente e você poderá ser atingido. No país, prevalece a mão inglesa, então o motorista segue sentado do lado direito. Uma surpresa foi ver que, sem falar no ambiente impecavelmente limpo, vários bancos traseiros dos táxis são revestidos de um tecido branco, tipo renda.


Por ser uma cidade internacional, com informações urbanas bilíngue, Tóquio tem várias atrações culturais. Em julho, tivemos oportunidade de ver uma exposição de obras de pintores impressionistas franceses do acervo do Museu Pushkin, de Moscou, Rússia, e Michelangelo e o Corpo Ideal, com obras do escultor italiano e outros artistas. No Japão ou em qualquer lugar do mundo, por que não ver o que a humanidade tem de melhor?

 

Olho na cidade

 

O Japão tem características muito peculiares e conhecê-las é valorizar a cultura de um povo e respeitar seus costumes. Para curtir bem a vida urbana, preste atenção nos detalhes:

1) A cidade tem informações também em inglês. Os mais jovens falam essa língua, mas não exagere na hora das compras. Seja objetivo e use palavras de entendimento imediato. Se perguntar pelo banheiro, diga toillet. De todo jeito, os tradutores eletrônicos facilitam a vida

2) Na hora de pegar o táxi, fique longe do meio-fio, pois a porta vai abrir automaticamente. Os motoristas não são de muita conversa, e, no país, prevalece a mão inglesa

3) Nos momentos das refeições, os japoneses se valem do “bentô”, um tipo de marmita para uma pessoa, servida numa bandeja. A refeição tradicional vem com arroz, peixe ou carne e legumes cozidos ou em conserva como acompanhamento

4) Lembre-se sempre de observar os hábitos dos japoneses de deixar os lugares sempre limpos. Isso ocorre em vários restaurantes e lanchonetes. Recolha e entregue o lixo que produzir

5) Para amantes da culinária japonesa, Tóquio é um paraíso com todas as suas variações. Há restaurantes com maior movimento e sistema eletrônico: você faz o pedido do lado de fora, apertando botões, faz o pagamento com cartão de crédito e, quando estiver lá dentro, terá a sua refeição prontinha

6) Não leve reais para a viagem, já que nem todas as casas câmbio fazem a troca para o iene e nem se arrisque com cheques de viagem. Os japoneses preservam sua autenticidade e só costumam aceitar ienes nas transações comerciais. O melhor é trocar 
dólares logo no começo da viagem para não passar aperto.

7) Os quartos de hospedagem são pequenos, às vezes muito pequenos, em Tóquio, mas funcionais e as tomadas são de padrão antigo

8) Respeite o silêncio dentro dos ônibus e trens e carregue o menor número de bolsas possível. Do contrário, se tiver saído das compras, use o táxi. O espaço nos meios públicos de transporte também é restrito.

* Os jornalistas Gustavo Werneck e Marta Vieira viajaram a convite da Nippon Steel 

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