1001 lugares pra se viver: Kronstadt

Fortaleza de Kronstadt, localizada a 30 quilômetros de São Petersburgo, se insinua do alto dos 122,5 metros da cúpula em agulha da Fortaleza de Pedro e Paulo, primeira edificação da capital imperial, que, a partir de Pedro, o Grande, abriga os restos mortais dos czares e czarinas

por Bertha Maakaroun 22/06/2018 17:00

Bertha Maakaroun/EM
Kronstadt é uma cidade russa na ilha de Kotlin no golfo da Finlândia (foto: Bertha Maakaroun/EM)
 

 “O passado olha furiosamente para o futuro”, escreveu Aleksandr Aleksándrovitch Blok (1880-1921), poeta natural de São Petersburgo, em referência ao ciclone revolucionário que varreu o Império Russo, em 1917. Foi também olhando para o futuro – que num átimo já terá se tornado passado – que, séculos antes, Pedro, o Grande – que reinou entre 1682 e 1725 – mirara o Golfo da Finlândia, o mar Báltico e o Império Sueco. Decidido a proteger a nova capital, fundada em 1703, erigiu a fortaleza de Kronstadt – que, em sueco, significa “a cidade coroada” –, na Ilha de Kotlin, para impedir as incursões do adversário ao delta do Neva, principal artéria e porta de entrada de São Petersburgo. Derrotados na Grande Guerra do Norte (1700-1721), da qual o império russo emergiu como potência do Norte europeu, os suecos jamais conseguiram retomar a ilha.

 

Diferentemente dos subúrbios de São Petersburgo, povoados por espetaculares palácios – como o Tsarskoe Selo (Palácio de Catarina) e o Palácio de Alexandre, ambos em Pushkin – o glamour de Kronstadt está em sua história e em seus monumentos relacionados à Marinha: para além da magnífica Catedral Naval de São Nícolas, dedicada aos marinheiros russos e construída entre 1903 e 1913, na Praça Yakornaya, há 21 fortes navais, muitos deles conectados por engenhosas barragens, instalações históricas do almirantado erigidas por Catarina, a Grande, que reinou entre 1762 e 1796. Talhado, sob ordem de Pedro, o Grande, a inscrição, cravada neste que hoje é o belo Parque Petrovsky, resume o espírito do lugar: “À nossa frota defensora e a este lugar, cujo principal desafio é segurar o inimigo, ainda que sob o último suspiro”.

 

A Fortaleza de Kronstadt foi não só anteparo a invasores – jamais tendo sido ocupada por inimigos –, mas nela, adversários de russos e, mais tarde, dos soviéticos tombaram. Kronstadt marcou, de forma decisiva, a história russa em quatro momentos. Durante a Guerra da Crimeia (1853-1856), salvou a então Petrogrado, quando uma frota franco-britânica tentou, por duas vezes, atacar a frota russa do Báltico e sitiar a cidade.


Já em 1917, Kronstadt foi centro das agitações políticas do período, quando, marinheiros, em assembleia, resolveram atacar São Petersburgo e derrubar o czar. Mas em 1921, foram as lideranças anarquistas dos marinheiros que se rebelaram contra o poder dos bolcheviques: apegados à bandeira de “sovietes sem bolcheviques”, contestaram a nova ordem do poder e resistiram a uma brutal agressão do Exército Vermelho. A rebelião dos marinheiros foi derrotada na segunda e violenta ação comandada por Leon Trotsky. O episódio gerou interminável polêmica internacional junto aos movimentos de esquerda, que opuseram, num primeiro momento, anarquistas e marxistas e, posteriormente, trotskistas e stalinistas, dada a brutal repressão que se seguiu à queda da Fortaleza Kronstadt.


Mas, sem dúvida, o episódio mais marcante da história dessa fortaleza foi durante a Segunda Guerra Mundial, na resistência ao chamado cerco a São Petersburgo de 900 dias – em verdade 872 dias. O Exército alemão, auxiliado por uma divisão de voluntários espanhóis e pelo Exército Finlandês, sitiou São Petersburgo – à época rebatizada de Leningrado – matando de fome 1.040.000 pessoas, segundo fontes ocidentais e 1,6 milhão, segundo fontes russas. Foi por meio da intervenção da frota russa, especialmente a do Báltico, bombardeando as tropas alemãs estacionadas à entrada de Leningrado, que os russos impuseram a primeira derrota alemã nessa guerra que registrou uma das maiores carnificinas da história.


Se furiosamente ou não, em Konstradt o passado continua a apontar para o futuro. Estará sempre no olhar de cada um – insanos ou pacíficos, emocionais ou analíticos -aceitar quais sejam os seus méritos e os mais sombrios pecados assinados na história. (Colaborou Eugênio Gomes)

 

 

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